Centro-Oeste Paulista já teve o maior entroncamento ferroviário do país. Segundo o sindicato dos ferroviários, 60% da malha ferroviária que foi privatizada está abandonada. Empresa responsável diz que investiu mais de R$ 6 bilhões e vai ampliar a capacidade da malha paulista em 150%.

M ilhares de vagões, pedaços de locomotivas e restos de carcaças de trens enferrujam sobre os trilhos na região de Bauru (SP). A greve dos caminhoneiros acabou mostrando que o transporte por trens foi deixado de lado e o que está parado poderia ser melhor aproveitado para levar cargas pelo país.

O Centro-Oeste Paulista já teve o maior entroncamento ferroviário do país. Por Bauru passavam as ferrovias Paulista e Sorocabana que ligavam o interior ao porto de Santos.

Trens que poderiam ajudar no transporte de carga estão abandonados na região de Bauru (Foto: TV TEM/Reprodução)Trens que poderiam ajudar no transporte de carga estão abandonados na região de Bauru (Foto: TV TEM/Reprodução)

Trens que poderiam ajudar no transporte de carga estão abandonados na região de Bauru (Foto: TV TEM/Reprodução)

 

Já a Noroeste do Brasil, com mais de 1,6 mil quilômetros interligava o estado de São Paulo à Mato Grosso do Sul. A Noroeste fazia também a integração do Brasil com outros países da América do Sul.

Em um trecho da ferrovia, em Avaí (SP), há mais de um ano a linha férrea está sendo engolida por uma enorme erosão. O transporte está interrompido.

Em Avaí, uma cratera está engolindo a linha férrea (Foto: TV TEM/Reprodução)Em Avaí, uma cratera está engolindo a linha férrea (Foto: TV TEM/Reprodução)

Em Avaí, uma cratera está engolindo a linha férrea (Foto: TV TEM/Reprodução)

A decadência do setor começou no fim da década de 1990, quando as ferrovias foram privatizadas. De lá para cá, várias empresas e grupos assumiram a concessão da malha férrea.

Desde de 2015, a “Rumo Logística” administra o trecho paulista, que tem concessão até 2028. A empresa já está em negociação com o Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para ampliar por mais 30 anos, até 2058.

Mas de acordo com o sindicato dos ferroviários, a empresa não cumpriu as metas de investimentos no setor. Tanto que já recebeu 97 penalidades da ANTT por descumprimento de claúsulas do contrato.

Segundo o coordenador geral do sindicato, Roberval Duarte Place, maior parte da linha férrea na região de Bauru está inoperante. “Daquilo que foi privatizado, 60% da malha ferroviária está abandonada. É o nosso caso aqui.”

Os vagões parados viraram criadouros do mosquito da dengue. Richard Tenedine, microempresário em Bauru, conta que toda a família ficou doente. “Eu peguei, minha esposa pegou antes que eu. Aí aconteceu também com a minha mãe, com meus avós, tudo na mesma época.”

A empresa “Rumo Logística” garante que investiu mais de R$ 6 bilhões em equipamentos e novas tecnologias e que pretende ampliar a capacidade da malha paulista em 150%, passando dos atuais 30 milhões de toneladas por ano para 75 milhões de toneladas por ano.

Vagões estão amontoados em pátios pela região de Bauru. Moradores reclamam de risco de doença, como a dengue (Foto: TV TEM/Reprodução)Vagões estão amontoados em pátios pela região de Bauru. Moradores reclamam de risco de doença, como a dengue (Foto: TV TEM/Reprodução)

Vagões estão amontoados em pátios pela região de Bauru. Moradores reclamam de risco de doença, como a dengue (Foto: TV TEM/Reprodução)

A empresa afirma ainda que os vagões mostradoss estão devidamente alocados em área operacional da ferrovia, aguardando destinação e que todos os cuidados estão sendo tomados pra evitar transtornos à população.

Sobre o trecho que está sendo engolido por uma erosão, a empresa informa que o problema ocorreu por excesso de chuvas. Neste trecho, atualmente, não há circulação de trens por falta de contratos comerciais.

“Ficamos com trens só para transporte e em linhas rentáveis. Aquelas que não eram, como não teve nenhum incentivo, nenhuma estratégia, foram abandonadas”, diz o economista Reinaldo Cafeo.

Em muitas cidades, as estações ferroviárias também estão caindo aos pedaços. Mas algumas iniciativas tentam preservar um pouco da história. Em pederneiras, a estação foi reformada e virou ponto turístico.

A diretora de apoio ao turismo de Pederneiras, Tássia Martini, as ações para manter a história da ferrovia são muito importantes. “Ela é muito importante para manter viva a memória e a história do município. A estação ferroviária foi um marco para o interior do estado de São Paulo.”

Em Pederneiras, uma estação ferroviária foi preservada para contar a história e a importância desse meio de transporte (Foto: TV TEM/Reprodução)Em Pederneiras, uma estação ferroviária foi preservada para contar a história e a importância desse meio de transporte (Foto: TV TEM/Reprodução)

Em Pederneiras, uma estação ferroviária foi preservada para contar a história e a importância desse meio de transporte (Foto: TV TEM/Reprodução)

Do G1

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