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Mulheres demonstram paixão por duas rodas e criam motoclube feminino

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Grupo Mulher & Moto reúne integrantes de várias idades e profissões: beleza e segurança pelas vias do Distrito Federal

Q uando elas passam com suas motos, algumas com até 1000 cilindradas, muita gente ainda se surpreende ao ver mulheres pilotando. E foi justamente para quebrar a imagem masculinizada do mundo das duas rodas que elas se uniram e criaram o maior motoclube feminino do Distrito Federal: Mulher & Moto.

O grupo conta, atualmente, com 230 mulheres, e é bem heterogêneo. Reúne de meninas recém-habilitadas, de 18 anos, a experientes, com mais de 60, e que só tiveram a coragem de tirar a carteira de habilitação categoria A depois dos 50 anos. Agora, desfrutam o gostinho da liberdade e do vento no rosto.

 

A moto, aliás, é um estilo de vida para essa turma. A inspiração vem da velocidade, do ronco dos motores e das amizades feitas durante os encontros e percursos. Entre os membros do grupo, algumas paixões pelo motociclismo vieram do berço. Com outras, foi amor à primeira vista.

É o caso da fundadora do motoclube, Tábata Lobo, 30 anos, técnica em secretariado. Na família, a relação com o motociclismo nunca foi muito próxima. Tudo começou quando Tábata foi assaltada enquanto se dirigia a uma parada de ônibus na Asa Norte. “Naquele momento eu decidi que precisava de uma moto e comprei uma Honda Biz. Desde então, vim progredindo: passei para uma moto de 300 cilindradas, depois uma de 600 e agora com essa BMW de 1000 cilindradas”, detalha a criadora do grupo.

Entre elas, não há distinção quanto à potência das motos. Não importa se a pessoa possui uma simples scooter ou se tem uma máquina que vai de zero a 100 km/h em menos de cinco segundos. Há espaço para todas, até mesmo para quem não tem moto. Essas, andam nas garupas ou acompanham as colegas em carros. ‘Aqui é bem diversificado: tem advogada, enfermeira, sexóloga, médica. Enfim, pessoas de diversos estilos1

Tábata Lobo

Em uma das viagens que fez sozinha de moto, com destino a Patos de Minas (MG), a atendente responsável pela cobrança do pedágio, em um dos pontos de controle da BR-040, ficou impressionada ao ver um rosto feminino quando Tábata levantou a viseira do capacete. “Ela falou: nossa, uma mulher pilotando um motão desses! Depois pediu para tirar uma foto comigo”.

HUGO BARRETO/METRÓPOLES

Todas contra o assédio
Um ponto, porém, incomoda as meninas do grupo: a abordagem indiscreta e, às vezes, até agressiva de alguns homens. A auxiliar administrativa Priscila Frazão, 25 anos, uma das administradoras do motoclube, relembra episódios nos quais se sentiu insegura ou ameaçada por abordagens machistas enquanto pilotava. “A mim, incomoda bastante. Sou comprometida e acho que, quando você pilota, está no mundo ‘deles’ e sujeita a tudo. Viemos para mudar isso, mulher precisa de respeito e podemos pilotar, sim, sem passar por certas situações”, assegura.

Para ela, semáforos fechados, sobretudo à noite, representam perigo e estado de atenção constante. “Uma vez, quando eu estava pilotando na volta para casa, um cara começou a conversar comigo e pediu meu número insistentemente. Eu recusei. Tive de ser grossa e falei para ele parar de ser louco e insistente. ‘Qual parte do não você não entendeu?’”, conta.

 

Nem tudo são flores
Outro problema enfrentado pelas mulheres – e demais pilotos de motocicleta – são os acidentes. Um deles, por exemplo, causado por um item bastante popular do look feminino custou caro para Priscila. Durante o evento Brasília Capital Moto Week de 2015, ela se vestiu como pede o figurino: jaqueta, calça, bota e luvas. No entanto, resolveu trocar o calçado fechado por um par de sapatos de salto alto. “O local estava lotado e eu não estava acostumada a pilotar de salto. Vim cambaleando bastante até que minha mão esquerda travou por apertar demais a embreagem”.

Ela acabou soltando de uma vez a embreagem, a moto fez um movimento brusco para a frente e caiu sobre a auxiliar administrativa, rendendo uma queimadura grave na perna. “Minha mãe odiava a ideia de eu pilotar e esse acidente só piorou a situação. Foram seis meses em recuperação e até hoje sinto dores na região. Nada que me desanime, pois eu tenho um amor indescritível por essa paixão apresentada a mim por meu pai

Priscila Frazão

Os capacetes sobre os rostos não escondem a vaidade, mas, na rotina agitada, elas não se incomodam se alguns detalhes passam batido. A auxiliar administrativa já não sabe quantos brincos foram perdidos durante o “põe e tira” de capacete. “A gente vai à manicure e, depois, anda de moto. Isso acaba com a unha. As botas deveriam ser descartáveis, pois a gente sempre acaba estragando quando passa as marchas. A vaidade sempre existe, mulher tem que andar bonita”, brinca.

Segurança em primeiro lugar
E elas andam mesmo. Bonitas e em grande quantidade. Afinal, o Distrito Federal possui 1.742.852 veículos. Desses, 11,5% são motos. Apesar de representar a minoria da frota, mais de 70% das mortes no trânsito do DF são de motociclistas ou garupas, e a maioria tem entre 18 e 34 anos.

Para nunca fazer parte de estatísticas de acidente, o grupo toma todos os cuidados no tráfego intenso das vias. Além do uso obrigatório do capacete, elas não esquecem dos itens adicionais para aumentar a segurança, como luvas, botas, calças e jaquetas de tecido resistente. O importante é prevenir qualquer eventual contato do corpo com o asfalto.

Tão importante quanto os itens de segurança, no entanto, é a sinalização correta ao fazer as manobras. “É importante sempre dar seta e, se for andar no corredor, tem de olhar para os lados e ficar atenta ao retrovisor. Nós, que andamos de moto, temos de prestar atenção em tudo ao nosso redor”, alerta a advogada Ana Maysa Manta, 29 anos.

As mulheres do clube contaram os dias para o próximo Brasília Capital Moto Week, com início nesta quinta-feira (19/7), na Granja do Torto. O grupo Mulher & Moto terá uma tenda no local e espera recrutar novas integrantes. Se depender de simpatia e ousadia, conseguirão com certeza.

Do Metrópoles

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