A Abiec estima que os frigoríficos brasileiros, como JBS e Marfrig, podem perder até US$ 1 bilhão apenas no segundo semestre de 2025 devido à redução drástica nas exportações de carne, que já caíram 62% entre abril e junho deste ano após a tarifa inicial de 10%. O café, outro pilar do agro, enfrenta desafios semelhantes. Pequenos produtores, responsáveis por dois terços da produção nacional, temem margens ainda mais apertadas com a queda de 33% nos preços do café arábica desde fevereiro de 2025. “Estamos lutando há anos, e agora corremos o risco de perder tudo”, lamentou José Natal da Silva, cafeicultor de Porciúncula (RJ).
Contexto Político das TarifasAs tarifas, efetivadas em 6 de agosto de 2025, foram justificadas por Trump como uma resposta à suposta perseguição judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de tentar um golpe após a eleição de 2022. Trump também criticou a regulação brasileira de redes sociais, alegando censura a vozes conservadoras, e apontou um falso déficit comercial com o Brasil, apesar de os EUA terem registrado um superávit de US$ 7,4 bilhões em 2024. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou as medidas como “chantagem” e prometeu retaliar com “reciprocidade econômica”, mas analistas alertam que uma guerra comercial poderia agravar os impactos no Brasil.
Exceções e Estratégias de MitigaçãoEmbora cerca de 700 produtos brasileiros, como suco de laranja, óleo e fertilizantes, tenham sido isentos das tarifas, setores cruciais como café e carne não receberam alívio. A exclusão de produtos como suco de laranja, que representa 42% do mercado americano, foi vista como uma concessão estratégica para evitar pressões de consumidores nos EUA, onde marcas como Tropicana e Starbucks dependem do Brasil. Ainda assim, a CNI e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) estimam que as tarifas podem reduzir o PIB brasileiro em até 0,16%, com perdas de renda de R$ 2,74 bilhões e impactos significativos em empregos na agropecuária e na indústria.
O governo brasileiro, liderado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, busca negociar com os EUA para reduzir as tarifas, enquanto intensifica parcerias comerciais com países como China e Índia, que já absorvem a maior parte das exportações agrícolas. “O Brasil é uma nação soberana e não aceitará pressões externas”, afirmou Lula, destacando esforços diplomáticos para mitigar os danos.
Desafios para Pequenos ProdutoresOs pequenos agricultores, especialmente no café, enfrentam os maiores riscos. Em regiões como Porciúncula e Varre-Sai (RJ), onde a cafeicultura é a principal fonte de renda, produtores como Paulo Menezes Freitas relatam dificuldades para absorver os custos ou redirecionar exportações. “O mercado não se adapta da noite para o dia”, disse Freitas. A combinação de tarifas com a queda nos preços do café e condições climáticas adversas agrava a situação, levando alguns a considerar abandonar o cultivo.
Perspectivas e ResiliênciaApesar do impacto, analistas destacam a resiliência da economia brasileira, impulsionada por um mercado interno robusto e pela diversificação de parceiros comerciais. A China, que importa 73% das exportações brasileiras de soja e 46% de carne bovina, pode absorver parte do volume afetado pelas tarifas americanas. Além disso, a projeção de uma safra recorde de soja (6,15 bilhões de bushels) em 2025 dá ao Brasil uma vantagem competitiva, especialmente frente a países como Vietnã, que enfrenta tarifas ainda mais altas (46%).
No entanto, a incerteza persiste. A CNI alerta que, sem um acordo comercial ou medidas de apoio bem direcionadas, os prejuízos podem se estender a outros setores, como siderurgia e manufaturas. O governo estuda medidas para proteger os setores mais vulneráveis, mas o tempo é curto diante da pressão econômica e política.Para mais informações, acompanhe as atualizações no portal da CNI: www.cni.org.br.
Este artigo foi elaborado com base em dados de entidades do agronegócio, reportagens recentes e análises econômicas até 25 de agosto de 2025, refletindo o impacto das tarifas de Trump no setor agropecuário brasileiro.















