Ala Governista Tenta a Todo Custo Barrar Convocação de Frei Chico, Irmão de Lula, para a CPMI do INSS

A bancada governista na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS está mobilizada para impedir a convocação de José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), Frei Chico é alvo de pelo menos oito requerimentos de convocação e um de quebra de sigilo apresentados pela oposição, que busca vinculá-lo ao escândalo de descontos irregulares em benefícios previdenciários.
A CPMI, instalada em 17 de junho de 2025, investiga fraudes que podem ter causado um rombo de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024, conforme apontam a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU).Estratégia Governista: Blindar Frei ChicoParlamentares aliados do governo, como o deputado Alencar Santana (PT-SP), argumentam que não há justificativa concreta para convocar Frei Chico, já que ele não é formalmente investigado pela PF ou pela CGU. “O presidente do sindicato, sim, podemos chamar, e aí, se precisar, o vice. Mas não estamos chamando todos os diretores dos sindicatos”, declarou Santana, reforçando que a convocação seria motivada por “mera agitação” política para desgastar Lula. Outro argumento é que Frei Chico não pode ser alvo apenas por seu vínculo familiar com o presidente. “Não é investigação parental”, afirmou o petista, em referência a CPIs anteriores que exploraram laços familiares para atacar adversários políticos, como no caso do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A base governista também planeja contestar a imparcialidade do relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), aliado de Bolsonaro, alegando que suas declarações públicas sugerem um julgamento prévio. Além disso, o governo aposta em sua ligeira maioria na comissão para barrar requerimentos desfavoráveis, embora reconheça falhas na articulação inicial, que resultaram na perda da presidência e da relatoria para a oposição. Após a derrota na instalação da CPMI, em 20 de agosto, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, convocou reuniões emergenciais com líderes da base para reorganizar a estratégia e evitar ausências de aliados em votações cruciais. “Houve um erro de mobilização. Não vai voltar a acontecer”, admitiu Gleisi à imprensa.

Oposição Pressiona por ConvocaçãoA oposição, liderada por parlamentares bolsonaristas, insiste na convocação de Frei Chico, apontando o crescimento expressivo da arrecadação do Sindnapi, que saltou de R$ 17 milhões em 2019 para R$ 90 milhões em 2023, totalizando R$ 259 milhões no período. Um requerimento do senador Izalci Lucas (PL-DF) destaca a necessidade de esclarecer “anomalias administrativas” que teriam beneficiado o sindicato, sugerindo possível favorecimento. O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI, afirmou que todos os requerimentos serão votados, sinalizando que Frei Chico pode ser um dos primeiros convocados. “Queremos entender tudo o que aconteceu desde o começo”, declarou Viana, prometendo também ouvir ex-ministros da Previdência e ex-presidentes do INSS desde o governo Dilma Rousseff.

Além de Frei Chico, a oposição protocolou requerimentos para convocar a coordenadora jurídica do Sindnapi, Tonia Galleti, e o presidente da entidade, Milton Baptista de Souza, além de pedir a quebra de sigilo de empresas ligadas ao esquema, como a Gestora Eficiente LTDA. A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) também solicitou cooperação internacional para investigar offshores nos Estados Unidos ligadas a dirigentes sindicais.

Contra-Ataque do Governo: Foco em BolsonaroPara desviar o foco de Frei Chico, a base governista apresentou requerimentos para convocar o ex-presidente Jair Bolsonaro e ex-integrantes de seu governo, como Onyx Lorenzoni (ex-ministro do Trabalho e Previdência) e José Carlos Oliveira (ex-presidente do INSS). O deputado Rogério Correia (PT-MG) argumenta que as fraudes começaram na gestão Bolsonaro, citando alertas feitos durante a transição de governo em 2022. “A oposição quer usar a CPMI para marketing político, mas vamos mostrar que os descontos fraudulentos já ocorriam antes”, afirmou. O governo também destaca medidas tomadas por Lula, como a interrupção de pagamentos irregulares e a devolução de R$ 1 bilhão a 1,6 milhão de aposentados.

Contexto do EscândaloA CPMI do INSS foi criada após denúncias de descontos indevidos em benefícios previdenciários, envolvendo associações e sindicatos que arrecadavam mensalidades sem autorização. Relatórios da PF e da CGU estimam que o esquema gerou prejuízos bilionários, com entidades como o Sindnapi no centro das investigações. Apesar disso, o Sindnapi nega irregularidades e afirma estar à disposição para esclarecimentos, destacando seus 25 anos de atuação em defesa de aposentados.

Próximos PassosA CPMI inicia oficialmente seus trabalhos na terça-feira (26), com a discussão do plano de trabalho do relator Alfredo Gaspar e a votação dos primeiros requerimentos. Com mais de 800 pedidos protocolados até 23 de agosto, incluindo convocações e quebras de sigilo, a comissão promete ser um palco de embates políticos. O governo, sob a coordenação do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), busca garantir a presença de aliados para conter o avanço da oposição, enquanto parlamentares bolsonaristas planejam manter a pressão sobre Frei Chico e o Sindnapi para desgastar a imagem de Lula às vésperas das eleições de 2026.

Para acompanhar os desdobramentos, acesse o portal do Senado: www.senado.gov.br.


Nota do Autor: Este artigo foi elaborado com base em informações recentes sobre a CPMI do INSS, com destaque para a disputa em torno da convocação de Frei Chico e as estratégias políticas das bancadas governista e oposicionista, conforme reportagens publicadas até 25 de agosto de 2025.

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