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São Paulo – 8 de setembro de 2025
Em um dia marcado pela polarização política, as manifestações do 7 de Setembro, feriado da Independência do Brasil, revelaram uma divisão profunda no país, com os apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) mobilizando multidões significativamente maiores que os atos da esquerda.
O prestigiado jornal norte-americano The New York Times destacou, em reportagem publicada nesta segunda-feira (8), que imagens aéreas dos protestos deixaram “poucas dúvidas” de que os bolsonaristas superaram em número os manifestantes contrários, reforçando a relevância política do ex-mandatário mesmo em meio a seus problemas judiciais.
De acordo com o NYT, milhares de brasileiros foram às ruas em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília para protestos políticos majoritariamente pacíficos.
À direita, apoiadores envoltos em bandeiras brasileiras e americanas protestavam contra o processo criminal movido contra Bolsonaro, acusado de tentar se manter no poder após perder a eleição de 2022. À esquerda, os manifestantes pediam a prisão do ex-presidente e criticavam os esforços do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para protegê-lo. “Na tarde de domingo, imagens aéreas de vários protestos deixaram poucas dúvidas de que os apoiadores de Bolsonaro superavam significativamente em número os manifestantes da esquerda, mostrando que — mesmo em meio a seus problemas legais — ele continua sendo uma força política significativa no Brasil”, escreveu o jornal.
Os atos bolsonaristas, organizados por lideranças como o pastor Silas Malafaia e aliados do PL, concentraram-se na defesa de um projeto de lei que prevê anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, além de pedidos de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Em São Paulo, o principal evento ocorreu na Avenida Paulista, reunindo cerca de 42,2 mil pessoas, segundo estimativas do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).
No Rio de Janeiro, a manifestação na Praia de Copacabana atraiu até 42 mil participantes, com discursos de Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, e do governador Cláudio Castro (PL). Vestidos de verde e amarelo, os manifestantes exibiram faixas com mensagens como “Anistia já” e “Golpe é eleição sem Bolsonaro”, e destacaram a presença de bandeiras dos EUA, em uma aparente exaltação ao apoio de Trump.
O New York Times também notou a presença marcante de símbolos americanos nos atos, descrevendo uma “abundância” de bandeiras dos EUA e chamadas para intervenção do governo Trump contra o que chamam de “perseguição política” no Brasil.
O jornal questionou, no entanto, se essa mobilização altera o curso do julgamento de Bolsonaro, previsto para esta semana no STF. A expectativa é de condenação por tentativa de golpe de Estado, com pena que pode ultrapassar 40 anos de prisão. “Com a condenação de Bolsonaro vista como inevitável tanto pela direita quanto pela esquerda, os protestos de domingo se concentraram em grande parte na questão da anistia”, observou a publicação, destacando a sensibilidade do tema no Brasil, marcado pela ditadura militar de 1964 a 1985, quando anistias foram concedidas a militares por crimes como torturas e desaparecimentos.
Do lado da esquerda, os atos foram menores e focados na defesa da soberania nacional, em reação às tarifas de até 50% impostas por Trump sobre exportações brasileiras, vistas como retaliação à perseguição judicial contra Bolsonaro. Em São Paulo, a manifestação na Praça da República reuniu cerca de 8,8 mil pessoas, com a presença do ministro do Trabalho, Luiz Marinho (PT), e deputados como Guilherme Boulos (PSOL) e Érika Hilton (PSOL).
No Rio, um ato no centro da cidade atraiu entre 3 e 4 mil militantes, que reforçaram o pedido de prisão de Bolsonaro e resistência à anistia. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que não participou diretamente, tem adotado um discurso de não aceitação de “ordens externas”, prometendo que o Brasil não se curvará a pressões internacionais.A imprensa internacional, além do NYT, também repercutiu os eventos. O britânico The Guardian descreveu os bolsonaristas como suplicando por intervenção de Trump, enquanto o espanhol El País falou em “dois Brasis medindo forças” nas ruas.
O NYT concluiu que, apesar da superioridade numérica da direita, os esforços de Trump para influenciar o caso tiveram “pouco sucesso” até agora, fortalecendo o apoio a Lula e ao STF.
Esses protestos ocorrem em um momento crítico: Bolsonaro está em prisão domiciliar desde agosto, após violar ordem judicial que o proibia de usar redes sociais, e o julgamento no STF pode definir o futuro político do país. Analistas veem os atos como um teste de temperatura para o Congresso, dominado por conservadores, que discute a anistia. Enquanto isso, o Brasil segue dividido, com a democracia em xeque em meio a tensões diplomáticas com os EUA.Esta reportagem baseia-se em fontes jornalísticas confiáveis e estimativas independentes.
O New York Times não endossa posições políticas, mas relata fatos observados.















