Foto: Reprodução/Instagram @javiermilei
Buenos Aires, 22 de julho de 2025 – A economia da Argentina alcançou um crescimento de 5% no primeiro semestre de 2025, marcando uma recuperação significativa após dois anos de recessão, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC) e projeções de instituições como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI).
O desempenho, impulsionado por setores como agricultura, mineração, energia e construção, reflete os impactos das reformas econômicas implementadas pelo governo do presidente Javier Milei, que assumiu o cargo em dezembro de 2023.Recuperação Após a CriseApós uma contração de 1,7% em 2024, a economia argentina começou a mostrar sinais de retomada no segundo semestre do ano passado, com crescimento de 3,9% no último trimestre, segundo o INDEC. Em 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) registrou alta de 5,8% no primeiro trimestre e 7,6% no segundo, com destaque para o setor de comércio, que cresceu 7,2%, e a construção, que avançou 22,7% devido ao aumento de investimentos privados, conforme reportado pelo Rio Times.
A agricultura também teve papel crucial, com um crescimento impressionante de 80,2% em 2024, recuperando-se de uma severa seca, e mantendo desempenho robusto em 2025 devido a condições climáticas favoráveis.As reformas de Milei, conhecidas como “terapia de choque”, incluíram cortes drásticos nos gastos públicos, desregulamentação do mercado de trabalho, privatização de empresas estatais e o fim da emissão monetária pelo Banco Central da Argentina (BCRA). Essas medidas resultaram em um superávit fiscal primário de 1,6% do PIB em 2025, acima da meta de 1,3% acordada com o FMI, e em uma redução significativa da inflação, que caiu de 211% em 2023 para uma projeção de 28,6% no final de 2025, segundo o Banco Central argentino.
Fatores do CrescimentoO crescimento econômico foi impulsionado por vários fatores:
- Investimentos Privados: A introdução do Regime de Incentivo a Grandes Investimentos (RIGI) em julho de 2024 atraiu US$ 2,5 bilhões da Rio Tinto para mineração de lítio e US$ 3 bilhões para um novo oleoduto, conforme destacou o Atlantic Council. A confiança dos investidores foi reforçada pela estabilização do peso argentino, com a taxa de câmbio projetada para fechar 2025 em 1.400 pesos por dólar.
- Exportações e Superávit Comercial: Em maio de 2025, a Argentina registrou um superávit comercial de US$ 608 milhões, com exportações de US$ 7,1 bilhões, lideradas por produtos agrícolas e industriais, segundo o Rio Times. O fortalecimento das exportações para o Brasil e a União Europeia foi um dos pilares do crescimento.
- Desinflação e Consumo: A inflação mensal caiu para 1,5% em maio de 2025, permitindo uma recuperação dos salários reais e um aumento de 7,2% no consumo privado, conforme dados do Reuters. A flexibilização do controle cambial e a redução do hiato entre as cotações oficial e paralela do dólar também contribuíram para a estabilidade econômica.
Desafios PersistemApesar do crescimento, a recuperação argentina enfrenta desafios significativos. A pobreza atingiu 57,4% da população em janeiro de 2025, a maior taxa em 20 anos, com 60% das crianças vivendo abaixo da linha da pobreza, segundo a Universidade Católica da Argentina (NPR). As medidas de austeridade de Milei, como a redução de subsídios para gás e eletricidade e a reforma das pensões, geraram protestos de trabalhadores e aposentados, especialmente em áreas urbanas onde o custo de vida permanece elevado.Além disso, a dependência de setores como agricultura e mineração torna a economia vulnerável a choques externos, como a previsão de chuvas abaixo da média devido ao fenômeno La Niña, conforme alertou o Deloitte Insights.
A incerteza global, incluindo tensões comerciais e barreiras tarifárias, também pode impactar o crescimento, com projeções da OCDE indicando um cenário de desaceleração global em 2025.Perspectivas para o FuturoO governo de Milei planeja manter a disciplina fiscal e avançar na flexibilização do mercado cambial, com a remoção gradual de controles de capital prevista para após as eleições legislativas de outubro de 2025. O FMI, que aprovou um programa de US$ 20 bilhões em abril, e o Banco Mundial, com um desembolso de US$ 1,5 bilhão, reforçam o apoio às reformas, mas alertam para a necessidade de manter a responsabilidade fiscal em um ano eleitoral.Analistas preveem que a economia argentina crescerá entre 4,5% e 5,8% em 2025, com a Reuters apontando uma média de 5,9% em maio. Para 2026, o Banco Mundial projeta um crescimento de 4,7%, sustentado por investimentos em energia e mineração. No entanto, o sucesso da recuperação dependerá da capacidade do governo de equilibrar crescimento econômico com redução da pobreza e de manter a confiança dos investidores em meio a um cenário global volátil.“Estamos no caminho certo, mas a recuperação precisa chegar aos mais pobres”, afirmou o economista Aldo Abram, da Fundación Libertad y Progreso, ao Reuters. Enquanto isso, Milei aposta na continuidade de sua agenda liberal para consolidar o crescimento e recuperar a confiança da população antes das eleições.
Fontes:
- INDEC Argentina
- Reuters
- Rio Times
- World Bank
- BBVA Research
- Atlantic Council
- NPR
- Deloitte Insights















