Argentina se Junta a Equador e Paraguai e Declara o “Cartel dos Sóis” de Nicolás Maduro como Organização Terrorista

Buenos Aires, 26 de agosto de 2025
O governo argentino, liderado pelo presidente Javier Milei, anunciou nesta terça-feira a inclusão do “Cartel dos Sóis”, rede criminosa vinculada ao regime de Nicolás Maduro na Venezuela, no Registro Público de Pessoas e Entidades Vinculadas a Atos de Terrorismo e seu Financiamento (RePET), classificando-o oficialmente como uma organização terrorista.
Com essa decisão, a Argentina se une a Equador e Paraguai, que também adotaram medidas similares em agosto, intensificando a pressão regional contra o narcotráfico e o crime organizado transnacional.Uma Frente Regional Contra o Crime OrganizadoA resolução argentina, coordenada pelos Ministérios das Relações Exteriores, Segurança e Justiça, e implementada pela Unidade de Informação Financeira (UIF), visa bloquear as operações financeiras do Cartel dos Sóis no país, congelar seus ativos e prevenir a lavagem de dinheiro. A ministra da Segurança, Patricia Bullrich, destacou a importância da medida em suas redes sociais: “Maduro e seus comparsas são narcoterroristas.
Não permitiremos que realizem suas atividades criminosas na Argentina ou em qualquer outro lugar. Neste governo, quem faz, paga.”A decisão alinha a Argentina com ações recentes de outros países da região. No Equador, o presidente Daniel Noboa declarou o cartel uma “organização terrorista do crime organizado” em 14 de agosto, por meio de um decreto executivo, apontando sua ameaça à soberania nacional.
No Paraguai, o presidente Santiago Peña, em 22 de agosto, classificou o grupo como uma “organização terrorista internacional” pelo Decreto 4465, reforçando o combate ao narcotráfico e à lavagem de ativos. Essas medidas seguem a liderança dos Estados Unidos, que, em 25 de julho, designaram o cartel como uma “organização terrorista global especialmente designada” (SDGT), oferecendo uma recompensa de 50 milhões de dólares por informações sobre Nicolás Maduro.O Cartel dos Sóis: Uma Ameaça TransnacionalO Cartel dos Sóis é uma rede criminosa composta por altos oficiais militares e autoridades do regime chavista na Venezuela.
Seu nome deriva das insígnias solares nos uniformes dos generais venezuelanos. Segundo relatórios de inteligência, liderados pelos EUA, o grupo está envolvido em atividades como narcotráfico (especialmente cocaína, transportada da Colômbia para os EUA e Europa), contrabando de combustível, mineração ilegal (de ouro e coltan), lavagem de dinheiro e tráfico de armas. O cartel mantém laços com grupos como as dissidências das FARC, o ELN, o Cartel de Sinaloa e o Tren de Aragua, outra organização criminosa venezuelana.O Departamento do Tesouro dos EUA acusa diretamente Nicolás Maduro, Diosdado Cabello e o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, de liderarem a rede. Estima-se que o grupo tenha facilitado o envio de toneladas de cocaína, muitas vezes misturada com fentanil, agravando a crise de opioides na América do Norte. Em 2025, os EUA apreenderam 30 toneladas de cocaína e mais de 700 milhões de dólares em ativos ligados ao cartel. O regime de Maduro, por sua vez, nega a existência da organização, classificando as acusações como uma “campanha imperialista” para desestabilizar a Venezuela.Contexto e Apoio InternacionalA decisão da Argentina é apoiada pelo Grupo Liberdade e Democracia, que reúne ex-presidentes como Mauricio Macri (Argentina) e Iván Duque (Colômbia). Em 25 de agosto, o grupo emitiu uma declaração endossando as designações do Cartel dos Sóis como terrorista por parte dos EUA, Equador e Paraguai, alertando para seus laços com grupos como ELN, FARC e Hezbollah, que representam ameaças à democracia no hemisfério.Enquanto isso, países como a Colômbia, sob o governo de Gustavo Petro, têm minimizado a existência do cartel, gerando tensões regionais. A ação coordenada de Argentina, Equador e Paraguai fortalece uma frente hemisférica contra o narcoterrorismo, em alinhamento com os esforços dos EUA para isolar o regime de Maduro.Implicações da DeclaraçãoA inclusão do Cartel dos Sóis no RePET argentino tem impactos significativos:
  1. Congelamento de ativos:
  2. Bens e fundos ligados ao cartel na Argentina serão bloqueados, dificultando suas operações financeiras no país.
  3. Cooperação internacional: A medida reforça a colaboração com aliados como os EUA, Equador e Paraguai, facilitando o compartilhamento de inteligência e ações conjuntas.
  4. Isolamento do regime de Maduro: A designação intensifica a pressão diplomática e econômica sobre o governo venezuelano, em um momento de crescente isolamento regional.
  5. Prevenção financeira: A Argentina fortalece seu sistema de combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo, alinhando-se aos padrões internacionais.

Apesar disso, especialistas como Jeremy McDermott, do Insight Crime, observam que o Cartel dos Sóis não é um cartel tradicional, mas uma rede de corrupção profundamente enraizada no Estado venezuelano.

Isso torna seu desmantelamento um desafio, que exige mudanças políticas significativas na Venezuela.Reações e PerspectivasA medida argentina foi bem recebida por setores que enxergam o Cartel dos Sóis como uma ameaça à segurança regional. Na plataforma X, meios de comunicação como Infobae e usuários destacados elogiaram a decisão, destacando seu papel na luta contra o narcoterrorismo. Por outro lado, o regime de Maduro classificou a ação como parte de uma “campanha de difamação” orquestrada pelos EUA e seus aliados.A união de Argentina, Equador e Paraguai na designação do Cartel dos Sóis como organização terrorista marca um ponto de inflexão na luta contra o crime organizado na América Latina. A iniciativa reforça a liderança do governo Milei em uma agenda de segurança que prioriza a cooperação internacional e o combate às redes criminosas transnacionais, enviando um recado claro: o narcoterrorismo não terá espaço na região.

Fontes: Ministério da Segurança da Argentina, Departamento do Tesouro dos EUA, Insight Crime, postagens de Patricia Bullrich no X e mídia regional.

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