Assustados com taxa de Trump, empresários querem Lula fora de articulação e sugerem mediadores

A reação de empresários brasileiros à tarifa de 50% anunciada por Donald Trump sobre produtos brasileiros, com vigência a partir de 1º de agosto de 2025, reflete preocupação com os impactos econômicos e um desejo de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não lidere diretamente as negociações com os Estados Unidos. Segundo reportagens, como as publicadas por O Tempo e Folha de S.Paulo em 13 de julho de 2025, setores empresariais temem que a abordagem de Lula, marcada por um discurso de soberania e possível retaliação com base na Lei da Reciprocidade Econômica, possa escalar a polarização política e agravar a crise comercial.

Posição dos Empresários

  • Preocupação com Politização: Empresários, como João Camargo (Esfera Brasil) e Rogelio Golfarb (ex-Anfavea), sugerem que Lula se isole do setor privado, ao contrário de seus mandatos anteriores (2003-2010), e temem que a politização do conflito, especialmente associando as tarifas a Jair Bolsonaro, prejudique negociações diplomáticas. Eles defendem um “jogo de xadrez” diplomático, com mediadores como o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que teria mais condições de dialogar com os EUA.
  • Setores Afetados: A tarifa ameaça exportações de pescados (70% das exportações brasileiras vão para os EUA), café (20-30% do mercado americano), suco de laranja (50% do consumo dos EUA), mel, aço (4,1 milhões de toneladas exportadas em 2024) e têxteis de alto valor. Cancelamentos de pedidos já ocorrem, como 58 contêineres de pescado parados em portos.
  • Consenso Diplomático: Entidades como CNA, Ciesp e Abinee apoiam diálogo com o governo Lula para proteger interesses econômicos, mas preferem que o setor privado lidere articulações, evitando confrontos diretos com Trump, que se recusa a negociar diretamente com Lula no momento.

Contexto das TarifasTrump justificou a tarifa de 50% alegando desequilíbrios comerciais e “práticas desleais”, como suposto transshipment de produtos chineses via Brasil, além de questões políticas, como o julgamento de Bolsonaro no STF. Dados mostram, porém, que os EUA têm superávit comercial com o Brasil (US$ 410 bilhões nos últimos 15 anos), contrariando a narrativa de Trump. A menção a Bolsonaro, acusado de liderar uma tentativa de golpe em 2023, adiciona um componente político, com o ex-presidente e aliados, como Eduardo Bolsonaro, celebrando a medida como pressão contra o STF.

Impactos Econômicos e JurosAs tarifas agravam o cenário econômico brasileiro, com o dólar subindo 2,3% após o anúncio (de R$ 5,40 para R$ 5,62), pressionando a inflação, que já está acima do teto da meta (4,5%). O Banco Central, sob Gabriel Galípolo, pode postergar cortes na Selic (atualmente em 12,25-12,5% no terceiro mandato de Lula, a segunda maior média do século XXI), que já é elevada devido a políticas fiscais expansionistas e incertezas globais. A média histórica da Selic nos governos Lula (18,7% em 2003-2006, 11,1-11,8% em 2007-2010) reflete desafios econômicos semelhantes, e a crise atual pode limitar o crescimento, especialmente se as exportações, que representam 12% do PIB, forem afetadas.

Estratégias do Governo Lula

  • Resposta de Lula: Lula criticou Trump, chamando a tarifa de “afronta” e prometendo negociar via Itamaraty, OMC e Brics, além de criar um comitê com empresários. Ele ameaça retaliar com tarifas de 50% sobre produtos americanos (como medicamentos e máquinas), mas analistas alertam que isso pode aumentar a inflação e desestabilizar a economia.
  • Alternativas: O governo avalia diversificar parceiros comerciais, como o Mercosul-UE (em negociação há duas décadas) e o Canadá, além de explorar retaliações cruzadas em serviços e propriedade intelectual, como na disputa do algodão com os EUA.
  • Discurso Político: Lula associa as tarifas a Bolsonaro, chamando-o de “pai do tarifaço” e acusando-o de articular com Trump via Eduardo Bolsonaro, que estaria nos EUA pedindo sanções contra o STF. Esse discurso visa capitalizar politicamente, reforçando a narrativa de soberania, mas pode afastar o empresariado, que busca pragmatismo.

Sentimento Empresarial e OpçõesEmpresários temem que a retórica de Lula, como chamar Trump de “mal informado” e rejeitar sua carta como “ofensiva”, feche portas para negociações. Eles sugerem mediadores como Alckmin ou até Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo e aliado de Bolsonaro, que busca se posicionar como negociador. A percepção é que uma escalada na guerra comercial seria mais prejudicial ao Brasil, especialmente para setores dependentes dos EUA. Alguns, como Fábio Barbosa (Natura) e Ricardo Lacerda (BR Partners), defendem cautela e diálogo para evitar perdas maiores.

ConclusãoEmpresários brasileiros, assustados com as tarifas de 50% de Trump, preferem que Lula delegue as negociações a mediadores como Alckmin para evitar politização e uma guerra comercial que eleve a inflação e mantenha a Selic alta (já em 12,25-12,5%, a segunda maior do século nos governos Lula). Cancelamentos de pedidos, especialmente em pescados, café e mel, já impactam a economia, e a acusação de reexportação de produtos chineses complica o cenário. O governo Lula busca diversificar mercados e negociar via OMC, mas a tensão política com Bolsonaro e Trump pode limitar soluções diplomáticas.

 

Para mais detalhes, consulte O Tempo (13/07/2025), Folha de S.Paulo (13/07/2025) ou BBC News Brasil

Mostrar mais artigos relacionados
Mostrar mais em Economia
.