José Cruz/Agência Brasil
São Paulo – 8 de setembro de 2025
Uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira (8) pela AtlasIntel expõe um cenário desafiador para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no maior colégio eleitoral do país: em São Paulo, a rejeição ao seu governo chegou a 56%, enquanto a aprovação fica em 42%, com 2% de indecisos.
O levantamento, realizado entre 29 de agosto e 3 de setembro com 2.059 eleitores paulistas por meio de recrutamento digital aleatório (Atlas RDR), tem margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou menos, e reflete um saldo negativo de 14 pontos para o petista no estado. Em contrapartida, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) mantém aprovação de 53%, contra 43% de desaprovação, destacando a força da direita paulista em um momento de polarização acentuada.
Os dados da AtlasIntel chegam em um dia simbólico, logo após as manifestações do 7 de Setembro, que reuniram milhares nas ruas de São Paulo em atos pró e contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na Avenida Paulista, apoiadores bolsonaristas pediram anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 e criticaram o STF, com presença de bandeiras americanas em alusão ao apoio de Donald Trump.
Já na Praça da República, militantes de esquerda, incluindo figuras como Guilherme Boulos (PSOL) e Érika Hilton (PSOL), defenderam a prisão de Bolsonaro e a soberania nacional contra interferências externas.
Estimativas do Cebrap indicam 42 mil participantes no ato da direita e apenas 8,8 mil na esquerda, reforçando a percepção de domínio conservador no estado, o que pode explicar parte da rejeição a Lula.A pesquisa segmenta a opinião por perfis demográficos, revelando que a desaprovação ao presidente é mais alta entre homens (62%), eleitores com ensino médio completo (58%) e moradores das regiões metropolitanas (57%).
Evangélicos, que representam cerca de 30% do eleitorado paulista, mostram rejeição de 65%, influenciados por discursos de líderes como Silas Malafaia, que discursou na Paulista criticando o que chamou de “perseguição religiosa” pelo STF. Já entre mulheres e jovens de 16 a 24 anos, a aprovação sobe para 48%, impulsionada por políticas sociais como o Bolsa Família ampliado, que beneficiou 14 milhões de brasileiros na saída da pobreza nos últimos dois anos, conforme dados recentes do IBGE.
Analistas políticos atribuem o aumento da rejeição a fatores como a inflação persistente (acima de 5% ao ano, puxada por alimentos), o escândalo do INSS revelado em maio – que elevou a percepção de corrupção para 59,5% dos brasileiros, segundo a própria AtlasIntel – e as tensões diplomáticas com os EUA, incluindo tarifas de até 50% sobre exportações brasileiras impostas por Trump como retaliação à perseguição judicial contra Bolsonaro. “São Paulo, como motor econômico do país, sente mais o impacto da instabilidade fiscal e da polarização.
Lula perde terreno aqui porque o eleitorado prioriza segurança e economia, áreas onde o governo é visto como fraco”, comentou o cientista político da USP, André Singer, em entrevista exclusiva.Do lado do governo, o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, minimizou os números, afirmando que “pesquisas pontuais não refletem o avanço social do país, como a redução da pobreza extrema em 20% desde 2023”.
Lula, em discurso no feriado, reforçou a defesa da democracia e prometeu “não se curvar a pressões externas”, citando o julgamento de Bolsonaro no STF, previsto para esta semana, que pode resultar em condenação por tentativa de golpe. Críticos, como o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), usaram as redes para atacar: “56% de rejeição em SP mostra que o povo rejeita o caos petista. Tarcísio prova que o caminho certo é o da direita”.
O contraste com Tarcísio é notável: 47,1% dos paulistas classificam sua gestão como “ótima ou boa”, com destaque para investimentos em infraestrutura, como a expansão do metrô e redução de homicídios em 15% no estado. Isso fortalece o governador como potencial candidato à Presidência em 2026, em cenários simulados pela AtlasIntel onde ele empata tecnicamente com Lula no segundo turno (49% x 47%).
Em Minas Gerais, por exemplo, uma pesquisa recente da mesma instituto dá 42,6% a Lula contra 32% a Tarcísio no primeiro turno, mas o paulista ganha força no Sudeste.Especialistas alertam que esses números sinalizam um alerta para o PT nas eleições municipais de 2026 e na disputa presidencial subsequente. “Com rejeição acima de 50% em SP, Lula precisa reconquistar o centro-direita e combater a narrativa de corrupção”, analisou Marcelo Neri, da FGV.
Enquanto isso, a direita, liderada por Tarcísio, capitaliza o descontentamento, com aprovação estável apesar das manifestações.
O Brasil segue dividido, e São Paulo, epicentro político, reflete essa tensão em números frios.
Esta reportagem baseia-se em dados da pesquisa AtlasIntel e fontes jornalísticas confiáveis. Para o relatório completo, acesse o site do instituto.















