Banco Central, Sob Gabriel Galípolo, Aumenta Taxa Selic para 14,75% em Maio de 2025, Maior Nível Desde 2006

Brasília, 5 de maio de 2025 – O Banco Central do Brasil, sob a presidência de Gabriel Galípolo, deve elevar a taxa Selic para 14,75% ao ano na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) marcada para 6 e 7 de maio, conforme projeções de mercado publicadas pelo jornal O Globo. Este será o sexto aumento consecutivo desde setembro de 2024, consolidando o ciclo de aperto monetário mais intenso desde 2006, quando a Selic atingiu 15,25%. O ajuste, que reflete preocupações com a inflação persistente e a desvalorização do real, eleva a taxa ao maior patamar em quase duas décadas, superando os 14,25% de outubro de 2016.

Contexto do Aumento A decisão do Copom, iniciada em setembro de 2024 com uma alta de 0,25 ponto percentual, ganhou força com aumentos de 1 ponto percentual em dezembro de 2024, janeiro e março de 2025, levando a Selic de 10,75% para 14,25%. A previsão para maio é de um incremento de 0,5 ponto percentual, conforme sinalizado pelo Banco Central em março, que indicou uma alta “em menor magnitude” para a próxima reunião. A trajetória reflete a necessidade de conter a inflação, projetada em 5,2% para 2025, acima da meta de 3% com tolerância de ±1,5%.

Fatores como a alta do dólar, que ultrapassou R$ 6,30 em 2024, incertezas fiscais do governo Lula e pressões inflacionárias globais, incluindo aumentos nos preços de alimentos e energia, justificam o aperto monetário. O Copom destacou em comunicados que a economia brasileira segue aquecida, com demanda resiliente e inflação de serviços persistente, apesar de sinais de moderação no crescimento. A desancoragem das expectativas inflacionárias, com o IPCA acumulado em 4,56% nos últimos 12 meses, também pesa na decisão.

Gabriel Galípolo e a Nova Gestão Indicado por Lula e empossado em janeiro de 2025, Galípolo enfrenta pressões tanto do mercado quanto do PT, que criticou os juros altos durante a gestão de Roberto Campos Neto. Em evento no Rio de Janeiro em fevereiro, o presidente do BC defendeu uma Selic “historicamente elevada” como necessária para ancorar a inflação, mesmo reconhecendo o “desconforto” para empresas e famílias. Sua postura hawkish, reforçada em comunicados do Copom, busca manter a credibilidade do Banco Central em meio a um cenário fiscal desafiador, marcado por um pacote de cortes de R$ 70 bilhões mal recebido pelo mercado em 2024.

Analistas, como Daniel Xavier do ABC Brasil, preveem que a Selic pode atingir 15% até o final de 2025, com alguns, como Marcos Moreira da WMS Capital, projetando picos de 15,5% se as expectativas inflacionárias não forem controladas. A XP Asset e a Novus Capital alertam que a convergência da inflação à meta depende de melhorias na política fiscal, que segue gerando incertezas.

Impactos e Críticas A Selic em 14,75% eleva o custo de empréstimos e financiamentos, impactando o consumo e o investimento, com o Banco Mundial estimando que cada 1% de alta na taxa pode reduzir o crescimento do PIB em 0,2%. Para investidores, porém, o cenário favorece aplicações em renda fixa, como o Tesouro Selic e CDBs, com retornos líquidos próximos de 28% em dois anos.

No campo político, a alta dos juros reacende tensões com o PT. A presidente do partido, Gleisi Hoffmann, criticou a política monetária em dezembro de 2024, enquanto posts no X refletem o descontentamento, com usuários como

@caue_ce

acusando o governo de “estagnar a economia” e

@R38TAO

destacando contradições com promessas de campanha de Lula para reduzir juros. A oposição, por sua vez, ironiza a situação, como no post de

@LeoKasura

, que sugere que o PT culpará o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Perspectivas O Copom indicou que, após maio, a magnitude do ciclo de aperto dependerá da evolução da inflação e da política fiscal. Economistas esperam que cortes de juros só ocorram em 2026, com a Selic projetada para fechar 2025 entre 14% e 15%. A condução de Galípolo será crucial para equilibrar o controle inflacionário com as pressões políticas, especialmente em um ano pré-eleitoral.

Fontes:
  • O Globo, 5 de maio de 2025
  • Reuters, 29 de janeiro e 14 de março de 2025

  • Agência Brasil, 20 de março de 2025

  • Valor International, 23 de dezembro de 2024

  • Poder360, 12 de fevereiro de 2025

  • Posts no X, 29 de janeiro a 5 de maio de 2025
Nota: As projeções de mercado podem mudar com novos dados econômicos. A decisão oficial do Copom será anunciada após a reunião de 7 de maio de 2025.

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