A estagnação é atribuída a uma combinação de fatores: alta carga tributária, complexidade regulatória, gastos públicos elevados e baixa qualidade educacional, que limitam a produtividade e a inovação. “O Brasil está preso em uma cascata de problemas que reduzem o investimento e o crescimento de longo prazo”, afirmou Felipe Camargo, economista da Oxford Economics. A dívida pública, que subiu de 73,8% para 76,5% do PIB em 2024, também gera preocupações, com projeções indicando um aumento contínuo do endividamento.
Afastamento de InvestidoresO cenário fiscal deteriorado e a incerteza política têm afastado investidores estrangeiros. Em setembro e outubro de 2024, o mercado acionário brasileiro registrou saídas de capital devido à perspectiva de um ciclo de aperto monetário menos agressivo nos EUA e à deterioração fiscal do Brasil, conforme apontado por analistas da XP e da Ashmore. A valorização do dólar e a possibilidade de políticas protecionistas nos EUA, especialmente sob um governo republicano, intensificaram a fuga de capitais do Ibovespa, que teve volume financeiro reduzido, atingindo R$ 12,7 bilhões em uma sessão recente.
Além disso, a imposição de tarifas de 25% sobre exportações brasileiras de aço e alumínio pelos EUA, conforme relatado pela Coface, reduziu a competitividade de setores industriais, afastando ainda mais o capital estrangeiro. A saída de investidores também foi impulsionada por estímulos econômicos na China, que atraíram recursos previamente alocados no Brasil, segundo Malcolm Dorson, da Global X. Apesar disso, Dorson sugere que uma estabilização da taxa de juros e do câmbio pode trazer investidores de volta em meados de 2026, quando as discussões eleitorais ganharem força.
Impactos e CríticasA queda no ranking do FMI gerou forte repercussão nas redes sociais. Usuários no X expressaram indignação, atribuindo o desempenho à má gestão econômica e aos gastos descontrolados do governo. “Brasil despenca para o 87º lugar no ranking do FMI e se aproxima perigosamente da metade mais pobre do planeta”, postou
, criticando a atual administração. Outros, como
, destacaram escolhas econômicas erradas como fator central para a crise.Especialistas reforçam a necessidade de reformas estruturais para reverter o quadro. A aprovação da reforma tributária em 2023, que simplifica o código tributário com a criação de dois impostos sobre valor agregado (IVA), é vista como um passo positivo, mas sua implementação, prevista para começar em 2026, ainda depende de legislação complementar. A redução de gastos ineficientes, como subsídios mal direcionados, e o fortalecimento da administração fiscal são considerados cruciais para abrir espaço para investimentos prioritários.
PerspectivasApesar do cenário desafiador, o FMI projeta um crescimento moderado de 2,3% para o Brasil em 2025, após 3,4% em 2024, com a inflação atingindo 5,2% até o final do ano e convergindo para 3% até 2027. A produção de hidrocarbonetos e a implementação do Plano de Transformação Ecológica são apontados como fatores que podem impulsionar o crescimento no médio prazo, mas os riscos permanecem inclinados para o lado negativo devido à incerteza global e à fragilidade fiscal.
Para reverter a fuga de investidores, analistas sugerem que o Brasil precisa reforçar a confiança com políticas fiscais sólidas e um ambiente regulatório estável. “A sustentabilidade fiscal é essencial para o desenvolvimento econômico, mas não é suficiente sozinha. É preciso criar uma narrativa de crescimento para atrair investidores de longo prazo”, afirmou um economista citado pelo Valor Econômico. Sem essas medidas, o Brasil corre o risco de continuar perdendo posições no cenário global, afastando ainda mais o capital estrangeiro.
Fontes:
- Valor Econômico
- O Estadão
- Coface
- Posts no X















