Brasil pode perder 1,9 milhão de empregos e PIB cairá 2,2% se país retaliar Trump

A alegação de que o Brasil pode perder 1,9 milhão de empregos e ter uma queda de 2,2% no PIB caso retalie as tarifas de 50% impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, vem de um levantamento da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), citado em uma postagem no X do jornal O Tempo em 21 de julho de 2025.
O estudo avalia o impacto econômico de uma possível retaliação brasileira, como a imposição de tarifas de 50% sobre produtos americanos, em resposta às medidas anunciadas por Trump em 9 de julho de 2025, que entram em vigor em 1º de agosto de 2025. A seguir, analiso os detalhes e o contexto com base nas informações disponíveis.Contexto das Tarifas e Retaliação
  • Tarifas de Trump: Em 9 de julho de 2025, Trump anunciou tarifas de 50% sobre todas as importações brasileiras, justificando a medida como retaliação à perseguição judicial do ex-presidente Jair Bolsonaro e à suposta “censura” do Supremo Tribunal Federal (STF) a plataformas americanas, como Truth Social e Rumble. Ele também alegou, incorretamente, um déficit comercial com o Brasil, apesar de os EUA terem um superávit de US$ 7,4 bilhões em 2024.
  • Resposta do Brasil: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil responderá com reciprocidade, utilizando a Lei da Reciprocidade Econômica, que permite impor tarifas equivalentes, suspender acordos comerciais ou, em casos extremos, direitos de propriedade intelectual. Lula rejeitou a interferência externa, enfatizando a soberania brasileira.
  • Ameaça de Escalada: Trump alertou que, caso o Brasil retalie, os EUA podem aumentar ainda mais as tarifas, adicionando o percentual das tarifas brasileiras às já impostas 50%. Isso poderia intensificar o conflito comercial, potencializando os impactos econômicos.

Impactos Econômicos EstimadosO estudo da Fiemg, citado por O Tempo, projeta que, se o Brasil retaliar com tarifas de 50% sobre bens americanos, o impacto econômico seria severo:

  • Perda de Empregos: A retaliação poderia levar à perda de 1,9 milhão de empregos no Brasil, com 262 mil apenas em Minas Gerais, devido à redução nas exportações para os EUA, que representam 12% das exportações brasileiras (cerca de 2% do PIB). Setores como café, suco de laranja, carne, aço, soja e etanol, que dependem fortemente do mercado americano, seriam os mais afetados.
  • Queda do PIB: A projeção de uma queda de 2,2% no PIB em 2025 reflete o impacto da redução das exportações e do aumento dos custos para indústrias brasileiras dependentes do comércio bilateral. Goldman Sachs estima que as tarifas americanas, mesmo sem retaliação, podem reduzir o crescimento do PIB brasileiro em 0,3 a 0,4 pontos percentuais. Uma guerra comercial com retaliação amplificaria esse efeito.
  • Inflação e Câmbio: Um cenário de “no deal” (sem acordo diplomático) poderia elevar a inflação para 4,4% a 4,9% em 2026, superando o teto da meta do Banco Central (4,5%). A desvalorização do real, que caiu mais de 2% após o anúncio das tarifas, já atingiu R$ 6,19 por dólar no final de 2024, e pode piorar, encarecendo importações e pressionando preços.

Avaliação do Impacto

  • Dependência do Mercado Americano: Embora os EUA sejam o segundo maior destino das exportações brasileiras (atrás da China, que absorve cerca de 30%), a dependência é menor que a de outros países, como o México (80% das exportações para os EUA). Isso reduz a vulnerabilidade brasileira, mas setores como café (33% do consumo americano vem do Brasil), suco de laranja (50% do mercado dos EUA) e aço seriam duramente atingidos.
  • Impacto nos EUA: As tarifas também afetariam os EUA, aumentando preços de produtos como café e suco de laranja, que têm forte presença brasileira no mercado americano. Isso poderia gerar pressão interna contra as tarifas, especialmente em setores agrícolas e de consumo.
  • Alternativas: Analistas sugerem que o Brasil pode redirecionar exportações para a China, que já é o maior parceiro comercial. No entanto, a substituição total do mercado americano é improvável no curto prazo, devido a diferenças em demandas e logística.

Contexto Político e Econômico

  • Polarização Interna: A crise comercial é explorada politicamente no Brasil. Apoiadores de Bolsonaro, como seu filho Eduardo, que vive nos EUA desde fevereiro de 2025, celebraram as tarifas como um “sucesso” de seu lobby junto à administração Trump. Por outro lado, Lula ganhou apoio ao defender a soberania nacional, com pesquisas indicando um aumento de 2 pontos em sua aprovação (47% em julho de 2025).
  • Resiliência Econômica: Apesar das tarifas, o PIB brasileiro deve crescer 2,2% em 2025, segundo projeções de 38 analistas consultados pela Reuters (14-21 de julho de 2025), apoiado por um mercado de trabalho resiliente (desemprego em 6,2% no final de 2024) e consumo doméstico. Sem retaliação, o impacto das tarifas seria menor, mas a decisão de retaliar pode agravar as perdas.
  • Limitações Fiscais: O Brasil enfrenta desafios fiscais, com um déficit primário de 0,3% do PIB em 2024 e uma dívida pública elevada. A falta de espaço fiscal para aumentar gastos sociais, como o Bolsa Família, pode limitar medidas para mitigar o impacto nos empregos.

ConclusãoO levantamento da Fiemg indica que uma retaliação brasileira às tarifas de 50% de Trump poderia resultar na perda de 1,9 milhão de empregos e uma queda de 2,2% no PIB, com impactos significativos em setores exportadores e em estados como Minas Gerais. Esses números refletem um cenário de guerra comercial, mas não são unânimes, já que outras análises, como a da Goldman Sachs, preveem um impacto menor (0,3-0,4% do PIB) sem retaliação. O Brasil tem opções limitadas para evitar a escalada, mas redirecionar exportações para a China e negociar acordos podem mitigar os danos. A crise, intensificada pela disputa política envolvendo Bolsonaro, aumenta a incerteza, mas a economia brasileira mostra resiliência, com crescimento projetado de 2,2% em 2025. Recomendo acompanhar comunicados oficiais do Itamaraty ou do Ministério da Economia para atualizações sobre a resposta brasileira.

Grok/X

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