Casa Branca Anuncia Visto Permanente para Eduardo Bolsonaro e Familiares em Meio à Crise Diplomática

Em um novo capítulo da escalada de tensões entre Brasil e Estados Unidos, a Casa Branca, sob a administração do presidente Donald Trump, anunciou que concederá vistos permanentes (green cards) ao deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e seus familiares próximos.
A decisão, confirmada pelo secretário de Estado Marco Rubio em comunicado oficial e amplamente discutida em postagens na rede social X, transforma o visto temporário de Eduardo, que reside nos EUA desde março de 2025, em uma autorização de residência permanente.
A medida ocorre em paralelo à revogação dos vistos de entrada do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, de outros sete ministros da Corte — Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Cármen Lúcia, Edson Fachin e Gilmar Mendes —, do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e de seus familiares, anunciada em 18 de julho.
Motivações e ContextoA concessão do visto permanente a Eduardo Bolsonaro e sua família é interpretada como um gesto político de apoio explícito do governo Trump ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai de Eduardo, que enfrenta investigações no Brasil. Na sexta-feira (18), Moraes, como relator de inquéritos no STF, determinou medidas cautelares contra Bolsonaro, incluindo uso de tornozeleira eletrônica, proibição de contato com outros investigados — como Eduardo — e recolhimento noturno, no âmbito de uma operação da Polícia Federal (PF) que apura suposta tentativa de golpe de Estado.
A PGR, liderada por Gonet, reforçou a necessidade das restrições, citando risco de fuga e articulação internacional por parte de Bolsonaro.Segundo Rubio, as ações do STF representam uma “perseguição política sistemática” que viola direitos fundamentais e extrapola fronteiras, impactando interesses americanos, como a liberdade de expressão nas plataformas digitais. A revogação dos vistos dos ministros e de Gonet foi enquadrada na Seção 212(a)(3)(C) da Lei de Imigração e Nacionalidade dos EUA, que permite barrar indivíduos cuja entrada seja considerada prejudicial à política externa americana.
Em contrapartida, a concessão do green card a Eduardo reforça a aliança entre Trump e o bolsonarismo, especialmente após o ex-presidente americano ameaçar elevar tarifas comerciais sobre produtos brasileiros de 50% para 100% na próxima semana, conforme reportado pela Folha de S.Paulo.Reações no BrasilA decisão da Casa Branca gerou reações polarizadas. Eduardo Bolsonaro celebrou a medida no X, declarando: “Enquanto o STF persegue minha família, os EUA nos acolhem. A verdade prevalecerá!”. Aliados de Bolsonaro, como o ex-assessor de Trump Jason Miller, também elogiaram a iniciativa, intensificando as críticas ao Judiciário brasileiro.
Por outro lado, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou a concessão do visto como uma “afronta à soberania nacional” e avalia retaliar com medidas como restrições a vistos de autoridades americanas ou sanções a empresas dos EUA no Brasil, segundo o portal BNews.O STF e a PGR ainda não emitiram posicionamentos oficiais, mas fontes do Itamaraty indicam que o governo brasileiro pode chamar a embaixadora americana, Maria Luiza Viotti, para consultas, sinalizando descontentamento com o que considera ingerência externa.
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), afirmou que a decisão americana “desrespeita a independência do Judiciário” e pediu diálogo para evitar uma crise maior.Implicações Políticas e EconômicasA concessão do visto permanente a Eduardo, somada às sanções contra o STF e à ameaça de aumento de tarifas comerciais, coloca o Brasil em uma posição delicada.
Os EUA são o segundo maior parceiro comercial do país, com um superávit de US$ 7,4 bilhões em 2024. A possível elevação das tarifas para 100%, conforme alertado a aliados de Bolsonaro, pode devastar setores como agronegócio e mineração, aumentando a pressão sobre o governo Lula, que enfrenta desafios domésticos com a proximidade das eleições de 2026.Além disso, a menção a uma possível coordenação com a Otan, conforme noticiado, levanta preocupações sobre a internacionalização do conflito. Especialistas consultados pela Reuters consideram improvável uma ação militar, mas alertam que a retórica beligerante de Trump pode complicar as relações bilaterais.
A concessão do green card a Eduardo também alimenta narrativas de que os EUA estão oferecendo um “porto seguro” para bolsonaristas, o que pode inflamar a polarização política no Brasil.O Que EsperarA próxima semana será decisiva, com o governo americano sinalizando novas sanções, possivelmente sob a Lei Magnitsky, que permite congelamento de ativos e proibições financeiras.
Enquanto isso, o governo Lula busca equilibrar a defesa da soberania com a necessidade de evitar uma crise econômica. O STF, por sua vez, enfrenta o desafio de manter sua autoridade em meio a pressões internas e externas.
A decisão da Casa Branca de proteger Eduardo Bolsonaro enquanto sanciona o Judiciário brasileiro marca um momento crítico nas relações Brasil-EUA, com desdobramentos que podem redefinir o cenário político e econômico nos dois países.
Fontes: Folha de S.Paulo, Fox News, Reuters, BNews, O Globo, postagens no X
Grok/X

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