Celso Amorim Provoca Trump no Financial Times a Quatro Dias do Tarifaço

A apenas quatro dias da entrada em vigor das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, previstas para 1º de agosto de 2025, Celso Amorim, assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assuntos internacionais, intensificou as tensões com o presidente americano Donald Trump. Em entrevista ao jornal britânico Financial Times, publicada em 27 de julho, Amorim comparou as ações de Trump à extinta União Soviética, afirmando que “nem mesmo a União Soviética teria feito algo assim” ao se referir à interferência americana nos assuntos internos do Brasil. A declaração, vista como provocadora, ocorre em um momento delicado, enquanto o Brasil busca mitigar os impactos econômicos das tarifas e negociar com a Casa Branca.

Contexto da ProvocaçãoAmorim criticou a decisão de Trump de impor tarifas de 50% sobre as exportações brasileiras, anunciadas em 9 de julho, parcialmente justificadas pela perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado de Trump, que enfrenta um julgamento por tentativa de golpe após os atos de 8 de janeiro de 2023. Trump classificou o processo como uma “caça às bruxas” e acusou o Brasil de práticas comerciais desleais e censura a plataformas de redes sociais americanas.

Na entrevista, Amorim afirmou que as ações de Trump representam uma interferência “inédita” nos assuntos internos brasileiros, comparando-as a uma tentativa de intimidação política. Ele destacou que as tarifas fortalecem os laços do Brasil com os BRICS (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e outros), pois incentivam a diversificação das relações comerciais para reduzir a dependência de um único país, como os EUA. “Não acho que nem a União Soviética teria feito algo assim”, disse Amorim, segundo o Financial Times, em uma crítica que também negou o caráter ideológico do BRICS, rejeitando a visão de que o bloco é um instrumento antiamericano liderado por China e Rússia.

Impacto Político e EconômicoA declaração de Amorim gerou reações mistas. No Brasil, foi vista por alguns como uma defesa da soberania nacional, mas também como um risco diplomático. Postagens no X criticaram a postura de Amorim, chamando-a de “desastrosa” para as relações exteriores, especialmente em um momento em que empresários brasileiros tentam abrir canais de diálogo com o governo Trump para adiar ou reduzir as tarifas. Outros, no entanto, apoiaram a retórica, enxergando-a como uma resposta necessária à pressão americana.Economicamente, as tarifas de 50% podem reduzir o PIB brasileiro em até 0,5% em 2025, com perdas estimadas de US$ 7 bilhões em exportações, afetando setores como aviação (Embraer), agronegócio (café, suco de laranja, carne) e siderurgia. A desvalorização do real e a inflação, já pressionadas, podem se intensificar. O Brasil, por sua vez, ameaçou retaliar com tarifas de 50% sobre produtos americanos, amparado pela Lei de Reciprocidade Econômica aprovada pelo Congresso em 2025, e denunciou a medida à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Conexão com a Denúncia na OEAA provocação de Amorim ocorre em meio à denúncia contra o ministro do STF Alexandre de Moraes na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da OEA, protocolada em 25 de julho. A petição acusa Moraes de violações de direitos humanos, como prisões arbitrárias e censura, no contexto do inquérito das fake news e dos atos de 8 de janeiro. A denúncia reforça a narrativa de Trump, que usou o “ativismo judicial” do STF como justificativa para as tarifas, alegando proteção a Bolsonaro. Assim, as declarações de Amorim podem ser interpretadas como uma tentativa de reafirmar a soberania brasileira frente a pressões externas, mas também como um aceno aos BRICS em um cenário de isolamento comercial, agravado pelas tarifas venezuelanas de até 77% sobre produtos brasileiros.

Reações e PerspectivasA fala de Amorim foi criticada por setores da oposição brasileira, que a consideraram um erro estratégico. “Enquanto Lula manda negociar com os EUA, Amorim ataca Trump. Como entender isso?”, questionou um usuário no X. Já o governo Lula, que viu sua aprovação subir para 62,2% após o anúncio das tarifas, segundo pesquisas, aposta na retórica de soberania para fortalecer sua base eleitoral. No entanto, a escalada verbal pode dificultar negociações com os EUA, que já sinalizaram acordos com outros parceiros, como a União Europeia, para reduzir tarifas de 30% para 15%.

A quatro dias do “tarifaço”, o Brasil enfrenta um dilema: intensificar a retórica contra Trump, como fez Amorim, ou buscar uma solução diplomática para evitar perdas econômicas. O fortalecimento dos laços com os BRICS e a América do Sul, defendido por Amorim, pode ser uma alternativa de longo prazo, mas não compensa imediatamente os impactos das tarifas americanas e venezuelanas.

 

Grok/X

 

 

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