Com tombo de 60% no lucro, Banco do Brasil tem pior resultado desde 2018

O Banco do Brasil registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,784 bilhões no segundo trimestre, um tombo de 60% em relação ao mesmo período do ano passado. Já o lucro líquido contábil, que não considera ajustes, somou R$ 3,035 bilhões, uma queda de 66%.

Segundo levantamento da Elos Ayta, o resultado do BB foi o pior já registrado desde o 1º trimestre de 2018, em termos nominais, quando o lucro contábil somou R$ 2,749 bilhões.

 

No acumulado no semestre, o lucro do Banco do Brasil somou R$ 9,807, o que corresponde a uma diminuição de 44,7% na comparação com os primeiros 6 meses do ano passado.

O resultado confirmou os temores dos investidores, após o resultado do primeiro trimestre, apresentado em meados de maio, ser “pior do que se temia”, como escreveram analistas. Para o segundo trimestre, as projeções apontavam lucro de R$5 bilhões, segundo a LSEG.

 

Em seu balanço, o Banco do Brasil estimou um lucro menor para o ano e cortou o percentual do resultado a ser distribuído a acionistas. Em fato relevante, o banco também anunciou revisão do chamado payout, o percentual de lucro pago aos acionistas por meio de dividendos, para 30% em 2025 versus entre 40% e 45% anteriormente.

O BB agora estima um lucro líquido ajustado entre R$ 21 bilhões e R$ 25 bilhões em 2025.

 

“O ano de 2025 é de ajuste para aceleração do crescimento”, afirmou a presidente do BB, Tarciana Medeiros, em nota à imprensa após a divulgação do balanço do segundo trimestre.

Rentabilidade abaixo da concorrência

O retorno sobre patrimônio líquido (ROE) no segundo trimestre desabou a 8,4%, de 16,7% nos primeiros meses do ano e 21,6% um ano antes. Para efeito de comparação, Itaú Unibanco teve ROE de 23,3%, enquanto Santander Brasil registrou 16,4% e Bradesco marcou 14,6%.

 

A rentabilidade do BB tem sido pressionada em 2025 pelo agronegócio. No segundo trimestre, o custo do crédito, formado pelas despesas de perda esperada somada aos descontos concedidos e deduzidas das receitas com recuperação de crédito, alcançou R$ 15,9 bilhões, de R$10,15 bilhões nos primeiros três meses do ano e de R$7,8 bilhões um ano antes.

Para o ano, o banco calcula o custo na faixa de R$ 53 bilhões a R$ 56 bilhões.

 

De acordo com o banco, a linha foi influenciada, principalmente, pela continuidade da dinâmica agravada da carteira de agronegócios, cuja inadimplência alcançou 3,49%, de 3,04% três meses antes e 1,32% em junho de 2024.

 

A carteira de crédito encolheu 0,3% na base trimestral, a R$404,9 bilhões. Ano a ano, subiu 8%.

“Apesar do cenário positivo para a safra no Brasil em 2025, com uma colheita recorde, e do elevado percentual de garantias nessa carteira, há um estoque de operações que não foram pagos na safra 2024/2025, inclusive, por conta das recuperações judiciais no setor – que exigem maior provisionamento sob a nova regulação”, afirmou o BB.

A inadimplência acima de 90 dias da carteira de crédito como um todo atingiu 4,21%, de 3,86% no trimestre anterior e 3% um ano antes. Na pessoa física, esse percentual subiu de 5,10% para 5,59% entre março e junho deste ano, enquanto na pessoa jurídica passou de 4,06% para 4,18%.

 

A carteira de crédito expandida do BB cresceu 11,2% ano a ano e 1,3% na base trimestral, para R$1,29 trilhão. O portfólio de pessoa física mostrou acréscimo de 8% ano a ano e de 2% no trimestre e o de pessoa jurídica registrou incremento de 14,7% e 1,8%, respectivamente.

Com informações da Reuters

Mostrar mais artigos relacionados
Mostrar mais em Economia
.