Confiança da Indústria Recua Pelo Segundo Mês com “Tarifaço” dos EUA e Incertezas Econômicas

A confiança da indústria brasileira recuou pelo segundo mês consecutivo em julho de 2025, impactada pelo “tarifaço” dos Estados Unidos e incertezas econômicas globais. Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), o Índice de Confiança da Indústria (ICI) caiu 2,0 pontos, atingindo 94,8 pontos, o menor nível do ano. O principal fator foi a deterioração das expectativas para os próximos meses, com o Índice de Expectativas (IE) despencando 4,0 pontos para 92,5, o menor desde 2021. Já o Índice de Situação Atual (ISA) teve leve alta de 0,3 ponto, alcançando 97,3 pontos, indicando uma percepção ligeiramente melhor do momento presente.

A imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros pelos EUA, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto de 2025, é um dos principais drivers da queda. Essa medida, anunciada pelo governo de Donald Trump, visa supostamente retaliar práticas comerciais consideradas desleais, com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.

Setores como petróleo, aço, aeronaves e pescados serão fortemente afetados, com perdas estimadas em competitividade e exportações. Por exemplo, a Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) relatou que 58 contêineres com 1.160 toneladas de pescado perderam compradores nos EUA, que respondem por 70% do mercado externo de pescado brasileiro.

Além disso, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) destacou que o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) já havia atingido em julho o menor nível desde junho de 2020, caindo para 47,3 pontos, antes mesmo da confirmação do tarifaço. A CNI estima que a tarifa pode reduzir o PIB brasileiro em 0,16% e o comércio global em 0,12%, com os EUA sofrendo uma queda de 0,37% em seu PIB. Setores como máquinas agrícolas, aeronaves e carnes de aves enfrentarão reduções significativas na produção e exportações.

O governo brasileiro, sob liderança do presidente Lula e do ministro Fernando Haddad, está elaborando um plano de contingência, com o Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas buscando medidas de proteção, como adiamento da tarifa para setores específicos ou exclusão de produtos como pescados. Contudo, negociações com os EUA têm sido dificultadas pela postura da Casa Branca.

A combinação de tarifas elevadas, incertezas globais e pressões inflacionárias domésticas (como a reoneração do IOF) cria um cenário desafiador, com aumento do pessimismo entre empresários e riscos à competitividade da indústria brasileira.

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