Contrariando a promessa do governo de reduzir os juros pela metade, as taxas do consignado privado dispararam. Em fevereiro de 2025, a taxa média mensal era de 2,91%, mas em abril subiu para 3,94% (59,1% ao ano) e em maio caiu ligeiramente para 3,75% (55,59% ao ano). Apesar da queda em maio, os juros permanecem bem acima dos 3,09% registrados em março, antes do lançamento do programa. Algumas instituições financeiras chegam a cobrar até 122,19% ao ano, como no caso da Valor S/A Sociedade de Crédito. Entre os grandes bancos, a Caixa Econômica Federal oferece a menor taxa, de 28,09% ao ano em junho, enquanto o Banco do Brasil cobra 45,41% e o Itaú, 45,98%.
Razões para o aumento
- Mudança no perfil dos tomadores: Especialistas, como Isabela Tavares da Tendências Consultoria, apontam que o Crédito do Trabalhador atraiu trabalhadores com maior risco de crédito, incluindo negativados, o que eleva as taxas devido ao risco de inadimplência.
- Falta de teto para juros: A Medida Provisória nº 1.292/2025, que instituiu o programa, não estabeleceu um limite para as taxas, permitindo que algumas financeiras pratiquem juros abusivos, mesmo com garantias como desconto em folha e FGTS.
- Alta da Selic: A taxa básica de juros, fixada em 14,75% ao ano pelo Copom, encarece o custo de captação dos bancos, refletindo nos juros cobrados.
- Curva de aprendizado: Segundo Leandro Vilain, CEO da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), o mercado ainda está se adaptando ao programa, e as taxas podem cair em 60 a 90 dias à medida que os bancos ajustam a análise de risco.
Impacto do programa
O Crédito do Trabalhador movimentou R$ 14,6 bilhões até 9 de junho de 2025, com 62,6% das operações destinadas a trabalhadores com renda de até quatro salários mínimos. O programa permitiu a migração de 3,8 milhões de contratos antigos, totalizando R$ 40 bilhões, para a nova modalidade, que promete maior acesso ao crédito.
(02/04/2025), chamam o programa de “arapuca”, enquanto
(06/05/2025) alerta para o risco de endividamento como uma “bomba-relógio”.
Resposta do governo
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que não tolerará juros abusivos e que o governo monitora as taxas, podendo notificar ou excluir instituições que cobrem valores excessivos. Ele destacou que o programa visa incluir trabalhadores que antes recorriam a agiotas, mas reconheceu que as taxas estão acima do esperado. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, havia prometido juros de cerca de 2,5% ao mês, mas as taxas atuais superam essa expectativa.
Comparação com outras modalidades
As taxas do consignado privado (55,59% ao ano em maio) são maiores que as de funcionários públicos (1,96% ao mês, cerca de 26% ao ano) e aposentados do INSS (1,85% ao mês, cerca de 24,5% ao ano), mas ainda inferiores a outras modalidades sem garantia, como cheque especial (7,4% ao mês) e cartão de crédito rotativo (15,1% ao mês).
Preocupações e perspectivas
Entidades empresariais, como a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), expressam preocupação com o endividamento dos trabalhadores, que pode levar a pedidos de demissão para aliviar dívidas. A inadimplência, no entanto, permanece estável em 3,5% em abril, segundo o Banco Central. O governo espera que a portabilidade, iniciada em 6 de junho, incentive a concorrência entre bancos e reduza as taxas.
Conclusão
O Crédito do Trabalhador, embora tenha ampliado o acesso ao crédito consignado, não cumpriu a promessa de reduzir significativamente os juros, que subiram para níveis recordes. A ausência de um teto de juros e o perfil de risco dos tomadores contribuíram para o aumento. Trabalhadores devem comparar taxas entre bancos, como orienta o Ministério do Trabalho, e utilizar ferramentas como o aplicativo da Carteira de Trabalho Digital para buscar melhores condições. A evolução das taxas dependerá de ajustes no programa e da resposta do mercado nos próximos meses.Fontes:
- Poder360
- Agência Brasil
- GZH
- UOL
- Postagens no X
Grok/X















