Contrariando a promessa do governo Lula, juros do consignado sobe e supera 50% com Crédito do Trabalhador

O programa Crédito do Trabalhador, lançado pelo governo federal em março de 2025, tinha como objetivo oferecer empréstimos consignados com juros mais baixos para trabalhadores do setor privado com carteira assinada (CLT), utilizando até 10% do saldo do FGTS e 100% da multa rescisória como garantias.
No entanto, dados recentes do Banco Central mostram que a taxa média de juros do crédito consignado para esses trabalhadores subiu significativamente, alcançando 55,59% ao ano em maio de 2025, um aumento de 14,73 pontos percentuais em relação a fevereiro, antes do programa. Em abril, a taxa já havia atingido 59,1% ao ano, o maior patamar desde 2011. Entenda o contexto e as razões por trás dessa alta.
A alta dos juros
Contrariando a promessa do governo de reduzir os juros pela metade, as taxas do consignado privado dispararam. Em fevereiro de 2025, a taxa média mensal era de 2,91%, mas em abril subiu para 3,94% (59,1% ao ano) e em maio caiu ligeiramente para 3,75% (55,59% ao ano). Apesar da queda em maio, os juros permanecem bem acima dos 3,09% registrados em março, antes do lançamento do programa. Algumas instituições financeiras chegam a cobrar até 122,19% ao ano, como no caso da Valor S/A Sociedade de Crédito. Entre os grandes bancos, a Caixa Econômica Federal oferece a menor taxa, de 28,09% ao ano em junho, enquanto o Banco do Brasil cobra 45,41% e o Itaú, 45,98%.

Razões para o aumento

  1. Mudança no perfil dos tomadores: Especialistas, como Isabela Tavares da Tendências Consultoria, apontam que o Crédito do Trabalhador atraiu trabalhadores com maior risco de crédito, incluindo negativados, o que eleva as taxas devido ao risco de inadimplência.
  2. Falta de teto para juros: A Medida Provisória nº 1.292/2025, que instituiu o programa, não estabeleceu um limite para as taxas, permitindo que algumas financeiras pratiquem juros abusivos, mesmo com garantias como desconto em folha e FGTS.
  3. Alta da Selic: A taxa básica de juros, fixada em 14,75% ao ano pelo Copom, encarece o custo de captação dos bancos, refletindo nos juros cobrados.
  4. Curva de aprendizado: Segundo Leandro Vilain, CEO da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), o mercado ainda está se adaptando ao programa, e as taxas podem cair em 60 a 90 dias à medida que os bancos ajustam a análise de risco.

Impacto do programa
O Crédito do Trabalhador movimentou R$ 14,6 bilhões até 9 de junho de 2025, com 62,6% das operações destinadas a trabalhadores com renda de até quatro salários mínimos. O programa permitiu a migração de 3,8 milhões de contratos antigos, totalizando R$ 40 bilhões, para a nova modalidade, que promete maior acesso ao crédito.

Apesar disso, a alta dos juros gerou críticas.
Postagens no X, como a de

@lopesmauro_

(02/04/2025), chamam o programa de “arapuca”, enquanto

@bcppolitica

(06/05/2025) alerta para o risco de endividamento como uma “bomba-relógio”.

Resposta do governo
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que não tolerará juros abusivos e que o governo monitora as taxas, podendo notificar ou excluir instituições que cobrem valores excessivos. Ele destacou que o programa visa incluir trabalhadores que antes recorriam a agiotas, mas reconheceu que as taxas estão acima do esperado. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, havia prometido juros de cerca de 2,5% ao mês, mas as taxas atuais superam essa expectativa.

Comparação com outras modalidades
As taxas do consignado privado (55,59% ao ano em maio) são maiores que as de funcionários públicos (1,96% ao mês, cerca de 26% ao ano) e aposentados do INSS (1,85% ao mês, cerca de 24,5% ao ano), mas ainda inferiores a outras modalidades sem garantia, como cheque especial (7,4% ao mês) e cartão de crédito rotativo (15,1% ao mês).

Preocupações e perspectivas
Entidades empresariais, como a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), expressam preocupação com o endividamento dos trabalhadores, que pode levar a pedidos de demissão para aliviar dívidas. A inadimplência, no entanto, permanece estável em 3,5% em abril, segundo o Banco Central. O governo espera que a portabilidade, iniciada em 6 de junho, incentive a concorrência entre bancos e reduza as taxas.

Conclusão
O Crédito do Trabalhador, embora tenha ampliado o acesso ao crédito consignado, não cumpriu a promessa de reduzir significativamente os juros, que subiram para níveis recordes. A ausência de um teto de juros e o perfil de risco dos tomadores contribuíram para o aumento. Trabalhadores devem comparar taxas entre bancos, como orienta o Ministério do Trabalho, e utilizar ferramentas como o aplicativo da Carteira de Trabalho Digital para buscar melhores condições. A evolução das taxas dependerá de ajustes no programa e da resposta do mercado nos próximos meses.
Fontes:

  • Poder360
  • Agência Brasil
  • GZH
  • UOL
  • Postagens no X

Grok/X

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