Os Correios, enfrentando uma grave crise financeira, suspenderam o pagamento de R$ 2,75 bilhões em obrigações, incluindo dívidas com fornecedores, tributos, contribuições ao plano de saúde Postal Saúde, ao fundo de pensão Postalis e ao programa Remessa Conforme.
A medida visa preservar a liquidez e reequilibrar o fluxo de caixa da estatal, que acumula 11 trimestres consecutivos de prejuízo. Cerca de 53% dessas dívidas geram multas e juros, mas não impactam diretamente as operações. A Receita Federal identificou R$ 1,3 bilhão em tributos não pagos, e empresas de transporte, como a Sideral Linhas Aéreas, cobram na Justiça R$ 104 milhões em atrasos.
Os Correios atribuem a crise a fatores como mudanças regulatórias, especialmente a “taxa das blusinhas” (tributação de compras internacionais), que reduziu a receita em R$ 2,2 bilhões em 2024, e a uma estrutura de custos fixos (88% das despesas) com pessoal, frota e infraestrutura. A estatal contratou empréstimos de R$ 550 milhões em 2024 (R$ 250 milhões com o Banco Daycoval e R$ 300 milhões com o ABC Brasil) e busca captar R$ 1,8 bilhão adicionais, sem esclarecer se via crédito bancário ou aporte do Tesouro. Um financiamento de R$ 4,3 bilhões do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) está em negociação, mas é destinado a projetos de sustentabilidade, não ao pagamento de dívidas.
A empresa registrou prejuízo de R$ 2,6 bilhões em 2024, quatro vezes maior que os R$ 597 milhões de 2023, e R$ 1,7 bilhão no primeiro trimestre de 2025, o pior início de ano desde 2017. Medidas como suspensão de férias, retorno ao trabalho presencial e redução de 20% no orçamento de cargos comissionados foram adotadas para conter despesas.
Apesar disso, os Correios afirmam que a continuidade operacional está garantida por sua relevância estratégica e planejam recuperação por meio de inovação, como banco digital e logística para saúde
Grok/X















