Correios no governo Lula em Crise: Estatal Adia Férias, Reduz Salários e Decreta Fim do Home Office

Brasília, DF, 14 de maio de 2025 – A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Correios) anunciou um pacote de medidas drásticas para conter uma crise financeira que culminou em um prejuízo recorde de R$ 2,6 bilhões em 2024, o maior desde 2016. As ações, divulgadas na última segunda-feira (12), incluem a suspensão temporária de férias, redução da jornada de trabalho com corte proporcional de salários e o fim do trabalho remoto, com o objetivo de economizar até R$ 1,5 bilhão ainda em 2025.
O rombo financeiro, quatro vezes superior ao déficit de R$ 597 milhões registrado em 2023, é atribuído principalmente à queda de receita com encomendas internacionais, impactadas pela “taxa das blusinhas” – cobrança de 20% de Imposto de Importação e 17% de ICMS sobre compras acima de US$ 50, implementada em julho de 2023. Segundo a estatal, a medida gerou uma perda de R$ 2,2 bilhões em 2024, com redução de 1,74% na receita de serviços, que caiu de R$ 19,2 bilhões para R$ 18,9 bilhões. Além disso, os custos operacionais subiram R$ 716 milhões, alcançando R$ 15,9 bilhões, impulsionados por reajustes salariais e benefícios que elevaram os gastos com pessoal de R$ 9,6 bilhões para R$ 10,3 bilhões.
Dentre as medidas anunciadas, destacam-se:
  • Suspensão de férias: A partir de 1º de junho de 2025 até janeiro de 2026, os funcionários não poderão tirar férias, exceto em casos protegidos por lei.
  • Redução de jornada e salários: Incentivo à redução para 6 horas diárias e 34 horas semanais, com corte proporcional na remuneração, voltado para empregados de unidades administrativas.
  • Fim do home office: A partir de 23 de junho de 2025, todos os funcionários retornam ao trabalho presencial, salvo exceções judiciais.
  • Plano de Demissão Voluntária (PDV): Prorrogado até 18 de maio de 2025, visando reduzir o quadro de 84,7 mil funcionários.
  • Corte na sede: Redução de 20% no orçamento de funções administrativas e revisão de planos de saúde, com economia estimada em 30%.
A estatal também enfrenta críticas por fragilidades em controles internos, apontadas por uma auditoria independente da Consult – Auditores Independentes. O relatório questionou a mensuração de passivos contingentes de R$ 2,7 bilhões, sugerindo que o prejuízo pode ser ainda maior. Apenas 15% das 10.638 unidades dos Correios registraram superávit em 2024, reforçando a dependência da empresa de subsídios para manter a universalização dos serviços postais.
A crise gerou reações entre funcionários e sindicatos. Posts na plataforma X mostram indignação, com pedidos de colaboração da estatal sendo recebidos com ceticismo. “Pedem paciência e redução de salários, mas e os parças do governo, vão colaborar?”, questionou um usuário. A Associação dos Profissionais dos Correios já alertou para o risco de atrasos salariais nos próximos meses, enquanto a direção da empresa nega a possibilidade de insolvência, destacando que sua continuidade é garantida por lei, dada sua natureza essencial.
O presidente dos Correios, Fabiano Silva dos Santos, indicado por Lula em 2023, afirmou que as medidas visam “fortalecer a empresa como pública e essencial”. No entanto, a estatal enfrenta desafios estruturais, como a concorrência com empresas privadas no e-commerce e a perda de mercado para gigantes como Amazon e Mercado Livre. Em dezembro de 2024, a empresa tomou empréstimos de R$ 550 milhões para reforçar o capital de giro, mas a sustentabilidade financeira segue incerta.
A gestão atribui parte da crise à herança da administração Bolsonaro, que priorizou a privatização – projeto arquivado por Lula em 2023. Apesar disso, investimentos de R$ 830,27 milhões foram feitos em 2024 para modernização, e a estatal planeja ampliar parcerias comerciais, como oferta de seguros e serviços de internet, para equilibrar as contas. Enquanto isso, a população teme impactos em entregas, especialmente em áreas remotas, onde os Correios são a única opção logística.
Com informações de Veja, Gazeta do Povo, CNN Brasil, Diário Oficial da União e posts na plataforma X

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