Corrupção, desmatamento, Etanol e Pix: O que está na mira de Trump

O governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, iniciou uma investigação comercial contra o Brasil, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, alegando práticas comerciais “desleais”. A apuração, conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), foca em várias áreas, incluindo etanol, desmatamento, corrupção e o sistema de pagamento Pix.
Abaixo, detalho os principais pontos levantados, com base em informações recentes:

  1. Pix: O sistema de pagamentos instantâneos do Brasil, lançado em 2020 pelo Banco Central durante o governo Bolsonaro, é acusado de favorecer serviços desenvolvidos pelo governo brasileiro, prejudicando a competitividade de empresas americanas, como Visa, Mastercard e PayPal. O USTR alega que o Pix, por ser gratuito e eficiente, cria uma concorrência desleal com plataformas de pagamento tradicionais, impactando o lucro de empresas estrangeiras. Apesar de não ser citado explicitamente no documento, a referência a “serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo” aponta claramente para o Pix. Essa crítica tem gerado controvérsia, já que o Pix é amplamente aceito e elogiado no Brasil, especialmente no comércio informal e periferias.
  2. Etanol: Os EUA questionam as tarifas mais altas impostas pelo Brasil sobre o etanol americano, alegando que isso restringe o acesso ao mercado brasileiro. O USTR argumenta que o Brasil oferece tarifas preferenciais a outros parceiros comerciais, criando uma desvantagem para os produtores americanos de etanol. Essa questão é parte de uma disputa comercial mais ampla, onde Trump busca proteger os interesses agrícolas dos EUA.
  3. Desmatamento: O USTR aponta que até 91% do desmatamento no Brasil em 2024 seria ilegal, facilitado por falhas na fiscalização e corrupção no setor madeireiro. Segundo o relatório, terras desmatadas ilegalmente são usadas para produção agrícola (como soja, milho e pecuária), conferindo uma vantagem competitiva “injusta” às exportações brasileiras, que competem com produtos americanos sujeitos a regulamentações ambientais mais rígidas. O documento também menciona o uso de trabalho forçado e fraudes na legalização de madeira, o que reduz custos e permite preços mais baixos no mercado internacional.
  4. Corrupção: Os EUA criticam o Brasil por supostas fragilidades na aplicação de leis anticorrupção e transparência, mencionando interferências em investigações e anulações de condenações, com alusão implícita à Operação Lava-Jato. O USTR alega que a falta de previsibilidade jurídica e institucional afasta investimentos estrangeiros e viola compromissos internacionais de combate ao suborno. Essa crítica também inclui a percepção de que o Brasil retaliaria empresas americanas de tecnologia que se recusam a censurar conteúdos políticos, ligando a questão à liberdade de expressão e à perseguição judicial de figuras como Jair Bolsonaro.

Contexto e implicações: A investigação, iniciada em 15 de julho de 2025, é parte de uma escalada na guerra comercial entre EUA e Brasil, intensificada por tensões diplomáticas envolvendo decisões judiciais contra Bolsonaro e a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto. Além dos temas citados, a apuração abrange comércio digital, propriedade intelectual e até a Rua 25 de Março, em São Paulo, associada à pirataria. O processo pode resultar em sanções adicionais, dificultando as exportações brasileiras. No Brasil, a inclusão do Pix na investigação gerou reações, com analistas apontando que atacar um sistema tão popular pode provocar descontentamento popular e afetar a imagem de Trump e seus aliados, como Bolsonaro.

Observação: As alegações americanas, especialmente sobre o Pix e o desmatamento, carecem de provas concretas no documento do USTR, o que sugere que a investigação pode ter motivações políticas além das comerciais, especialmente considerando as tensões entre Trump e o governo Lula.

Grok/X

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