No entanto, o Sindicato dos Bancários repudiou veementemente a ação, classificando-a como “arbitrária e desumana”. “É inaceitável que uma instituição que registra lucros bilionários promova demissões em massa sob a justificativa de ‘produtividade’. Os avanços tecnológicos e os ganhos de produtividade decorrentes da digitalização poderiam ser revertidos em melhores condições de trabalho e emprego estável”, declarou Neiva Ribeiro, presidente do sindicato, em nota oficial.
A entidade criticou a falta de advertências prévias aos funcionários e de diálogo com o sindicato, violando princípios de negociação, e questionou a metodologia de monitoramento, que ignora fatores como falhas técnicas, problemas de saúde ou sobrecarga de trabalho. Maikon Azzi, diretor do sindicato e bancário do Itaú, destacou que “não houve transparência” e que o critério é “extremamente questionável”.
As demissões afetaram majoritariamente profissionais em áreas de tecnologia e back-office, com relatos nas redes sociais de até 5 mil cortes em algumas especulações – embora o número oficial permaneça incerto, já que o banco não divulgou dados precisos.
O Itaú, que emprega cerca de 95 mil pessoas no Brasil (dos 100 mil totais), tem 60% de sua força de trabalho em modelo híbrido, o que amplia o impacto potencial.Reações nas Redes Sociais e Críticas à Vigilância CorporativaA notícia explodiu nas plataformas digitais, com usuários do X (antigo Twitter) compartilhando relatos pessoais e críticas ao modelo de trabalho remoto monitorado. Um post viral de
questionou: “Os boatos do motivador ser a incompatibilidade de tempo de inatividade dos notebooks com o que deveria ser o horário de trabalho, loucura.”
Outro usuário,
, ironizou: “Estão fazendo demissão em massa e usando desculpa do Home Office. Eles sempre fazem isso, buscam espantalhos para fazer lay off em massa e não ficar feio pra eles.”
Relatos como o de
no Reddit mencionam “pelo menos 30 pessoas” demitidas por “baixo uso do computador durante o home office”, gerando pânico entre colegas: “Agora tô bitolado aqui no pc da firma kkkkkk. Indo comprar tapa webcam e microfone aqui na shopee.”
O Sindicato do Rio de Janeiro também repudiou os cortes e anunciou um levantamento para verificar impactos locais.
Contexto Econômico: Lucros Bilionários em Meio a Cortes CrônicosO episódio ocorre em um momento de prosperidade para o Itaú: no segundo trimestre de 2025, o lucro recorrente gerencial foi de R$ 11,5 bilhões, alta de 14,3% em relação ao ano anterior, com rentabilidade sobre o patrimônio líquido em 23,3%.
Apesar disso, o banco acumula uma história de reestruturações: desde 2011, foram extintos 18.247 postos de trabalho, e de 2014 a 2025, fechadas 2.031 agências, impulsionadas pela digitalização – 99% das transações de pessoas físicas já são digitais.
Analistas da consultoria Elos Ayta apontam que o Itaú é o segundo maior lucro na B3, atrás apenas da Petrobras, mas a “disciplina de custos” – incluindo demissões – impulsiona a valorização das ações em 45,85% no ano.
Críticos, como o portal Revista Oeste, veem os cortes como uma estratégia para maximizar lucros em um setor cada vez mais automatizado, com investimentos em IA e computação quântica.
O sindicato cobra recolocação dos demitidos e promete intensificar protestos, argumentando que o banco poderia usar os ganhos da digitalização para criar empregos estáveis, não para “exclusão bancária” ao fechar agências essenciais.
O Que Vem a Seguir? Debates sobre Trabalho Remoto e Responsabilidade CorporativaO Itaú já foi contatado pelo sindicato para explicações e negociações, mas não há indícios de recuo imediato.
A medida pode inspirar ações judiciais coletivas e influenciar políticas de home office em outras empresas, como Amazon e RD, que também relataram cortes semelhantes pós-pandemia.
Enquanto isso, o debate sobre “aderência cultural” – termo vago que inclui valores como confiança e eficiência – levanta questões éticas: até que ponto o monitoramento é legítimo, e como equilibrar produtividade com bem-estar em um mundo híbrido?Analistas econômicos alertam que, em meio a uma economia frágil com desemprego em alta, demissões como essas agravam a desigualdade, especialmente quando empresas como o Itaú priorizam acionistas sobre trabalhadores. O sindicato promete ações para “cobrar responsabilidade social”, e o caso pode chegar ao Ministério do Trabalho.















