Departamento da Casa Branca Anuncia Lista de Brasileiros Sancionados para Decreto de Trump

A quatro dias da entrada em vigor das tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, previstas para 1º de agosto de 2025, o Departamento da Casa Branca anunciou que já possui uma lista de indivíduos brasileiros sancionados pronta para um decreto do presidente Donald Trump. A informação, amplamente discutida em postagens no X, aponta que as sanções visam “indivíduos específicos” envolvidos no que Trump e seus aliados chamam de “perseguição política” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, com destaque para o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
A lista, que ainda não foi oficialmente confirmada, inclui nomes de autoridades judiciais e políticas, gerando um novo capítulo na escalada de tensões entre Brasil e Estados Unidos.Detalhes da Lista de SancionadosDe acordo com postagens no X, a suposta lista de sancionados inclui figuras proeminentes do Judiciário e do governo brasileiro, como:
  • Alexandre de Moraes, ministro do STF, acusado por Trump de liderar uma “caça às bruxas” contra Bolsonaro, especialmente por sua atuação no inquérito das fake news e na investigação dos atos de 8 de janeiro de 2023.
  • Paulo Gonet Branco, procurador-geral da República, por sua posição favorável à condenação de Bolsonaro por tentativa de golpe.
  • Luís Roberto Barroso, Gilmar Mendes, Edson Fachin, Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Ricardo Lewandowski, todos ministros do STF, citados por supostamente apoiarem Moraes em decisões judiciais.
  • Andrei Rodrigues e Fábio Schor, ligados à Polícia Federal, e Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, também aparecem em listas extraoficiais divulgadas nas redes sociais.
  • Hugo Motta e Davi Alcolumbre, parlamentares, foram mencionados como alvos potenciais em postagens no X, embora sem confirmação oficial.

As sanções, segundo fontes como The Washington Post e The New York Times, incluem a revogação de vistos para os indivíduos listados e seus familiares diretos, conforme anunciado pelo secretário de Estado Marco Rubio em 18 de julho de 2025, com base na Seção 212(a)(3)(C) da Lei de Imigração e Nacionalidade dos EUA. Há também discussões sobre a possibilidade de sanções financeiras sob o Magnitsky Act, que permite punir estrangeiros por violações de direitos humanos ou corrupção, embora o Departamento do Tesouro tenha resistido a essa medida por considerá-la extrema contra um juiz de um país aliado.

Contexto e ReaçõesO anúncio da Casa Branca intensifica a crise diplomática entre Brasil e EUA, iniciada com a decisão de Trump de impor tarifas de 50% sobre importações brasileiras, citando a perseguição a Bolsonaro e suposta censura a empresas americanas de tecnologia. A lista de sancionados é vista como uma resposta direta às ações do STF, que ordenou medidas como o uso de tornozeleira eletrônica por Bolsonaro e restrições a contatos com governos estrangeiros, temendo sua fuga para os EUA.

No Brasil, a reação foi imediata. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou as sanções como “inaceitáveis” e uma “afronta à soberania nacional”, prometendo retaliar com a Lei de Reciprocidade Econômica, que permite suspender acordos comerciais com países que prejudiquem a competitividade brasileira. O jornal O Estado de S. Paulo criticou a interferência americana, chamando-a de “inaceitável” e destacando o impacto nas relações entre as duas maiores democracias das Américas.

Por outro lado, aliados de Bolsonaro, como seu filho Eduardo Bolsonaro, que tem atuado como intermediário junto ao governo Trump, celebraram as sanções como um apoio à sua causa. Eduardo, que se reuniu com autoridades americanas em Washington, defendeu a pressão contra Moraes, mas pediu que as tarifas sejam substituídas por sanções individuais para evitar danos econômicos ao Brasil.

Conexão com Celso Amorim e a OEAA provocação de Celso Amorim, que comparou Trump à União Soviética em entrevista ao Financial Times em 27 de julho, elevou ainda mais as tensões. Amorim defendeu a soberania brasileira e destacou a importância dos BRICS como alternativa comercial, mas sua retórica foi criticada por alguns como um obstáculo às negociações com os EUA. Paralelamente, a denúncia contra Moraes na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da OEA, protocolada em 25 de julho, reforça a narrativa de Trump, acusando o ministro de violações de direitos humanos, como prisões arbitrárias e censura. A lista de sancionados parece alinhada com essa denúncia, intensificando a pressão internacional sobre o STF.

Impacto Econômico e DiplomáticoAs sanções, se implementadas, podem ter efeitos limitados sobre os indivíduos listados, já que muitos, como Moraes, não viajam frequentemente aos EUA. No entanto, o impacto simbólico é significativo, agravando a percepção de isolamento do Brasil em meio à guerra comercial com os EUA e à recente imposição de tarifas venezuelanas de até 77%. O Brasil já enfrenta perdas estimadas de US$ 7 bilhões em exportações em 2025 devido às tarifas americanas, com setores como aviação, agronegócio e siderurgia entre os mais afetados.

A Casa Branca, por meio de Rubio, sinalizou que as sanções visam “responsabilizar estrangeiros por censura à liberdade de expressão protegida nos EUA”, citando ordens de Moraes contra plataformas como Rumble e X. No entanto, um juiz federal americano esclareceu que as ordens de Moraes se aplicam majoritariamente ao Brasil, não aos EUA, o que enfraquece a justificativa das sanções.

PerspectivasA lista de sancionados, embora ainda não oficialmente confirmada, reflete a estratégia de Trump de usar medidas econômicas e diplomáticas para apoiar Bolsonaro, mas pode ter backfired. Pesquisas mostram que a aprovação de Lula subiu para 49,7% após o anúncio das tarifas, com 62,2% dos brasileiros considerando-as injustificadas. A retórica de Amorim e a denúncia na OEA sugerem que o Brasil buscará reforçar sua posição nos BRICS e na América Latina, mas o risco de escalada na guerra comercial permanece.

O governo brasileiro intensificou esforços diplomáticos para evitar a implementação total das tarifas, com negociações envolvendo o setor empresarial e o Itamaraty. Caso as sanções avancem, o Brasil pode retaliar com tarifas sobre produtos americanos ou buscar apoio na OMC, onde já denunciou as ações de Trump.

Grok/X

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