Desemprego Sobe em 12 Estados Brasileiros no 1º Trimestre de 2025, Aponta IBGE

Brasília, 16 de maio de 2025 – A taxa de desemprego no Brasil subiu em 12 das 27 unidades da federação no primeiro trimestre de 2025, alcançando 7% na média nacional, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua Trimestral, divulgada nesta sexta-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O índice representa um aumento de 0,8 ponto percentual em relação ao quarto trimestre de 2024 (6,2%), mas permanece abaixo dos 7,9% registrados no mesmo período de 2024. Apesar da alta, o resultado é o menor para o primeiro trimestre desde 2014 (7,2%), refletindo um mercado de trabalho ainda aquecido, mas com sinais de desaceleração sazonal.

Estados com Alta no Desemprego
Os estados que registraram aumento estatisticamente significativo na taxa de desocupação foram Piauí, Amazonas, Ceará, Pará, Pernambuco, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Maranhão, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Paraná. Pernambuco liderou com a maior taxa (11,6%), seguido por Bahia (10,9%) e Piauí (10,2%). Já Santa Catarina (3,0%), Rondônia (3,1%) e Mato Grosso (3,5%) apresentaram os menores índices. Nas demais 15 unidades da federação, incluindo São Paulo e Distrito Federal, a taxa permaneceu estável.

Fatores e Sazonalidade
A alta do desemprego foi impulsionada pelo aumento de 13,1% no número de pessoas em busca de trabalho (7,7 milhões, ou 891 mil a mais que no trimestre anterior), combinado com uma redução de 1,3% na população ocupada (102,5 milhões). Segundo Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, o movimento reflete a sazonalidade típica do início do ano, com demissões de trabalhadores temporários contratados para o fim de 2024 e atrasos na renovação de contratos no setor público, especialmente em saúde e educação. “Embora tenha havido retração da ocupação, o mercado de trabalho segue robusto, com a taxa de 7% ainda baixa para o período”, destacou Beringuy.
Desigualdades Persistem
O desemprego continua afetando grupos específicos de forma desproporcional. A taxa foi de 5,7% para homens e 8,7% para mulheres. Por cor ou raça, brancos (5,6%) tiveram índice abaixo da média nacional, enquanto pretos (8,4%) e pardos (8,0%) ficaram acima. Em termos de escolaridade, pessoas com ensino médio incompleto enfrentaram a maior taxa (11,4%), contra 3,9% para aqueles com ensino superior completo. A taxa de subutilização da força de trabalho, que inclui desocupados, subocupados e desalentados, atingiu 15,9%, com Piauí (34%) e Bahia (27,5%) liderando.

Rendimento e Informalidade
O rendimento médio real mensal dos trabalhadores alcançou R$ 3.410, um recorde histórico com alta de 1,2% no trimestre e 4% na comparação anual. As regiões Centro-Oeste (R$ 3.848), Sul (R$ 3.840) e Sudeste (R$ 3.814) registraram os maiores valores, enquanto Nordeste (R$ 2.383) e Norte (R$ 2.649) tiveram os menores. A massa de rendimentos, que mede o total de salários na economia, ficou em R$ 345 bilhões, próximo ao pico histórico.

A taxa de informalidade foi de 38%, a menor desde 2020, com 38,9 milhões de trabalhadores informais. Maranhão (58,4%), Pará (57,5%) e Piauí (54,6%) lideraram em informalidade, enquanto Santa Catarina (25,3%) e São Paulo (29,3%) tiveram os menores percentuais. O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado permaneceu estável em 39,4 milhões, mas os sem carteira caíram 5,3% (13,5 milhões).

Contexto Econômico e Perspectivas
A alta do desemprego ocorre em um contexto de desaceleração econômica, com previsões de crescimento do PIB mais modesto em 2025 devido à alta de juros e menor estímulo fiscal. Apesar disso, analistas, como Claudia Moreno, do C6 Bank, destacam que o mercado de trabalho permanece “aquecido”, com formalização crescente. Igor Cadilhac, do PicPay, prevê uma deterioração gradual do emprego a partir do segundo trimestre, mas com taxas ainda historicamente baixas.

O governo Lula, que enfrenta críticas por um suposto “apagão de dados” em outras áreas, como convênios e emendas, não comentou diretamente os números do IBGE. No entanto, a manutenção de altos níveis de ocupação e renda pode ser um trunfo político, embora a sazonalidade e as desigualdades regionais exijam atenção. Para mais detalhes, acesse o site do IBGE ou consulte reportagens em G1, Folha de S.Paulo e CNN Brasil.

Com informações de G1, Folha de S.Paulo, CNN Brasil, InfoMoney e posts no X

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