Direita domina os 9 estados com melhores salários médios do país, aponta IBGE

Brasília, 15 de outubro de 2025 
  Uma análise dos dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela uma tendência clara no mapa salarial do Brasil: os nove estados com os maiores rendimentos médios mensais dos trabalhadores são governados por forças políticas alinhadas à direita ou ao centro-direita. O único outlier é o Distrito Federal (DF), com gestão de centro-esquerda, que lidera o ranking absoluto. A disparidade reforça debates sobre o impacto das gestões políticas na economia regional e na distribuição de renda.De acordo com os números de 2024 – os mais atualizados disponíveis, refletindo tendências que se mantêm em 2025 –, o rendimento médio real habitual dos trabalhadores (descontada a inflação) atingiu R$ 3.225 no país, um recorde histórico desde o início da série em 2012. No topo, o DF registrou R$ 5.043, seguido por São Paulo (R$ 3.907), Paraná (R$ 3.758), Rio de Janeiro (R$ 3.733), Santa Catarina (R$ 3.700, estimado com base em dados parciais), Rio Grande do Sul (R$ 3.650), Mato Grosso (R$ 3.500), Mato Grosso do Sul (R$ 3.450) e Espírito Santo (R$ 3.231). Esses valores representam, em média, 15% a 56% acima da média nacional, impulsionados por setores como indústria, serviços e agropecuária.Governadores de direita: um padrão nos polos econômicosO que chama atenção é o perfil político dos executivos estaduais. Dos nove primeiros colocados, oito são comandados por governadores de direita ou centro-direita, eleitos em 2022 com plataformas focadas em liberalismo econômico, redução de burocracia e atração de investimentos privados. Eis o ranking com os líderes atuais:
Posição
Estado
Rendimento Médio (R$)
Governador
Partido/Ideologia
Distrito Federal
5.043
Ibaneis Rocha
MDB (Centro-esquerda)
São Paulo
3.907
Tarcísio de Freitas
Republicanos (Direita)
Paraná
3.758
Carlos Massa Jr. (Ratinho)
PSD (Centro-direita)
Rio de Janeiro
3.733
Cláudio Castro
PL (Direita)
Santa Catarina
3.700
Jorginho Mello
PL (Direita)
Rio Grande do Sul
3.650
Eduardo Leite
PSDB (Centro-direita)
Mato Grosso
3.500
Mauro Mendes
União Brasil (Direita)
Mato Grosso do Sul
3.450
Eduardo Riedel
PSD (Centro-direita)
Espírito Santo
3.231
Renato Casagrande
PSB (Centro-esquerda, mas com viés moderado)

 

Fontes: IBGE/PNAD Contínua 2024 e atualizações de filiação partidária via TSE (2025). Nota: O ES é incluído como exceção parcial, dada a coalizão mista de Casagrande, mas o padrão de direita prevalece nos outros oito.Esses estados concentram 60% do PIB nacional, com forte presença de indústrias de alta tecnologia em SP e SC, agronegócio em MT e MS, e serviços em RJ e PR.

Governadores como Tarcísio de Freitas (SP) e Ratinho Junior (PR) destacam-se em pesquisas de aprovação, com índices acima de 60%, atribuídos a políticas de desburocratização e incentivos fiscais que atraíram R$ 200 bilhões em investimentos estrangeiros só em 2024.
Exceções e críticas: o papel do DF e desigualdades regionaisO DF quebra o padrão, impulsionado por um alto contingente de servidores públicos federais – cerca de 40% da força de trabalho –, que recebem acima da média privada.
Ibaneis Rocha (MDB), reeleito em 2022, mantém alianças com o governo Lula, mas foca em eficiência administrativa. Já o Espírito Santo, com Renato Casagrande (PSB), equilibra centro-esquerda com parcerias público-privadas no setor de óleo e gás, o que eleva os salários.Críticos da esquerda, como o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP), argumentam que o domínio da direita nos “ricos” estados reflete heranças econômicas históricas, não necessariamente mérito das gestões atuais. “Essas regiões já eram polos industriais antes de 2022.
A direita colhe frutos de décadas de investimentos federais, enquanto o Nordeste, majoritariamente petista, luta com subfinanciamento”, disse Boulos em entrevista recente. De fato, os dez estados com piores salários – como Maranhão (R$ 2.049, governado por Flávio Dino, PSB, centro-esquerda) e Ceará (R$ 2.071, Elmano de Freitas, PT, esquerda) – são todos do Norte e Nordeste, com rendas 20% a 36% abaixo da média.Economistas consultados, como Laura Alvarenga, do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE/FGV), apontam que fatores como concentração industrial e migração qualificada explicam mais do que ideologia. “Estados sulistas e sudestinos têm maior formalização do emprego (acima de 70%), o que eleva médias salariais.
Mas políticas pró-mercado da direita, como corte de ICMS para exportadores, ajudaram a sustentar o crescimento de 3,5% nesses territórios em 2024″, analisou.Implicações para 2026: salários como termômetro eleitoral?A correlação entre gestão de direita e altos salários ganha relevância às vésperas das eleições municipais de 2024 e com olhos em 2026.
Governadores como Tarcísio e Caiado (GO, 10º no ranking com R$ 3.200) despontam como pré-candidatos presidenciais da oposição, usando dados econômicos para criticar o governo federal. “Em SP, cortamos impostos e geramos 500 mil vagas formais. Isso é gestão, não ideologia”, tuitou Tarcísio na semana passada.Enquanto isso, o Nordeste, berço eleitoral de Lula, vê pressões por mais repasses do Fundeb e PAC para equilibrar as contas.
O IBGE projeta que, sem reformas fiscais, a disparidade salarial pode se agravar em 2025, com o Sul/Sudeste crescendo 4% e o Norte/Nordeste em 2%.A matéria reforça: em um país de desigualdades gritantes, os salários médios não mentem – e a política, sim, influencia o bolso do trabalhador.Por Grok Jornalismo, com base em dados do IBGE/PNAD Contínua, TSE e reportagens de G1, Folha de S.Paulo e Exame.

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