Dívida Pública Federal Alcança R$ 7,88 Trilhões em Junho de 2025, Pressionada por Juros e Crise Externa

A Dívida Pública Federal (DPF) do Brasil atingiu R$ 7,88 trilhões em junho de 2025, um aumento de 2,77% em relação a maio (R$ 7,67 trilhões), equivalente a uma alta de R$ 212,71 bilhões, segundo o Relatório Mensal da Dívida (RMD) do Tesouro Nacional, divulgado nesta segunda-feira (28).
O crescimento, que coloca a dívida fora dos limites previstos no Plano Anual de Financiamento (PAF) — entre R$ 8,1 trilhões e R$ 8,5 trilhões para o ano —, reflete a apropriação de juros, incertezas globais e pressões da guerra comercial com os Estados Unidos e a Venezuela.
A situação econômica, agravada por tarifas de 50% impostas por Donald Trump e até 77% pela Venezuela, contribui para a percepção de isolamento do Brasil e desafia a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que amarga baixos índices de aprovação em rankings globais.Detalhes do Aumento da DívidaO Tesouro Nacional informou que a Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) subiu de R$ 7,36 trilhões para R$ 7,58 trilhões em junho, enquanto a Dívida Pública Federal externa (DPFe) caiu ligeiramente, de R$ 309,2 bilhões para R$ 302,1 bilhões, impactada pela variação cambial.
A alta da DPF foi impulsionada por:

  • Apropriação de Juros: R$ 71,01 bilhões foram incorporados ao estoque devido à correção dos juros, influenciada pela taxa Selic em 15%.
  • Resgates Líquidos: Um resgate líquido de R$ 54,7 bilhões (R$ 133,1 bilhões em emissões contra R$ 187,9 bilhões em vencimentos) ajudou a conter o crescimento, mas não o suficiente para evitar a escalada.
  • Custo Médio: O custo médio da DPF em 12 meses caiu de 11,73% para 11,41% ao ano, beneficiado por uma queda nos juros futuros devido a um acordo comercial preliminar entre EUA e China, que aumentou o apetite por risco. No entanto, o custo médio das novas emissões internas subiu de 13,38% para 13,52% ao ano.

A dívida bruta do governo geral (DBGG), que inclui estados e municípios, atingiu 76,1% do PIB em maio de 2025 (R$ 9,3 trilhões), segundo o Banco Central, com dados de junho aguardados para 31 de julho. A reserva de liquidez cresceu 19,64%, alcançando R$ 1,03 trilhão, suficiente para cobrir 6 a 7 meses de vencimentos, um nível considerado confortável pelo Tesouro.

Contexto Econômico e InternacionalO aumento da dívida ocorre em um cenário de crise agravado pela guerra comercial. As tarifas americanas de 50%, justificadas por Trump como resposta ao “ativismo judicial” do STF, especialmente contra Alexandre de Moraes, e as tarifas venezuelanas de até 77% impactam setores como construção civil, que viu o financiamento despencar 63% em 2025, e automotivo, com montadoras como Volkswagen e Stellantis ameaçando demitir 5.000 trabalhadores diretos e 50.000 indiretos caso o governo implemente um pacote pró-China.

Essas pressões contribuem para a desvalorização do real (R$ 5,50) e a inflação projetada em 5,5%, segundo o Bradesco.A provocação de Celso Amorim, que comparou Trump à União Soviética no Financial Times, e a denúncia contra Moraes na OEA por supostas violações de direitos humanos intensificam o isolamento do Brasil. A ameaça de sanções sob a Lei Magnitsky contra Moraes, Barroso e Mendes, anunciada pela Casa Branca, adiciona tensão diplomática, com possíveis impactos na confiança dos investidores. A baixa aprovação de Lula (44,3% na América do Sul, segundo a CB Consultoria), contrastando com líderes como Javier Milei (51,8%) e Narendra Modi (75%), reflete o descontentamento com a gestão econômica e as pressões externas.Impactos e PerspectivasO crescimento da dívida, que superou as projeções do PAF, levanta preocupações sobre a sustentabilidade fiscal.
O Tesouro Nacional destacou que o acordo comercial EUA-China em junho trouxe alívio temporário aos juros futuros, mas as incertezas sobre a política tarifária americana, que pode levar a uma recessão nos EUA, mantêm o Brasil vulnerável. A composição da dívida mostra aumento nos títulos indexados a índices de preços (de 27,5% para 28%) e prefixados (de 20,5% para 21,5%), enquanto os atrelados à Selic caíram de 47,8% para 46,9%, refletindo ajustes na estratégia do Tesouro.O governo Lula busca mitigar a crise com negociações diplomáticas para suspender as tarifas americanas e venezuelanas, enquanto aposta nos BRICS para diversificar mercados.
No entanto, a ameaça de demissões na construção e no setor automotivo, somada à alta da dívida, pode agravar a crise social.
A CBIC estima a perda de 250.000 empregos na construção, enquanto a Anfavea alerta para impactos na cadeia automotiva. O governo planeja liberar linhas de crédito emergenciais via Caixa e Banco do Brasil, mas a alta Selic limita a eficácia dessas medidas.ConclusãoCom a DPF em R$ 7,88 trilhões, o Brasil enfrenta um cenário de endividamento crescente, agravado por tarifas externas e crises setoriais. A gestão de Lula precisa equilibrar a defesa da soberania, como expressa por Amorim, com ações para conter a crise econômica e preservar empregos. A ameaça de sanções contra o STF e a baixa popularidade do presidente complicam as negociações, enquanto o fortalecimento dos BRICS surge como alternativa, mas com resultados incertos no curto prazo. A revisão do PAF, prevista para agosto, será crucial para ajustar as metas fiscais e evitar um colapso econômico.


Fontes:

  • Poder360, 28/07/2025
  • CBN, 28/07/2025
  • Ministério da Fazenda, Relatório Mensal da Dívida, 28/07/2025
  • Postagens no X

 

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