A declaração ecoa discursos anteriores do deputado, que já havia ironizado sobre a possibilidade de um porta-aviões americano chegar ao Lago Paranoá, em Brasília, como forma de pressionar o Judiciário brasileiro.
Ao ser indagado se apoiaria uma intervenção militar dos EUA, Eduardo foi enfático: “Eu acho que vale a pena pela pauta da liberdade. Você aceitaria ser escravo para evitar uma guerra? Eu prefiro a guerra. É como Churchill diz naquele caso com Chamberlain.”
Ele reforçou sua visão ao criticar o que chama de “eleições à base de censura” e “ordens secretas” para deletar postagens em redes sociais, argumentando que os EUA, como “farol da liberdade”, não reconheceriam uma “democracia brasileira” sob tais condições.
A entrevista, gravada no estúdio do Metrópoles, foi divulgada horas após o anúncio da condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa e outros crimes relacionados aos eventos de 8 de janeiro de 2023.Contexto: Tensões bilaterais e histórico de intervençõesA fala de Eduardo surge em um momento de alta volatilidade nas relações EUA-Brasil. Na quinta-feira (11), Rubio emitiu uma nota dura classificando o julgamento de Bolsonaro como “caça às bruxas” e prometendo “sanções mais severas”, incluindo possíveis congelamentos de ativos de juízes do STF e tarifas adicionais sobre exportações brasileiras.
O presidente Donald Trump, aliado histórico de Jair Bolsonaro, já havia imposto tarifas de 50% sobre produtos brasileiros em julho, em retaliação ao que chamou de “perseguição política” ao ex-presidente. Eduardo citou uma declaração recente da porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, que afirmou que Trump “não tem medo de usar meios militares para proteger a liberdade de expressão”, como sinal de que sanções diplomáticas podem não bastar no futuro.
O deputado também invocou precedentes históricos. Em 1964, os EUA enviaram uma frota naval ao Brasil, incluindo um porta-aviões e contratorpedeiros, para apoiar o golpe militar que instaurou a ditadura.
Eduardo sugeriu que, em um cenário de “consolidação autoritária”, os EUA poderiam repetir algo semelhante, agora contra o que ele vê como um “regime” liderado pelo presidente Lula. Recentemente, os EUA mobilizaram forças no Caribe, incluindo 10 caças F-35 em Porto Rico e navios de guerra, para operações antinarcóticos contra a Venezuela – um paralelo que Eduardo usou para ilustrar sua hipótese.
Reações no Brasil: Repúdio e acusações de traiçãoA declaração de Eduardo provocou uma onda de críticas no Brasil. O presidente Lula, em Nova York para a Assembleia Geral da ONU, comentou indiretamente: “Alguns filhos de ex-presidentes acham que podem vender o país para interesses estrangeiros. Isso é traição à pátria, e o povo brasileiro não aceita”. O Itamaraty emitiu nota repudiando a fala como “irresponsável e prejudicial à soberania nacional”, alertando que tais declarações incentivam interferências externas e violam a Constituição.
No Congresso, o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), chamou Eduardo de “traidor” e pediu investigação por apologia à invasão estrangeira. Apoiadores de Bolsonaro, no entanto, defenderam a fala em protestos em São Paulo e Brasília, vendo-a como defesa da “liberdade contra o STF”. O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso de Jair Bolsonaro, foi mencionado por Eduardo como exemplo de “abusador de direitos humanos”, ecoando sanções já impostas pelos EUA sob a Lei Magnitsky.Analistas políticos apontam que a declaração aprofunda a polarização. O cientista político Creomar de Souza, da UnB, alertou: “Eduardo está jogando com fogo, usando o contexto de tensões no Caribe para fantasiar uma intervenção. Isso pode isolar o Brasil internacionalmente e fortalecer a narrativa de autoritarismo bolsonarista”. Vídeos da entrevista viralizaram no YouTube, com críticas como “delírio insano” de um canal de esquerda.
Impactos econômicos e geopolíticos: Riscos de escaladaEconomicamente, a retórica de Eduardo coincide com a turbulência nos mercados: o dólar subiu 3% ante o real nesta sexta-feira (12), e ações de exportadoras como JBS e Vale caíram até 4%, temendo novas sanções americanas. Especialistas preveem que menções a intervenções militares possam acelerar restrições a vistos para autoridades brasileiras e congelamentos de ativos, impactando o PIB em até 1,5% em 2026.Geopoliticamente, o episódio remete à Guerra Fria, com os EUA usando poder militar para influenciar a América Latina. No Caribe, a mobilização americana contra Maduro – incluindo caças F-35 e navios – já gerou incidentes, como sobrevoos de caças venezuelanos e ameaças de Trump de abatê-los.
Eduardo parece projetar esse modelo para o Brasil, mas analistas duvidam de viabilidade: “Os EUA priorizam a China e a Ucrânia; uma intervenção no Brasil seria impensável sem provocação grave”, diz o ex-diplomata Rubens Ricupero.A defesa de Jair Bolsonaro, que recorre da condenação, usou a fala de Eduardo para alegar “perseguição política internacional”. Enquanto isso, o mundo observa: essa escalada retórica pode levar a ações concretas, ou é apenas blefe bolsonarista? A resposta definirá o futuro das relações EUA-Brasil em um ano eleitoral volátil.















