Em meio à promessa de tarifaço de 50%, empresários defendem que STF devolva elegibilidade de Bolsonaro, conceda anistia e encerre inquéritos contra a direita

Setores apontam saída diplomática junto a outros grupos para conter crise comercial e criticam isolamento do governo Lula na condução das tratativas com a gestão Trump.

 

A alegação de que empresários brasileiros, assustados com a tarifa de 50% anunciada por Donald Trump sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto de 2025, estão defendendo que o Supremo Tribunal Federal (STF) devolva a elegibilidade de Jair Bolsonaro, conceda anistia a opositores e encerre inquéritos contra lideranças de direita, reflete uma tentativa de setores econômicos de buscar uma solução diplomática para a crise comercial com os Estados Unidos. Esta posição foi reportada por fontes como Conexão Política, O Tempo, e Folha de S.Paulo em 13 de julho de 2025, e amplificada em postagens no X.

Contexto da Crise

  • Tarifa de 50%: Anunciada por Trump em 9 de julho de 2025, a tarifa é justificada por fatores econômicos (como suposto transshipment de produtos chineses via Brasil) e políticos, incluindo críticas ao julgamento de Bolsonaro no STF, acusado de tentativa de golpe após os atos de 8 de janeiro de 2023, e decisões judiciais contra plataformas digitais americanas, como o bloqueio do X em 2024. Trump classificou o julgamento de Bolsonaro como “caça às bruxas” e exigiu seu encerramento.
  • Impacto Econômico: A tarifa afeta setores como pescados (70% das exportações para os EUA), café (20-30% do mercado americano), suco de laranja, mel e aço, com cancelamentos de pedidos já registrados (ex.: 58 contêineres de pescado parados). O dólar subiu 2,3% (de R$ 5,40 para R$ 5,62), pressionando a inflação, que está em 4,9%.
  • Pressão Empresarial: Empresários temem perdas econômicas significativas e criticam a condução de Lula, considerada politizada e confrontacional. Eles sugerem que gestos como a anistia a Bolsonaro poderiam sinalizar “estabilidade institucional” e facilitar negociações com os EUA.

Demandas dos EmpresáriosSetores econômicos, representados por entidades como Esfera Brasil, CNA e Ciesp, defendem três ações principais do STF para apaziguar a crise:

  1. Devolução da Elegibilidade de Bolsonaro: Bolsonaro foi tornado inelegível pelo TSE até 2030 por ataques ao sistema eleitoral. Empresários argumentam que reverter essa decisão poderia reduzir tensões com Trump, que cita o julgamento como motivo para as tarifas.
  2. Anistia a Opositores: A proposta inclui anistiar envolvidos nos atos do 8 de janeiro e outros opositores, como forma de “pacificação” interna e externa, atendendo à pressão de Trump e aliados de Bolsonaro, como Eduardo Bolsonaro, que defende uma “anistia ampla, geral e irrestrita”.
  3. Encerramento de Inquéritos contra a Direita: Empresários pedem o fim de investigações no STF, como as contra Bolsonaro por tentativa de golpe e contra Eduardo Bolsonaro por articulação nos EUA, alegando que essas ações geram instabilidade e afastam investidores internacionais.

Motivações dos Empresários

  • Evitar Guerra Comercial: A tarifa de 50% (e a ameaça de 500% contra importadores de combustíveis russos) pode reduzir exportações brasileiras aos EUA (US$ 40,4 bilhões em 2024, 12% do total) e elevar a inflação, impactando a Selic, que já é alta no governo Lula (média de 12,25-12,5% no mandato atual, a segunda maior do século XXI após 18,7% em 2003-2006).
  • Críticas a Lula: O setor privado considera o discurso de Lula, que promete retaliar via OMC e Brics, ineficaz e politizado. Empresários preferem mediadores como Geraldo Alckmin ou Tarcísio de Freitas, que têm laços com a direita e podem negociar com menos fricção.
  • Pressão Política de Trump: Trump vincula as tarifas a questões políticas, como a suposta perseguição a Bolsonaro e decisões do STF contra plataformas como X, vistas como violações da liberdade de expressão. Empresários acreditam que atender a essas demandas poderia abrir diálogo com os EUA.

Reações e Obstáculos

  • Governo Lula: Lula rejeita interferências no STF, chamando as tarifas de “chantagem” e prometendo retaliar com base na Lei da Reciprocidade Econômica. Ele convocou reuniões de emergência, mas evita diálogo direto com empresários, priorizando sua base política.
  • STF: Ministros como Luís Roberto Barroso e Flávio Dino reafirmam a independência do tribunal, mantendo o julgamento de Bolsonaro para agosto/setembro de 2025, com risco de condenação por até 40 anos. Eles rejeitam pressões externas, e a proposta de Tarcísio de enviar Bolsonaro aos EUA para negociar foi negada por risco de fuga.
  • Bolsonarismo: Jair e Eduardo Bolsonaro vinculam a solução da crise à anistia, com Eduardo sugerindo sanções americanas contra Alexandre de Moraes via Lei Magnitsky. Isso gerou reações, como pedidos de prisão de Eduardo por governistas, que o acusam de trair a soberania nacional.
  • Congresso: Líderes da Câmara e do Senado, como Hugo Motta e Davi Alcolumbre, resistem à pressão por anistia, priorizando negociações comerciais. Um projeto de anistia protocolado pelo PL enfrenta oposição da base governista.

Relação com Juros Altos no Governo LulaAs tarifas de 50% amplificam as pressões inflacionárias, já que a redução das exportações e a alta do dólar (R$ 5,62) podem elevar preços domésticos. Isso reforça a manutenção da Selic em patamares elevados (12,25-12,5% no atual mandato de Lula), que já é a segunda maior média do século XXI, atrás apenas dos 18,7% de 2003-2006. A crise comercial pode limitar cortes na taxa de juros, prejudicando o crescimento econômico, o que aumenta a ansiedade do setor privado por uma solução rápida.

Análise Crítica

  • Viabilidade das Demandas: A pressão empresarial por anistia e elegibilidade de Bolsonaro enfrenta resistência no STF, que prioriza a soberania judicial, e no Congresso, onde a base de Lula bloqueia iniciativas do PL. Advogados consultados pela Gazeta do Povo sugerem que as ameaças de Trump podem endurecer a postura do STF contra Bolsonaro.
  • Risco de Politização: A vinculação da crise comercial ao julgamento de Bolsonaro, como defendem empresários e bolsonaristas, pode aprofundar a polarização, dificultando negociações diplomáticas. A proposta de Tarcísio de enviar Bolsonaro aos EUA foi vista como “esdrúxula” por ministros do STF.
  • Impacto Econômico Limitado: Apesar dos cancelamentos de pedidos (ex.: pescados, café), as exportações brasileiras aos EUA representam menos de 2% do PIB, e a diversificação para mercados como China e UE pode mitigar perdas. A pressão empresarial pode ser mais motivada por receios de longo prazo do que por impactos imediatos.

ConclusãoEmpresários, alarmados com as tarifas de 50% de Trump, defendem que o STF devolva a elegibilidade de Bolsonaro, conceda anistia e encerre inquéritos contra a direita como gestos para apaziguar os EUA e proteger exportações. A proposta reflete críticas à condução de Lula, considerada confrontacional, mas enfrenta resistência do STF e da base governista, que rejeitam ceder à pressão externa. A crise pode manter a Selic elevada, agravando os desafios econômicos do governo Lula.

Para mais informações, consulte Conexão Política (13/07/2025), Folha de S.Paulo (11/07/2025) ou BBC News Brasil (10/07/2025).
Grok/X

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