Setores apontam saída diplomática junto a outros grupos para conter crise comercial e criticam isolamento do governo Lula na condução das tratativas com a gestão Trump.
Contexto da Crise
- Tarifa de 50%: Anunciada por Trump em 9 de julho de 2025, a tarifa é justificada por fatores econômicos (como suposto transshipment de produtos chineses via Brasil) e políticos, incluindo críticas ao julgamento de Bolsonaro no STF, acusado de tentativa de golpe após os atos de 8 de janeiro de 2023, e decisões judiciais contra plataformas digitais americanas, como o bloqueio do X em 2024. Trump classificou o julgamento de Bolsonaro como “caça às bruxas” e exigiu seu encerramento.
- Impacto Econômico: A tarifa afeta setores como pescados (70% das exportações para os EUA), café (20-30% do mercado americano), suco de laranja, mel e aço, com cancelamentos de pedidos já registrados (ex.: 58 contêineres de pescado parados). O dólar subiu 2,3% (de R$ 5,40 para R$ 5,62), pressionando a inflação, que está em 4,9%.
- Pressão Empresarial: Empresários temem perdas econômicas significativas e criticam a condução de Lula, considerada politizada e confrontacional. Eles sugerem que gestos como a anistia a Bolsonaro poderiam sinalizar “estabilidade institucional” e facilitar negociações com os EUA.
Demandas dos EmpresáriosSetores econômicos, representados por entidades como Esfera Brasil, CNA e Ciesp, defendem três ações principais do STF para apaziguar a crise:
- Devolução da Elegibilidade de Bolsonaro: Bolsonaro foi tornado inelegível pelo TSE até 2030 por ataques ao sistema eleitoral. Empresários argumentam que reverter essa decisão poderia reduzir tensões com Trump, que cita o julgamento como motivo para as tarifas.
- Anistia a Opositores: A proposta inclui anistiar envolvidos nos atos do 8 de janeiro e outros opositores, como forma de “pacificação” interna e externa, atendendo à pressão de Trump e aliados de Bolsonaro, como Eduardo Bolsonaro, que defende uma “anistia ampla, geral e irrestrita”.
- Encerramento de Inquéritos contra a Direita: Empresários pedem o fim de investigações no STF, como as contra Bolsonaro por tentativa de golpe e contra Eduardo Bolsonaro por articulação nos EUA, alegando que essas ações geram instabilidade e afastam investidores internacionais.
Motivações dos Empresários
- Evitar Guerra Comercial: A tarifa de 50% (e a ameaça de 500% contra importadores de combustíveis russos) pode reduzir exportações brasileiras aos EUA (US$ 40,4 bilhões em 2024, 12% do total) e elevar a inflação, impactando a Selic, que já é alta no governo Lula (média de 12,25-12,5% no mandato atual, a segunda maior do século XXI após 18,7% em 2003-2006).
- Críticas a Lula: O setor privado considera o discurso de Lula, que promete retaliar via OMC e Brics, ineficaz e politizado. Empresários preferem mediadores como Geraldo Alckmin ou Tarcísio de Freitas, que têm laços com a direita e podem negociar com menos fricção.
- Pressão Política de Trump: Trump vincula as tarifas a questões políticas, como a suposta perseguição a Bolsonaro e decisões do STF contra plataformas como X, vistas como violações da liberdade de expressão. Empresários acreditam que atender a essas demandas poderia abrir diálogo com os EUA.
Reações e Obstáculos
- Governo Lula: Lula rejeita interferências no STF, chamando as tarifas de “chantagem” e prometendo retaliar com base na Lei da Reciprocidade Econômica. Ele convocou reuniões de emergência, mas evita diálogo direto com empresários, priorizando sua base política.
- STF: Ministros como Luís Roberto Barroso e Flávio Dino reafirmam a independência do tribunal, mantendo o julgamento de Bolsonaro para agosto/setembro de 2025, com risco de condenação por até 40 anos. Eles rejeitam pressões externas, e a proposta de Tarcísio de enviar Bolsonaro aos EUA para negociar foi negada por risco de fuga.
- Bolsonarismo: Jair e Eduardo Bolsonaro vinculam a solução da crise à anistia, com Eduardo sugerindo sanções americanas contra Alexandre de Moraes via Lei Magnitsky. Isso gerou reações, como pedidos de prisão de Eduardo por governistas, que o acusam de trair a soberania nacional.
- Congresso: Líderes da Câmara e do Senado, como Hugo Motta e Davi Alcolumbre, resistem à pressão por anistia, priorizando negociações comerciais. Um projeto de anistia protocolado pelo PL enfrenta oposição da base governista.
Relação com Juros Altos no Governo LulaAs tarifas de 50% amplificam as pressões inflacionárias, já que a redução das exportações e a alta do dólar (R$ 5,62) podem elevar preços domésticos. Isso reforça a manutenção da Selic em patamares elevados (12,25-12,5% no atual mandato de Lula), que já é a segunda maior média do século XXI, atrás apenas dos 18,7% de 2003-2006. A crise comercial pode limitar cortes na taxa de juros, prejudicando o crescimento econômico, o que aumenta a ansiedade do setor privado por uma solução rápida.
Análise Crítica
- Viabilidade das Demandas: A pressão empresarial por anistia e elegibilidade de Bolsonaro enfrenta resistência no STF, que prioriza a soberania judicial, e no Congresso, onde a base de Lula bloqueia iniciativas do PL. Advogados consultados pela Gazeta do Povo sugerem que as ameaças de Trump podem endurecer a postura do STF contra Bolsonaro.
- Risco de Politização: A vinculação da crise comercial ao julgamento de Bolsonaro, como defendem empresários e bolsonaristas, pode aprofundar a polarização, dificultando negociações diplomáticas. A proposta de Tarcísio de enviar Bolsonaro aos EUA foi vista como “esdrúxula” por ministros do STF.
- Impacto Econômico Limitado: Apesar dos cancelamentos de pedidos (ex.: pescados, café), as exportações brasileiras aos EUA representam menos de 2% do PIB, e a diversificação para mercados como China e UE pode mitigar perdas. A pressão empresarial pode ser mais motivada por receios de longo prazo do que por impactos imediatos.
ConclusãoEmpresários, alarmados com as tarifas de 50% de Trump, defendem que o STF devolva a elegibilidade de Bolsonaro, conceda anistia e encerre inquéritos contra a direita como gestos para apaziguar os EUA e proteger exportações. A proposta reflete críticas à condução de Lula, considerada confrontacional, mas enfrenta resistência do STF e da base governista, que rejeitam ceder à pressão externa. A crise pode manter a Selic elevada, agravando os desafios econômicos do governo Lula.















