Empresários Podem Deixar o Brasil Devido a Condições Econômicas Desfavoráveis em 2025

São Paulo, 22 de julho de 2025 – Um número crescente de empresários brasileiros considera deixar o país em busca de melhores condições econômicas, segurança e qualidade de vida, segundo relatos recentes e análises de especialistas.
A combinação de alta carga tributária, burocracia excessiva, instabilidade política e um cenário econômico desafiador tem alimentado um movimento de emigração de profissionais qualificados e donos de negócios, especialmente para países como Portugal, Estados Unidos e Canadá.Contexto Econômico e DesafiosA economia brasileira enfrenta ventos contrários em 2025, com projeções de crescimento do PIB reduzidas para 2,3%, segundo a Allianz Trade, após um desempenho robusto de 3,4% em 2024.
Fatores como altas taxas de juros, que atingiram 12,25% no final de 2024, e uma desvalorização de 27% do real em 2024, conforme apontado pela Eurasia Group, têm pressionado as finanças das empresas e desestimulado investimentos. A dívida pública, que subiu de 73,8% para 76,5% do PIB em 2024, também gera preocupações com a sustentabilidade fiscal, exigindo ajustes primários de até 3% do PIB para estabilizar a trajetória da dívida.

O chamado “Custo Brasil” continua sendo um obstáculo significativo. Segundo a TMF Group, a complexidade regulatória, a alta carga tributária e os elevados custos operacionais tornam o Brasil o terceiro ambiente de negócios mais complexo do mundo. A burocracia para abrir e manter empresas, aliada à percepção de corrupção e à falta de reformas estruturais, desencoraja empreendedores. Além disso, a recente imposição de tarifas de 25% sobre exportações brasileiras de aço e alumínio pelos Estados Unidos, conforme relatado pela Coface, pode reduzir a competitividade de setores-chave, impactando negativamente as receitas de exportação.

Êxodo de Talentos e CapitalA emigração de empresários e profissionais qualificados não é um fenômeno novo, mas ganhou força nos últimos anos. Um artigo da Americas Quarterly destaca que, além de razões econômicas, muitos empresários buscam segurança e melhores condições de educação para seus filhos em países como Portugal e os EUA. A possibilidade de trabalho remoto, intensificada desde a pandemia, facilita a decisão de manter operações no Brasil enquanto residem no exterior. Por exemplo, executivos relatam preferir cidades como Lisboa, onde escolas públicas são de qualidade e a segurança é maior, mesmo que mantenham cargos em São Paulo ou Rio de Janeiro.

A saída de empresários tem impactos significativos. A Americas Quarterly aponta que a emigração de profissionais qualificados gera efeitos em cascata, como a perda de redes de contatos, ideias e capacidade de gerar empregos e impostos. A informalidade, que representa 48,3 milhões de empregos no Brasil, segundo o IBGE, também prejudica a competitividade, já que empresas informais operam com custos menores, mas criam riscos legais para as formais.

Repercussão e Sentimento PúblicoNas redes sociais, o debate sobre a saída de empresários ganhou destaque após declarações do deputado Eduardo Bolsonaro, que sugeriu que empresários brasileiros afetados pela tributação deveriam fechar suas fábricas no Brasil e abrir negócios nos EUA. A fala gerou críticas de usuários no X, que classificaram a proposta como “traição à pátria” e destacaram o impacto negativo da perda de empregos no Brasil. Outros, como o usuário

@RobertoReis

, expressaram preocupação com a falta de ação dos setores público e privado para evitar a deterioração econômica, sugerindo que os empresários precisam se organizar para evitar uma crise maior em 2026.

Perspectivas e AlternativasApesar dos desafios, há iniciativas para melhorar o ambiente de negócios. O governo brasileiro implementou reformas, como a lei de “Doing Business” de 2021, que simplifica a abertura de empresas, e novas regras de preços de transferência em 2023, que reduzem a dupla tributação para multinacionais. Além disso, investimentos em infraestrutura, como rodovias e portos, são esperados para impulsionar a produtividade e criar empregos, segundo a TMF Group.

No entanto, especialistas enfatizam que reformas mais ambiciosas são necessárias. A Coface destaca que a fragmentação política dificulta mudanças estruturais, especialmente na educação, que é essencial para aumentar a produtividade. O World Economic Forum sugere que investimentos em inovação social, como os liderados por empreendedores como Ana Fontes, da Rede Mulher Empreendedora, podem criar oportunidades inclusivas e mitigar a emigração ao fortalecer comunidades locais.

ConclusãoA possibilidade de empresários deixarem o Brasil reflete um cenário econômico e político desafiador, marcado por alta tributação, burocracia e incertezas fiscais. Embora o país tenha potencial para se tornar uma potência econômica, com abundantes recursos naturais e um grande mercado consumidor, a falta de reformas estruturais e a instabilidade política continuam a afastar talentos e investimentos. A saída de empresários pode agravar a crise econômica e social, mas também abre espaço para debates sobre como tornar o Brasil mais competitivo e atrativo para negócios. Sem ações concretas, o risco de uma fuga de capitais e talentos pode comprometer as perspectivas de crescimento de longo prazo.


Fontes:

  • World Bank
    Americas Quarterly
    Coface
    TMF Group
    Allianz Trade
    Eurasia Group
    Posts no X

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