O chamado “Custo Brasil” continua sendo um obstáculo significativo. Segundo a TMF Group, a complexidade regulatória, a alta carga tributária e os elevados custos operacionais tornam o Brasil o terceiro ambiente de negócios mais complexo do mundo. A burocracia para abrir e manter empresas, aliada à percepção de corrupção e à falta de reformas estruturais, desencoraja empreendedores. Além disso, a recente imposição de tarifas de 25% sobre exportações brasileiras de aço e alumínio pelos Estados Unidos, conforme relatado pela Coface, pode reduzir a competitividade de setores-chave, impactando negativamente as receitas de exportação.
Êxodo de Talentos e CapitalA emigração de empresários e profissionais qualificados não é um fenômeno novo, mas ganhou força nos últimos anos. Um artigo da Americas Quarterly destaca que, além de razões econômicas, muitos empresários buscam segurança e melhores condições de educação para seus filhos em países como Portugal e os EUA. A possibilidade de trabalho remoto, intensificada desde a pandemia, facilita a decisão de manter operações no Brasil enquanto residem no exterior. Por exemplo, executivos relatam preferir cidades como Lisboa, onde escolas públicas são de qualidade e a segurança é maior, mesmo que mantenham cargos em São Paulo ou Rio de Janeiro.
A saída de empresários tem impactos significativos. A Americas Quarterly aponta que a emigração de profissionais qualificados gera efeitos em cascata, como a perda de redes de contatos, ideias e capacidade de gerar empregos e impostos. A informalidade, que representa 48,3 milhões de empregos no Brasil, segundo o IBGE, também prejudica a competitividade, já que empresas informais operam com custos menores, mas criam riscos legais para as formais.
Repercussão e Sentimento PúblicoNas redes sociais, o debate sobre a saída de empresários ganhou destaque após declarações do deputado Eduardo Bolsonaro, que sugeriu que empresários brasileiros afetados pela tributação deveriam fechar suas fábricas no Brasil e abrir negócios nos EUA. A fala gerou críticas de usuários no X, que classificaram a proposta como “traição à pátria” e destacaram o impacto negativo da perda de empregos no Brasil. Outros, como o usuário
, expressaram preocupação com a falta de ação dos setores público e privado para evitar a deterioração econômica, sugerindo que os empresários precisam se organizar para evitar uma crise maior em 2026.
No entanto, especialistas enfatizam que reformas mais ambiciosas são necessárias. A Coface destaca que a fragmentação política dificulta mudanças estruturais, especialmente na educação, que é essencial para aumentar a produtividade. O World Economic Forum sugere que investimentos em inovação social, como os liderados por empreendedores como Ana Fontes, da Rede Mulher Empreendedora, podem criar oportunidades inclusivas e mitigar a emigração ao fortalecer comunidades locais.
ConclusãoA possibilidade de empresários deixarem o Brasil reflete um cenário econômico e político desafiador, marcado por alta tributação, burocracia e incertezas fiscais. Embora o país tenha potencial para se tornar uma potência econômica, com abundantes recursos naturais e um grande mercado consumidor, a falta de reformas estruturais e a instabilidade política continuam a afastar talentos e investimentos. A saída de empresários pode agravar a crise econômica e social, mas também abre espaço para debates sobre como tornar o Brasil mais competitivo e atrativo para negócios. Sem ações concretas, o risco de uma fuga de capitais e talentos pode comprometer as perspectivas de crescimento de longo prazo.
Fontes:
- World Bank
Americas QuarterlyCofaceTMF GroupAllianz TradeEurasia GroupPosts no X















