Enquanto o Brasil Agoniza com Lula, a Argentina Decola com Javier Milei

A América Latina vive um momento de contrastes gritantes. Enquanto o Brasil enfrenta desafios econômicos e políticos sob o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, a Argentina de Javier Milei parece estar encontrando um novo rumo. Essa dicotomia entre os dois países vizinhos revela visões opostas de gestão, com resultados que alimentam debates acalorados sobre o futuro da região.
Brasil: Um Gigante em Crise?
Desde que voltou ao poder em 2023, Lula prometeu retomar o crescimento econômico e reduzir desigualdades. De fato, o Brasil alcançou em 2024 o maior PIB per capita de sua história, após uma década de estagnação. Programas sociais robustos, como o Bolsa Família, receberam elogios internacionais por reduzir a pobreza e fortalecer a rede de proteção social. No entanto, esses avanços são ofuscados por uma percepção crescente de pessimismo doméstico.
A inflação persistente e a falta de controle sobre os gastos públicos têm gerado preocupações. Analistas apontam que o endividamento descontrolado pode levar o Brasil a uma crise semelhante à enfrentada pela Argentina no passado. A política externa de Lula, focada no fortalecimento do Sul Global e em alianças como o Mercosur, também enfrenta críticas por não priorizar parcerias estratégicas com potências como os Estados Unidos, especialmente após a reeleição de Donald Trump. Essa postura, segundo críticos, distancia o Brasil de acordos comerciais mais amplos, como os que a Argentina agora busca com a OCDE.
A polarização política interna agrava o cenário. Apesar dos avanços sociais, o governo Lula parece incapaz de comunicar suas conquistas de forma eficaz, perdendo terreno para narrativas oposicionistas que apontam para um país à beira do colapso econômico.
Argentina: O Renascimento sob Milei
Na outra ponta, a Argentina de Javier Milei vive uma transformação radical. Desde que assumiu a presidência em dezembro de 2023, o economista libertário implementou medidas drásticas de austeridade, cortando gastos públicos e reduzindo a inflação de 25,5% ao mês para 2,4%. A economia argentina, que esteve à beira do abismo, saiu da recessão e projeta um crescimento impressionante de 8,5% no PIB. O peso argentino, agora chamado de “superpeso”, valorizou-se 40% no último ano, sinalizando confiança renovada dos mercados.
Milei também conquistou vitórias políticas, como o apoio majoritário nas eleições legislativas de Buenos Aires, e atraiu investimentos estrangeiros com sua agenda pró-mercado. Sua aproximação com líderes como Donald Trump e o impulso para integrar a OCDE colocam a Argentina em uma posição de destaque no cenário global, contrastando com a abordagem mais regionalista do Brasil.
No entanto, nem tudo são flores. As reformas de Milei, embora eficazes em estabilizar a economia, impuseram custos sociais pesados. Cerca de 11,3 milhões de argentinos, incluindo 52% das crianças menores de 14 anos, ainda vivem abaixo da linha da pobreza. Os cortes em salários do setor público e pensões desencadearam protestos, especialmente entre aposentados, que sofrem com a perda de poder aquisitivo. A recessão profunda causada pela austeridade também limitou os ganhos reais para a população, apesar da valorização do peso.
Um Confronto de Modelos
A comparação entre Brasil e Argentina revela dois caminhos distintos. Lula aposta em políticas sociais e na integração regional, mas enfrenta dificuldades para equilibrar as contas públicas e recuperar a confiança de investidores. Milei, por outro lado, prioriza a disciplina fiscal e a abertura econômica, colhendo resultados rápidos, mas às custas de um impacto social severo.
Críticos de Lula apontam que o Brasil está “agonizando” devido à falta de reformas estruturais e à polarização política. Já os defensores de Milei celebram a “decolagem” argentina, embora reconheçam que a desigualdade e a pobreza continuam sendo desafios críticos. A retórica de Milei contra o Mercosur, que ele acusa de beneficiar principalmente os industriais brasileiros, também expõe tensões regionais que podem redefinir o equilíbrio de poder na América do Sul.
O Futuro da Região
Enquanto o Brasil luta para manter sua posição como líder regional, a Argentina de Milei parece ganhar fôlego em uma corrida por relevância global. No entanto, ambos os países enfrentam dilemas complexos: o Brasil precisa conter o endividamento sem sacrificar seus avanços sociais, enquanto a Argentina deve encontrar maneiras de tornar seu crescimento mais inclusivo.
A narrativa de que o Brasil “agoniza” enquanto a Argentina “decola” é, em parte, uma simplificação. Ambos os países estão em encruzilhadas, com lições a aprender um do outro. O sucesso de Lula e Milei dependerá de sua capacidade de equilibrar crescimento econômico com justiça social, em um contexto global cada vez mais competitivo.
Grok/X

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