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Desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2023, as estatais federais brasileiras registraram um aumento significativo em verbas destinadas a publicidade e patrocínios, reacendendo debates sobre o possível uso de recursos públicos para promover a imagem do presidente. Segundo dados apurados, as seis maiores estatais controladas pelo governo federal – Petrobras, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Correios e BNDES – elevaram seus gastos com patrocínios de R$ 351,5 milhões em 2023 para R$ 977,6 milhões em 2024, um aumento de mais de 250% em relação ao ano anterior, já corrigido pela inflação. Esse montante também supera os R$ 275,8 milhões registrados em 2022, último ano do governo Jair Bolsonaro (PL).
Crescimento Acelerado e Foco em Eventos O aumento expressivo foi impulsionado, em parte, pelas Olimpíadas de Paris em 2024, com patrocínios esportivos ganhando destaque. No entanto, as estatais também ampliaram investimentos em cultura e eventos regionais, muitos dos quais associados a aliados políticos do governo. Por exemplo, a Caixa anunciou R$ 160 milhões para esportes paralímpicos em 2024, enquanto os Correios elevaram seus contratos de R$ 3,5 milhões em 2023 para R$ 33,8 milhões em 2024, um salto significativo após anos de redução sob a gestão anterior, que priorizava a privatização da empresa.
Críticas apontam que esses patrocínios, embora justificados como estratégias de mercado, podem estar sendo usados para fortalecer a imagem de Lula, especialmente em eventos ligados ao PT ou em regiões estratégicas para a base aliada. Postagens no X, como uma da Revista Oeste em 27 de maio de 2025, sugerem que estatais estariam direcionando verbas para promover o presidente em eventos partidários, embora sem evidências documentais específicas. Outra postagem, de 19 de maio de 2025, questiona gastos da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) com viagens internacionais da primeira-dama Janja da Silva, apontando suposto uso de recursos públicos para “turbinar” a imagem de Lula em pré-campanha.
Falta de Transparência A ausência de dados detalhados sobre os gastos das estatais com publicidade é um ponto de controvérsia. Desde 2017, no governo Michel Temer, os dados de publicidade de empresas públicas deixaram de ser centralizados pelo Instituto para Acompanhamento da Publicidade (IAP), dificultando o rastreamento. A Controladoria-Geral da União (CGU) informou que o Portal da Transparência permite filtrar alguns gastos, mas não inclui informações completas sobre estatais, como Petrobras ou Banco do Brasil. Essa opacidade alimenta suspeitas de que os recursos podem estar sendo usados para fins políticos, sem a devida fiscalização.
Defesa do Governo O governo e as estatais afirmam que os patrocínios seguem critérios técnicos e estão alinhados com estratégias de mercado. A Secretaria de Comunicação Social (Secom) destacou que as estatais têm autonomia para definir suas políticas de patrocínio, e a Petrobras justificou o aumento como parte de uma mudança de estratégia, abandonando a política de desinvestimento do governo anterior. Os Correios, por sua vez, argumentaram que os investimentos são necessários para competir com grandes concorrentes no mercado.
Contexto Político O aumento nos gastos ocorre em um momento de esforços do governo Lula para recuperar popularidade, após desafios como as enchentes no Rio Grande do Sul e críticas do setor agropecuário. Medidas como isenção de contas de luz, distribuição de botijões de gás e novos programas de crédito, anunciados em maio de 2025, foram interpretados por alguns como estratégias eleitoreiras. Nesse contexto, o uso de verbas de estatais para eventos de visibilidade pode ser visto como parte de um esforço mais amplo para reforçar a imagem do presidente, especialmente com as eleições de 2026 no horizonte.
Críticas e Repercussão Especialistas em transparência pública, como Gil Castello Branco, da ONG Contas Abertas, alertam que a falta de detalhamento nos gastos das estatais prejudica a accountability e pode facilitar o uso político de recursos públicos. Parlamentares de oposição, como os citados em postagens no X, acusam o governo de incoerência, lembrando que Lula criticou o sigilo de dados no governo Bolsonaro, mas mantém práticas semelhantes, como a restrição de acesso a 16 milhões de documentos sobre repasses públicos em 2025, sob a justificativa de adequação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Conclusão Embora o aumento nos gastos com publicidade e patrocínios pelas estatais seja justificado pelo governo como parte de estratégias comerciais, a falta de transparência e a proximidade com eventos de cunho político levantam questionamentos sobre o uso dessas verbas para promover a imagem de Lula. Enquanto o governo nega irregularidades, a ausência de dados detalhados e a percepção de direcionamento político mantêm o tema sob escrutínio, especialmente em um cenário de polarização e desafios econômicos.
Fontes:
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Folha de S.Paulo, 24/05/2025
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GP1, 25/05/2025
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Postagens no X, maio de 2025
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Poder360, 14/12/2022
Nota: As informações baseadas em postagens no X são inconclusivas e refletem apenas sentimentos ou alegações, não fatos confirmados. Para detalhes adicionais, consulte o Portal da Transparência (www.transparencia.gov.br) (www.transparencia.gov.br) ou comunicados oficiais das estatais.
GROK/X















