Estatais batem recorde de rombo dos últimos 10 anos no governo Lula

Com base em dados do Banco Central (BC). Sim, as empresas estatais federais, estaduais e municipais registraram déficits recordes durante o terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (iniciado em janeiro de 2023), superando os piores resultados dos últimos 10 anos (2015-2024).
No entanto, é importante contextualizar: os números variam conforme a metodologia (déficit primário ou prejuízo contábil), e o governo argumenta que parte do rombo reflete investimentos e aportes herdados de gestões anteriores, sem impacto imediato no Tesouro Nacional. Abaixo, explico os dados principais, com base em relatórios oficiais e análises de fontes variadas, incluindo veículos de mídia crítica ao governo (como Gazeta do Povo e Revista Oeste) e mais neutros (como Poder360 e Folha de S.Paulo), para representar perspectivas equilibradas.
Dados Principais sobre o Déficit das EstataisOs relatórios do BC focam no déficit primário (diferença entre receitas e despesas, excluindo juros da dívida), considerando estatais não financeiras (excluindo Petrobras, Eletrobras e bancos públicos como BB e Caixa, devido à sua governança similar a empresas privadas). A série histórica inicia em 2002. Aqui vai um resumo comparativo dos déficits acumulados, ajustados pela inflação onde aplicável:
Período
Déficit Total (R$ bilhões, nominais ou ajustados)
Detalhes Principais
Governo Lula 3 (2023-2024, acumulado até agosto 2024)
R$ 9,76 (ajustado pela inflação a preços de setembro 2024)
Maior rombo do século em menos de 2 anos. Federais: R$ 3,45; Estaduais: R$ 3,90. Aumento de 334,7% vs. 2023.
2024 (janeiro a outubro 2024)
R$ 7,76 (nominais)
Recorde para o período desde 2002. Federais: R$ 4,1 (até setembro); Estaduais/Municipais: R$ 3,3.
2024 (ano fechado)
R$ 6,7 (déficit primário federais)
Maior em 15 anos (pior que 2009). 11 de 20 estatais deficitárias; Correios respondem por ~R$ 2,1.
2023 (ano fechado)
R$ 2,43 (nominais)
Inversão do superávit de R$ 31,1 do governo Bolsonaro (2019-2022).
Janeiro a agosto 2024 (comparação histórica)
R$ 7,2 (nominais)
Maior da série histórica (2002-2024). 2º pior ano completo: 2014 (R$ 7,47, governo Dilma).
Governo Dilma 1º mandato (2003-2006, ajustado)
R$ 8,86
Anterior recorde negativo do século.
Governo Bolsonaro (2019-2022)
Superávit de R$ 31,1
Impulsionado por aportes de R$ 15 bi (Temer + Bolsonaro).
2025 (janeiro a abril 2025)
R$ 2,73 (nominais, federais)
Recorde para o período em 23 anos; aumento de 62,8% vs. 2024. Todos os meses de Lula 3 deficitários.

 

  • Estatais mais impactadas em 2024: Correios (R$ 2,1 bi de prejuízo, após lucros em 2021); Emgepron (projetos navais); Emgea (gestão de ativos); Infraero (aeroportos); Codevasf (obras regionais). Juntas, representam grande parte do rombo federais.
  • Projeção para fim de 2024: Déficit federais em R$ 3,7 bi, pior desde 2009.

    Comparação com últimos 10 anos: De 2015 (fim de Dilma 2) a 2022 (Bolsonaro), os déficits foram menores ou superávits predominaram, exceto picos em 2015-2016 (crise econômica). O rombo de 2024 (R$ 7,2 bi até agosto) supera qualquer período similar nos últimos 10 anos, confirmando o “recorde”.

Explicações e Causas Citadas

  • Visão Crítica (Oposição e Analistas Liberais): O rombo é atribuído a má gestão, indicações políticas e uso das estatais para fins eleitoreiros ou de indução econômica, sem foco em eficiência. Economistas como Elena Landau (ex-governo FHC) e Gabriel Barros (ARX Investimentos) criticam a falta de transparência (boletins trimestrais não publicados desde 2023) e veem o déficit como pressão na dívida pública (que subiu para 78,3% do PIB em setembro 2024). O líder oposicionista Rogério Marinho (PL-RN) chamou o governo de “praga de gafanhotos”. Especialistas notam que déficits se concentram em governos petistas (Lula 1/2 e Dilma).
  • Visão do Governo: O Ministério da Gestão (Esther Dweck) argumenta que o déficit primário ignora caixas acumulados de anos anteriores (ex.: aportes de R$ 15 bi em 2018-2019) e reflete investimentos em crescimento (ex.: infraestrutura), que geram receitas futuras. Não há necessidade imediata de aporte do Tesouro, e o rombo não afeta o equilíbrio fiscal. Em dezembro 2024, Lula assinou decretos para o “Inova” (modernização de governança) e transição para autonomia de 17 estatais dependentes, via contratos de gestão.
  • Fatores Externos: Queda no preço do petróleo afeta receitas indiretas; regulação (ex.: taxação de importações impacta Correios); e herança de privatizações paradas (ex.: Correios tirados da lista em 2023).

Contexto Maior e Implicações

  • Impacto nas Contas Públicas: Apesar de excluídas da meta fiscal (LDO), as estatais pressionam a dívida bruta (de 72% do PIB em 2022 para 78% em 2024). Analistas da IFI (Senado) alertam que o Tesouro acaba bancando via endividamento indireto.
  • Diferenças Metodológicas: Há divergências entre BC (foco em necessidade de financiamento) e Ministério da Gestão (prejuízo contábil: R$ 5,3 bi em 2024 para 27 federais). Comparações com lucros de 2021 (R$ 187,7 bi, impulsionados por Petrobras) são enviesadas, pois incluem empresas excluídas agora.
  • Tendência em 2025: Até abril, rombo de R$ 2,73 bi (recorde para o período), sugerindo continuidade sem reformas profundas.

Em resumo, a afirmação é verdadeira com base nos dados do BC, confirmando recordes negativos nos últimos 10 anos. No entanto, o debate é polarizado: críticos veem ineficiência gerencial, enquanto o governo enfatiza investimentos estratégicos. Para uma visão completa, recomendo consultar os relatórios originais do BC (disponíveis em seu site). 

Mostrar mais artigos relacionados
Mostrar mais em Economia
.