Estudo Revela Queda de 3,2% nas Vendas do Varejo Alimentar no Primeiro Semestre de 2025

São Paulo, 22 de julho de 2025 – As vendas no varejo alimentar brasileiro registraram uma queda de 3,2% no primeiro semestre de 2025 em comparação com o mesmo período de 2024, segundo estudo divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
O resultado reflete a combinação de inflação persistente, aumento do desemprego e redução do poder de compra das famílias, que têm priorizado gastos essenciais em detrimento de compras não essenciais no setor de alimentos.Desempenho do SetorDe acordo com a CNC, o volume de vendas no varejo alimentar, que inclui supermercados, açougues e padarias, caiu de forma acentuada em todas as regiões do país, com destaque para o Nordeste (-4,1%) e o Sudeste (-3,5%).
O segmento de alimentos básicos, como arroz, feijão e carne, foi particularmente afetado, com uma retração de 5,8% em relação ao primeiro semestre de 2024, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já produtos de maior valor agregado, como itens gourmet e bebidas importadas, sofreram uma queda ainda mais significativa, de 7,4%, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras).
A inflação alimentar, que acumula alta de 6,3% nos primeiros seis meses de 2025, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi apontada como o principal fator para a redução do consumo. Itens como carne bovina (+12,1%) e leite (+9,8%) lideraram os aumentos de preços, pressionando o orçamento das famílias.
Além disso, o desemprego, que subiu para 8,9% no segundo trimestre de 2025, conforme o IBGE, contribuiu para a diminuição da renda disponível, especialmente entre as classes C e D.Impactos nas Famílias e no SetorO estudo da CNC destaca que 62% dos consumidores entrevistados reduziram a compra de alimentos não essenciais, como sobremesas e snacks, enquanto 45% relataram substituir marcas premium por alternativas mais baratas. “As famílias estão comprando menos e buscando promoções, o que impacta diretamente a margem de lucro dos varejistas”, afirmou Fabio Bentes, economista-chefe da CNC, em entrevista ao Estadão.
Pequenos comércios, como mercearias de bairro, foram os mais afetados, com uma queda de 6,5% nas vendas, enquanto grandes redes de supermercados registraram perdas menores, de 2,8%, devido à maior capacidade de oferecer descontos.A Abras alertou que a queda nas vendas pode levar ao fechamento de lojas e à redução de empregos no setor, que emprega cerca de 3,2 milhões de trabalhadores no Brasil. Em 2025, 15% das pequenas e médias empresas do varejo alimentar relataram dificuldades para manter as portas abertas, segundo pesquisa da associação.
Fatores Externos e RegionaisAlém da inflação e do desemprego, fatores climáticos e logísticos também contribuíram para a crise. A seca no Centro-Oeste e as chuvas intensas no Sul comprometeram a produção de grãos e hortaliças, elevando os custos de matérias-primas. O aumento do preço dos combustíveis, que subiu 8,4% no semestre, encareceu o transporte de mercadorias, impactando os preços finais. No Nordeste, a redução de programas sociais, como o Bolsa Família, que teve cortes orçamentários de 10% em 2025, segundo o G1, limitou o consumo em áreas mais dependentes de transferências de renda.
Reações e PerspectivasA notícia gerou preocupação entre varejistas e consumidores. Em posts no X, usuários lamentaram a alta nos preços dos alimentos e a dificuldade de manter uma cesta básica acessível, com comentários como “O mercado está impossível, e o salário não acompanha” (

@MariaSilvaSP

). Entidades do setor, como a Abras, cobram medidas do governo para conter a inflação e estimular o consumo, como a redução de impostos sobre alimentos básicos e o fortalecimento de programas de transferência de renda.

O governo federal anunciou que estuda a ampliação de linhas de crédito para pequenos varejistas e a criação de um programa de incentivo à produção agrícola, mas as medidas ainda não têm data para implementação. O Banco Central, por sua vez, manteve a taxa Selic em 12,25% em julho, sinalizando cautela em relação à inflação, o que pode limitar a recuperação do consumo no curto prazo.Para o segundo semestre de 2025, a CNC projeta uma leve recuperação nas vendas, com crescimento estimado de 0,8%, impulsionado por promoções de fim de ano e pela possível estabilização dos preços agrícolas. No entanto, economistas alertam que, sem ações estruturais para reduzir a inflação e aumentar a renda, o varejo alimentar pode enfrentar dificuldades até 2026. “O setor está em alerta. A recuperação depende de um ambiente econômico mais favorável e de políticas públicas eficazes”, concluiu Bentes.

Fontes:

  • Confederação Nacional do Comércio (CNC)
  • Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
  • Associação Brasileira de Supermercados (Abras)
  • Estadão
  • G1
  • Posts no X

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