EUA anuncia recompensa de US$ 25 milhões por captura de Nicolás Maduro

Os Estados Unidos anunciaram uma recompensa de US$ 25 milhões (cerca de R$ 140 milhões) por informações que levem à prisão ou condenação de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela.
A medida, divulgada em 28 de julho de 2025 pela Administração de Repressão às Drogas (DEA), também inclui recompensas pelo ministro do Interior, Diosdado Cabello, e pelo ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, acusados de envolvimento com o “Cartel de Los Soles”, classificado como organização terrorista. Maduro é acusado de narcoterrorismo, tráfico de cocaína e corrupção. A recompensa foi aumentada de US$ 15 milhões, previamente oferecida em 2020, em resposta a alegações de fraude nas eleições venezuelanas de julho de 2024 e repressão política
O Cartel de Los Soles é uma organização criminosa venezuelana, supostamente liderada por altos funcionários do governo e membros das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB), envolvida principalmente no tráfico internacional de drogas, especialmente cocaína, além de outras atividades ilícitas como lavagem de dinheiro, extorsão e contrabando de minerais. Abaixo estão os principais detalhes sobre o cartel, com base em informações disponíveis até julho de 2025:Origem e Nome

  • Nome: O termo “Cartel de Los Soles” (Cartel dos Sóis) deriva das insígnias em forma de sol usadas nos uniformes de generais venezuelanos, indicando a participação de altos oficiais militares. Foi usado pela primeira vez em 1993, durante investigações contra dois generais da Guarda Nacional, Ramón Guillén Dávila e Orlando Hernández Villegas, por tráfico de drogas. Inicialmente chamado “Cartel do Sol” (um sol por comandante de brigada), evoluiu para “Cartel de Los Soles” com a participação de generais de divisão, que usam dois sóis.
  • Origem: As acusações de envolvimento militar no narcotráfico começaram na década de 1990, mas o cartel teria se consolidado durante o governo de Hugo Chávez (1999-2013), quando o controle militar sobre instituições estatais aumentou. A saída da DEA (Drug Enforcement Administration) da Venezuela em 2005, ordenada por Chávez, facilitou o uso do país como rota de tráfico.

Estrutura e Operação

  • Estrutura: Diferentemente de cartéis tradicionais, como os mexicanos, o Cartel de Los Soles não é uma organização hierárquica com um único líder. É uma rede fluida de células composta por oficiais militares, funcionários do governo e figuras chavistas, que operam de forma descentralizada. Essas células incluem membros do exército, marinha, força aérea e Guarda Nacional, desde os escalões mais baixos até os mais altos.
  • Atividades:
    • Tráfico de drogas: Facilita o transporte de cocaína da Colômbia através da Venezuela para o Caribe, América Central, Estados Unidos e Europa. Estima-se que, desde 2004, mais de 250 toneladas de cocaína transitem anualmente pela Venezuela, usando rotas marítimas (barcos rápidos, pesqueiros e navios cargueiros) e aéreas (pistas clandestinas, especialmente no estado de Apure).
    • Outros crimes: Extorsão, lavagem de dinheiro, contrabando de combustíveis e mineração ilegal de ouro, coltán e outros minerais, especialmente no Arco Minero do Orinoco.
    • Conexões internacionais: O cartel é acusado de colaborar com grupos como as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), o ELN (Exército de Libertação Nacional), o Cartel de Sinaloa e o Tren de Aragua, fornecendo proteção e logística para o tráfico.

Lideranças Acusadas

  • Nicolás Maduro: Apontado pelos EUA como líder do cartel desde 1999, acusado de usar o narcotráfico para enriquecer e desestabilizar a região. Em 2020, o Departamento de Justiça dos EUA ofereceu US$ 15 milhões por sua captura, valor elevado para US$ 25 milhões em julho de 2025.
  • Diosdado Cabello: Vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e ministro do Interior, é considerado uma figura central no cartel, acusado de coordenar operações de narcotráfico.
  • Vladimir Padrino López: Ministro da Defesa desde 2014, é acusado de garantir a lealdade militar ao regime e facilitar o tráfico através do controle de portos, aeroportos e rotas clandestinas.
  • Outros: Hugo Carvajal (“El Pollo”), ex-chefe de inteligência militar, e Clíver Alcalá Cordones, ex-general, também são citados como líderes. Carvajal, preso em 2014 e posteriormente liberado, admitiu em 2025 a existência do cartel ao se declarar culpado por narcoterrorismo nos EUA.

Acusações e Sanções

  • EUA: Desde 2020, o Departamento de Justiça acusa Maduro e outros 14 funcionários de narcoterrorismo, corrupção e tráfico de drogas. Em julho de 2025, a Oficina de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) designou o Cartel de Los Soles como uma organização terrorista global, devido a seus supostos laços com o Tren de Aragua e o Cartel de Sinaloa. Isso resultou no bloqueio de ativos do cartel nos EUA.
  • Incidentes notáveis:
    • 2013: 31 malas com 1,3 tonelada de cocaína foram colocadas por membros da Guarda Nacional em um voo da Air France para Paris, uma das maiores apreensões na França.
    • 2014: Um comandante da Guarda Nacional foi preso com 554 kg de cocaína.
    • 2015: Dois parentes de Cilia Flores, primeira-dama da Venezuela, foram presos no Haiti com 800 kg de cocaína destinada aos EUA.
  • Resposta venezuelana: O governo de Maduro e figuras como Diosdado Cabello negam a existência do cartel, alegando que as acusações são tentativas dos EUA para desestabilizar o regime. Pedro Carreño, deputado chavista, afirmou que as alegações visam “satanizar” a FANB, destacando que a ONU declarou a Venezuela livre de cultivos ilícitos em 2007.

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