Trump citou explicitamente:
- Razões políticas: A “perseguição política” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de tentativa de golpe de Estado em 2022, e ações do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente do ministro Alexandre de Moraes, por suposta censura a empresas americanas (como plataformas digitais) e violações de direitos humanos. Trump revogou vistos de Moraes e aliados sob a Lei Magnitsky.
- Razões comerciais: Alegado déficit comercial (falso, pois os EUA têm superávit com o Brasil desde 2009, de cerca de US$ 88 bilhões em 15 anos) e barreiras “injustas” do Brasil, como tarifas de 18% sobre etanol americano. Trump também iniciou uma investigação sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA contra práticas desleais brasileiras no comércio digital.
Essa é parte de uma onda de tarifas “recíprocas” de Trump, iniciada em abril de 2025 com uma base de 10% para muitos países, escalando para até 50% em nações como Brasil e Índia. A tarifa sobre aço de hoje (27/08) é uma extensão setorial, focada em sobrecapacidade global e dumping, afetando exportações brasileiras de ferro, aço e derivados.Impactos Econômicos no BrasilEm 2024, o Brasil exportou US$ 40,4 bilhões para os EUA (12% do total exportado), com destaque para petróleo (US$ 7,5 bilhões), aeronaves, café, carne bovina e suco de laranja.
A tarifa afeta cerca de 36% das exportações brasileiras para os EUA (US$ 18 bilhões), mas exceções mitigam o dano:
- Exceções principais (694 itens): Aeronaves civis e peças (Embraer), petróleo e derivados, suco de laranja, veículos e peças, fertilizantes, celulose, metais preciosos e produtos energéticos. Isso isenta 43-45% das exportações (US$ 18,4 bilhões em 2024).
- Setores mais afetados:
- Café (1/3 do consumo americano vem do Brasil; preços nos EUA podem subir 6,9%).
- Carne bovina (23% das importações americanas; perdas estimadas em US$ 1 bilhão no 2º semestre).
- Frutas (manga, goiaba, abacaxi), açúcar orgânico e eletrônicos.
- A nova tarifa sobre aço (a partir de hoje) impacta exportações de ferro e aço, já sob cotas desde 2018.
Estimativas de impacto:
- Redução no PIB brasileiro: 0,15-0,2 ponto percentual em 2025 (XP Investimentos, Kinea).
- Perda de competitividade: Exportadores podem redirecionar para China (já 28% das exportações brasileiras) ou Ásia, mas com descontos.
- Efeitos indiretos: Alta do dólar (já subiu pós-anúncio), inflação (via importações mais caras) e possível recessão se o BC mantiver juros altos (atualmente 15%). No entanto, Goldman Sachs mantém projeção de crescimento de 2,3% para o Brasil em 2025, graças às exceções e diversificação.
Para os EUA, o impacto é limitado (Brasil é só 1,4% das importações), mas pode elevar preços de café, carne e frutas em até 7%, afetando consumidores americanos.Resposta do BrasilO governo Lula reagiu com soberania, invocando a Lei de Reciprocidade Econômica (sancionada em abril de 2025), que permite contramedidas proporcionais. Lula afirmou: “O Brasil é soberano e não aceitará ser tutelado”.
Medidas em estudo:
- Tarifas recíprocas sobre produtos americanos (ex.: etanol, aviões, soja).
- Plano de contingência: Linhas de crédito para exportadores, contratos governamentais e diversificação para BRICS/China (ex.: China habilitou 183 empresas brasileiras para exportar café).
- Negociações: Diálogo com EUA via OMC (embora paralisada), missões ao Congresso americano e apoio de empresas como Amcham, GM e Coca-Cola. Lula cogita ligar para Trump, mas tensões políticas (prisão domiciliar de Bolsonaro) complicam.
- Estados afetados (SP, RJ, MG, ES, RS, SC, PR, que concentram 80% das exportações) pressionam por soluções, com governadores como Tarcísio de Freitas (SP) dialogando diretamente com autoridades americanas.
Hoje (27/08), o Brasil negocia reversão da tarifa sobre aço, mas analistas veem risco de escalada se houver retaliação.















