Washington, 30 de setembro de 2025
A administração Trump intensificou a ofensiva contra o Judiciário brasileiro, com autoridades americanas avaliando que novas sanções a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) são “inevitáveis” em meio à condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. De acordo com interlocutores do governo dos EUA, a Lei Magnitsky – usada para punir violações de direitos humanos – pode ser aplicada a pelo menos dois magistrados que apoiam publicamente o ministro Alexandre de Moraes, como Gilmar Mendes e Flávio Dino. A medida, discutida no Departamento do Tesouro, segue uma série de retaliações que incluem revogações de vistos, congelamento de ativos e tarifas de 50% sobre importações brasileiras, vistas como interferência direta na soberania nacional.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou nesta segunda-feira (29) que “se necessário, outras autoridades brasileiras serão sancionadas”, em referência ao apoio a decisões consideradas “abusivas” pelo STF. A avaliação interna em Washington é que os precedentes já estabelecidos – como as sanções contra Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, em setembro – abrem caminho para expandir as punições a aliados da Corte, em um processo que pode levar meses, mas é visto como irreversível após o veredicto contra Bolsonaro em 11 de setembro.
Cronologia das Sanções: De Vistos a Congelamentos de BensA crise diplomática explodiu em julho, logo após Trump assumir o segundo mandato, e ganhou fôlego com o julgamento de Bolsonaro, condenado a até 27 anos de prisão por conspirar contra a democracia em 2022.
Aqui vai um resumo das ações americanas até o momento:
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Data
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Ação dos EUA
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Alvos Principais
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Justificativa Citada
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18 de julho de 2025
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Revogação de vistos para entrada nos EUA
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Moraes, Cármen Lúcia, Edson Fachin, Flávio Dino, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Luís Roberto Barroso e PGR Paulo Gonet (poupados: Nunes Marques, André Mendonça e Luiz Fux)
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Supressão de liberdade de expressão e “caça às bruxas” contra Bolsonaro e empresas americanas como X (ex-Twitter).
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30 de julho de 2025
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Sanções via Lei Magnitsky e tarifa de 50% sobre importações brasileiras
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Moraes e rede de apoio
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Prisões arbitrárias e censura a vozes conservadoras; impacto econômico em exportações como café e petróleo.
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22 de setembro de 2025
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Sanções Magnitsky contra esposa de Moraes e revogação de vistos adicionais
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Viviane Barci de Moraes (Lex Institute), Jorge Messias (AGU), Benedito Gonçalves (STJ), Rafael Rocha (juiz auxiliar de Moraes) e outros cinco
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Expansão da “rede de perseguição política”; Bessent alerta bancos brasileiros sobre riscos de multas.
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29 de setembro de 2025
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Avaliação de novas sanções
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Gilmar Mendes e Flávio Dino (em estudo)
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Apoio público a Moraes; “inevitável” para coibir violações de direitos humanos.
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Essas medidas foram impulsionadas por articulações de Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, que reside nos EUA desde fevereiro e pressionou o governo Trump por meio de lobistas e audiências no Congresso.
Reações em Brasília: Soberania Ameaçada e Contra-AtaquesNo Brasil, a resposta é de indignação unânime. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou as sanções como “arbitrárias e sem base”, convocando o embaixador americano, Brian Escobar, para explicações – a terceira em 2025. Em nota do Itamaraty, o governo repudiou as ações como “ataques à soberania” e estuda retaliações, como recorrer à OMC contra as tarifas e uma Lei de Reciprocidade para congelar ativos de americanos no Brasil.
O presidente do STF, Luís Roberto Barroso, afirmou em entrevista à GloboNews que a Corte “avaliará uma reação política ou jurídica” após o julgamento da trama golpista, negando intimidação: “O STF não se curva a pressões externas”. Edson Fachin, em sua posse recente como vice-presidente, saudou Moraes como uma “fortaleza contra ataques externos”, enquanto Gilmar Mendes revelou que os Três Poderes preparam um projeto de lei “anti-embargo” para proteger brasileiros de sanções unilaterais.
A oposição bolsonarista, por sua vez, celebra as medidas. Eduardo Bolsonaro postou no X: “Justiça está sendo feita contra a perseguição no STF”, enquanto o deputado Daniel Silveira, solto em regime aberto por Moraes nesta semana, ironizou: “Sanções dos EUA expõem o que o mundo vê: censura e abuso”.
Implicações Globais: Economia, Democracia e o Futuro das Relações BilateraisAs sanções já custam caro ao Brasil: as tarifas de 50% afetam 40% das exportações, com perdas estimadas em US$ 20 bilhões anuais, segundo a FGV. Bancos brasileiros enfrentam dilemas – cumprir as sanções americanas evita multas nos EUA, mas viola leis nacionais, como alertou Natalia Gindler Corsini, da consultoria Prae Venire.
Analistas internacionais, como Christopher Garman, da Eurasia Group, preveem que a escalada pode se estender a instituições financeiras ou até ameaças militares veladas, citadas pela Casa Branca em referência à “defesa da expressão global”. Críticos democratas no Congresso americano, como o senador Bob Menendez, acusam Trump de “seletividade política”, poupando aliados enquanto pune o Brasil.
Enquanto interlocutores em Washington garantem que o processo contra Mendes e Dino “pode levar meses”, o secretário de Estado Marco Rubio sinalizou em entrevista à Fox News: “Teremos anúncios na próxima semana sobre passos adicionais”. Em Brasília, Lula planeja uma ligação com Trump na próxima semana para discutir a retirada das tarifas, mas o tom é de confronto: “Não há pacificação com impunidade”, como ecoou Barroso.
A crise expõe fissuras no hemisfério: o que começa como defesa de um aliado vira teste à democracia brasileira. Resta saber se as sanções inevitáveis unirão o Brasil contra a interferência – ou aprofundarão a polarização interna.
Para atualizações, acompanhe o Departamento de Estado e o Itamaraty.
Grok/X















