O Brasil, sob o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), defende que os negócios com a Rússia são legais e necessários para manter a economia estável, especialmente no setor agrícola, que depende de fertilizantes russos para cerca de 25% de sua demanda. O governo argumenta que cortar essas importações elevaria os preços de alimentos e combustíveis, prejudicando a população e a competitividade do agronegócio, segundo a Reuters.
Relação com a Crise do STFAs acusações americanas se somam a outras medidas contra o Brasil, como a revogação dos vistos de Alexandre de Moraes e outros sete ministros do STF (Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Cármen Lúcia, Edson Fachin e Gilmar Mendes), além de Gonet, anunciada em 18 de julho. A ação, ordenada pelo secretário de Estado Marco Rubio, é uma retaliação à suposta “perseguição política” contra Jair Bolsonaro, que enfrenta medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica, por investigações de tentativa de golpe de Estado. A concessão de green cards a Eduardo Bolsonaro e sua família reforça o apoio de Trump ao bolsonarismo.Há também a possibilidade de inclusão dos ministros na Lei Magnitsky, que prevê sanções financeiras e proibições de viagem. Caso isso ocorra, a UE, que possui o EU Global Human Rights Sanctions Regime, poderia revogar os vistos dos ministros para seus 27 países membros, especialmente se os EUA apresentarem evidências de violações de direitos humanos, como repressão à liberdade de expressão. Contudo, especialistas como Belisário dos Santos Jr., da Comissão Internacional de Juristas, argumentam que as ações do STF não atendem aos critérios de violações graves exigidos pela legislação europeia, tornando tal medida improvável sem provas robustas.
Reações e Mobilização no BrasilO governo Lula classificou as acusações como “injustas” e “ingerência inaceitável”. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o Brasil condena a invasão russa, mas prioriza a neutralidade e a busca por uma solução negociada, conforme sua tradição diplomática de não alinhamento. Lula propôs um plano de paz com a China, que inclui uma conferência internacional com Rússia e Ucrânia, mas a iniciativa foi rejeitada por Kiev, que vê a neutralidade brasileira como pró-Rússia.
O Partido Liberal (PL), por sua vez, anunciou um ato pró-Bolsonaro, prometendo “parar o Brasil” contra as ações do STF e as sanções internacionais. Governadores bolsonaristas, como Tarcísio de Freitas (SP) e Romeu Zema (MG), confirmaram apoio à manifestação, enquanto Eduardo Bolsonaro intensificou críticas ao STF, celebrando o respaldo americano no X.Implicações Econômicas e DiplomáticasAs acusações dos EUA e a possibilidade de sanções, incluindo tarifas de 100% e medidas contra as Forças Armadas brasileiras no setor de aviação, ameaçam a economia do país. O Brasil exportou US$ 42,3 bilhões para os EUA e €46 bilhões para a UE em 2024, com destaque para o agronegócio e a aviação (Embraer). Sanções coordenadas com a UE poderiam causar perdas bilionárias, especialmente se afetarem a cadeia de suprimentos de aviões militares e comerciais, que dependem de tecnologia americana e europeia.
Além disso, a posição brasileira de neutralidade no conflito ucraniano, mantida desde 2022, reflete interesses econômicos e a tradição de não alinhamento. O Brasil votou a favor de resoluções da ONU condenando a invasão russa, mas absteve-se de medidas que isolassem a Rússia, como sua suspensão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, priorizando o diálogo.
PerspectivasA acusação dos EUA de que o Brasil contribui para mortes na Ucrânia, combinada com as sanções ao STF e a possível adesão da UE a medidas como a revogação de vistos, coloca o país em uma posição delicada. O governo Lula enfrenta o desafio de proteger a economia e a soberania sem ceder às pressões externas, enquanto o PL busca capitalizar a crise para mobilizar sua base. A próxima semana, com a possibilidade de novas sanções Magnitsky e atos pró-Bolsonaro, será decisiva para o futuro das relações Brasil-EUA e Brasil-UE, com impactos potenciais na estabilidade política e econômica do país.















