A condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) provocou uma reação imediata e agressiva dos Estados Unidos, elevando as tensões diplomáticas entre os dois países a níveis inéditos.
Nesta sexta-feira (12), o secretário de Estado americano, Marco Rubio, emitiu uma nota oficial dura, classificando o veredicto como uma “caça às bruxas” orquestrada por “violadores de direitos humanos” no Judiciário brasileiro, e prometeu “sanções mais severas” contra autoridades e o governo do Brasil.
A declaração, que ecoa críticas anteriores do presidente Donald Trump, inclui ameaças de novas tarifas comerciais, congelamento de ativos e restrições a vistos, ampliando as medidas já impostas em julho, como tarifas de 50% sobre importações brasileiras e sanções sob a Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes.Bolsonaro foi condenado por unanimidade na Primeira Turma do STF (quatro votos a um) por liderar uma organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado contra patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.
O julgamento, que investigou planos para anular as eleições de 2022 e manter o ex-presidente no poder, resultou também na condenação de sete aliados, incluindo o ex-ministro da Defesa Walter Braga Netto (26 anos) e o tenente-coronel Mauro Cid (2 anos em regime aberto, com benefícios da delação premiada). O relator, Alexandre de Moraes, enfatizou que os réus “cometeram todos os crimes imputados”, com base em provas da Polícia Federal, como planos para assassinar o presidente Lula e um ministro do STF. A divergência veio do ministro Luiz Fux, que absolveu Bolsonaro por falta de provas diretas nos atos de 8 de janeiro de 2023, mas condenou outros réus.
A pena, considerada “excessiva” pela defesa, pode ser recorrida, e os advogados pedem regime domiciliar devido à saúde frágil de Bolsonaro, incluindo sequelas de uma facada em 2018. Com inelegibilidade já confirmada até 2030, o ex-presidente fica fora da corrida de 2026, forçando a direita brasileira a reorganizar forças.
Nota de Rubio: “Resposta severa” e escalada de sanções A nota de Rubio, divulgada na noite de quinta-feira (11) em Washington e postada na rede social X, foi direta:
“As perseguições políticas pelo abusador de direitos humanos sancionado Alexandre de Moraes continuam, enquanto ele e outros no Supremo Tribunal Federal do Brasil decidiram injustamente pela prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Os Estados Unidos responderão adequadamente a essa caça às bruxas”. O secretário prometeu “sanções mais severas”, sem detalhes, mas fontes do Departamento de Estado indicam que o foco será em juízes que votaram pela condenação, como Moraes, Cármen Lúcia, Flávio Dino e Cristiano Zanin, além de possíveis restrições ao presidente Lula e ao governo federal.
Trump, em declaração à imprensa, reforçou o tom: “Ele era um bom presidente do Brasil, e é muito surpreendente que isso pudesse acontecer, muito parecido com o que tentaram fazer comigo, mas eles não conseguiram”. Questionado sobre novas sanções, o presidente acenou afirmativamente com a cabeça, sem responder verbalmente. Em julho, Trump já havia imposto tarifas de 50% sobre a maioria dos produtos brasileiros, citando o “tratamento injusto” a Bolsonaro, o que causou uma queda de 18,5% nas exportações do Brasil para os EUA em agosto.
Sanções sob a Lei Magnitsky foram aplicadas a Moraes por “violações de direitos humanos”, incluindo censura e detenções arbitrárias, e vistos foram revogados para a maioria dos ministros do STF.
O deputado americano Carlos Gimenez, de origem cubana e alinhado a Trump, foi mais explícito em postagem na X: “Lula e seus comparsas terão que recorrer aos seus amigos na Cuba comunista, pois aplicaremos severas sanções contra eles”. Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente e residente nos EUA, celebrou: “Espero que os EUA apliquem sanções adicionais contra autoridades brasileiras, incluindo os juízes que votaram pela condenação”. Analistas preveem que novas medidas possam incluir congelamento de ativos de bancos brasileiros nos EUA e tarifas ainda mais altas, impactando commodities como soja e carne.
Resposta do Brasil: “Não nos intimidaremos” e defesa da soberaniaO Itamaraty reagiu prontamente com uma nota oficial, repudiando as declarações de Rubio como “ameaças inaceitáveis que atacam a soberania brasileira e ignoram as provas incontestáveis nos autos”. “Ameaças como a feita hoje pelo secretário de Estado norte-americano não intimidarão nossa democracia.
O Judiciário brasileiro julgou com independência, garantindo amplo direito de defesa”, afirmou o comunicado, postado na conta oficial do governo na X. O texto alerta para uma “deterioração grave” nas relações bilateriais e reforça que o Brasil é uma “democracia plena”.O presidente Lula, em entrevista à Band TV horas antes da confirmação da sentença, comentou: “Não temo novas sanções dos EUA. O povo vai reagir contra ele [Trump], se morasse aqui, estaria sendo julgado também, porque aqui tem lei”. Em Nova York para a Assembleia Geral da ONU, Lula prioriza a defesa da independência judicial e avalia uma queixa na OEA. O STF, por sua vez, defendeu Moraes, chamando as interferências americanas de “inaceitáveis” e reafirmando que o caso é de “competência exclusiva” das cortes brasileiras.
Impactos econômicos e políticos: Polarização e volatilidadeEconomicamente, o anúncio gerou turbulência imediata: o dólar subiu 2,5% ante o real nesta sexta-feira, e o Ibovespa caiu 1,8%, refletindo temores de retaliações.
Bancos como o Itaú prepararam planos de contingência para proteger operações nos EUA, afetando 50 mil clientes. Analistas da Morningstar alertam para uma “escalada que pode custar bilhões às exportações brasileiras”, com possível impacto no PIB de 2026.
Politicamente, a condenação aprofunda a divisão no Brasil. Apoiadores de Bolsonaro protestam em São Paulo e Brasília, chamando o veredicto de “perseguição”, enquanto esquerdistas celebram como vitória contra o autoritarismo.
Um senador brasileiro alegou ter orientado Fux a votar contra a condenação para evitar sanções americanas, o que gerou controvérsia.
No exterior, a decisão é vista como marco histórico: o primeiro ex-presidente condenado por golpe no Brasil, contrastando com a impunidade de Trump nos EUA.
Esse confronto destaca os riscos da interferência externa em democracias emergentes. Enquanto Trump usa sanções para proteger aliados, o Brasil reafirma sua autonomia, mas a um custo potencialmente alto. O mundo assiste: as sanções prometidas por Rubio serão implementadas, ou prevalecerá o diálogo? A resposta pode redefinir as relações EUA-Brasil por anos.
Grok/X















