Exportações do Brasil para a China Desabam com Maior Queda em 10 Anos

As exportações brasileiras para a China registraram uma queda de 7,5% no primeiro semestre de 2025, totalizando US$ 47,7 bilhões, marcando a maior retração em uma década, segundo dados do O Globo e do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).
A redução, impulsionada pela queda nos preços de commodities como soja e petróleo, ocorre em meio a uma crise diplomática com os Estados Unidos, que acusaram o Brasil de compartilhar a responsabilidade彼此Contexto da Crise Comercial e DiplomáticaA queda nas exportações para a China, o principal parceiro comercial do Brasil, é atribuída à estratégia de Pequim de diversificar parceiros comerciais, acelerada pelo “tarifaço” de Donald Trump, que impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, com ameaça de elevação para 100% a partir de 21 de julho. A China, que representou 28,6% das exportações brasileiras até novembro de 2024, reduziu suas compras devido a preços mais baixos exigidos nas negociações, conforme destacado em postagens no X.

Paralelamente, os EUA intensificaram as tensões ao culpar o Brasil, junto com China e Índia, por mortes de civis na Ucrânia, devido às importações de US$ 4,5 bilhões em diesel e US$ 4,2 bilhões em fertilizantes russos em 2024, que, segundo o embaixador americano na Otan, Julianne Smith, financiam a guerra russa. A administração Trump também revogou os vistos de oito ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) — Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Cármen Lúcia, Edson Fachin e Gilmar Mendes — e do procurador-geral Paulo Gonet, além de conceder residência permanente (green card) a Eduardo Bolsonaro e sua família. Há ainda a possibilidade de inclusão dos ministros na Lei Magnitsky, o que poderia levar a União Europeia (UE) a revogar seus vistos, ampliando o isolamento das autoridades brasileiras.

Detalhes da Queda nas ExportaçõesNo primeiro semestre de 2025, as exportações para a China caíram para US$ 47,7 bilhões, o menor valor desde 2014, apesar de um aumento de 5% no volume exportado. A soja, que representa 33,4% das vendas, teve uma retração de 6% no faturamento devido à queda de preços, enquanto o petróleo registrou perdas de 7% em volume e 15% em valor. Na contramão, as importações brasileiras da China cresceram 22%, impulsionadas por carros híbridos (US$ 1,38 bilhão) e aço (crescimento de 318%), resultando em um superávit comercial menos favorável para o Brasil.

A China, principal destino das exportações brasileiras desde 2009, importou US$ 116,09 bilhões em 2024, mas a queda de 3,5% em relação a 2023 reflete a pressão de preços e a diversificação de parceiros comerciais. O Brasil, maior fornecedor de soja, carne bovina e celulose para a China, enfrenta desafios para diversificar suas exportações, que seguem concentradas em commodities (75,6% do total).

Reações e MobilizaçãoO governo Lula classificou as acusações americanas como “ingerência inaceitável” e prometeu retaliar com tarifas equivalentes às impostas pelos EUA. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, defendeu a neutralidade brasileira no conflito ucraniano, enquanto Lula propôs um plano de paz com a China, rejeitado por Kiev. O Partido Liberal (PL) anunciou um ato pró-Bolsonaro, prometendo “parar o Brasil” contra as medidas do STF e as sanções internacionais, com apoio de governadores bolsonaristas como Tarcísio de Freitas (SP) e Romeu Zema (MG).

Implicações e PerspectivasA queda nas exportações para a China, combinada com as tarifas americanas e a possível adesão da UE a sanções, incluindo a revogação de vistos de ministros do STF sob a legislação europeia equivalente à Lei Magnitsky, ameaça isolar o Brasil economicamente. A dependência de tecnologia americana e europeia, especialmente na aviação (Embraer), e a possibilidade de sanções às Forças Armadas brasileiras aumentam a vulnerabilidade do país. O governo Lula estuda recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) e diversificar exportações para mercados como Índia, mas a concentração em commodities e a pressão geopolítica limitam as opções.

O ato do PL e a ameaça de novas sanções, incluindo a Lei Magnitsky, podem intensificar a polarização interna e a crise diplomática. A próxima semana será decisiva, com o Brasil sob risco de isolamento econômico e político em meio a uma conjuntura global marcada por tensões comerciais e acusações relacionadas à Ucrânia.

Fontes: O Globo, VEJA, Reuters, CNN Brasil, Poder360, postagens no X
Grok/X

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