As exportações brasileiras para os Estados Unidos sofreram uma queda significativa de 18,5% em agosto de 2025, totalizando US$ 2,76 bilhões, enquanto as importações de produtos norte-americanos cresceram 4,6%, alcançando US$ 3,99 bilhões. O resultado foi um déficit comercial de US$ 1,23 bilhão, o maior registrado em 2025 na balança comercial com os EUA, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) nesta quinta-feira (4).
O recuo nas exportações foi impulsionado principalmente pelo “tarifaço” de 50% imposto pelo governo do presidente Donald Trump, que entrou em vigor em 6 de agosto, afetando cerca de 36% das exportações brasileiras para o mercado americano. Setores estratégicos como aeronaves (-84,9%), açúcar (-88,4%), motores e máquinas não elétricos (-60,9%) e carne bovina fresca (-46,2%) foram os mais impactados. O café, um dos principais produtos da pauta exportadora brasileira, registrou uma queda de 55%, com apenas 251,9 mil sacas de 60 kg enviadas aos EUA, contra 562,7 mil em agosto de 2024.
Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, atribuiu o desempenho negativo à antecipação de embarques em julho, motivada pela incerteza gerada pelo anúncio das tarifas. “Muitos exportadores, temendo os prejuízos, anteciparam vendas, o que resultou em uma queda mais acentuada em agosto, mesmo para produtos não diretamente afetados pela sobretaxa”, explicou.
Apesar do déficit com os EUA, a balança comercial brasileira fechou agosto com um superávit global de US$ 6,13 bilhões, um aumento de 35,8% em relação a agosto de 2024. Esse resultado foi impulsionado pelo crescimento das exportações para outros parceiros comerciais, como China (+29,9%), México (+43,8%) e Argentina (+40,4%), que compensaram parcialmente as perdas no mercado americano. No total, as exportações brasileiras atingiram US$ 29,86 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 23,73 bilhões.
O tarifaço americano, justificado por Trump com alegações de desequilíbrios comerciais e questões políticas, como processos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, gerou apreensão no setor produtivo brasileiro. Para mitigar os impactos, o governo federal anunciou um pacote de medidas, incluindo uma linha de crédito de R$ 30 bilhões condicionada à manutenção de empregos, ampliação do seguro à exportação, diferimento de impostos e prorrogação do programa de drawback, que isenta insumos usados em mercadorias exportadas.
Especialistas alertam que a continuidade das tarifas pode agravar o déficit comercial com os EUA, que já acumula US$ 3,48 bilhões de janeiro a agosto de 2025, um aumento de 370% em relação ao mesmo período de 2024. José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), destacou a importância de diversificar os mercados para reduzir a dependência dos EUA, segundo maior destino das exportações brasileiras, atrás apenas da China.
Apesar dos desafios, o crescimento das vendas para outros países e o superávit global demonstram a resiliência do comércio exterior brasileiro. No entanto, o cenário reforça a necessidade de negociações diplomáticas para minimizar os impactos das tarifas e estratégias para ampliar a presença brasileira em mercados alternativos.
Fontes: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Gazeta Brasil, G1, Estadão.















