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O setor da construção civil no Brasil enfrenta uma crise sem precedentes em 2025, com uma queda de 63% no financiamento para produção acumulada no ano, segundo dados divulgados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). A redução drástica, reportada por veículos como Folha de S.Paulo e A Gazeta ES, reflete a combinação de alta carga tributária, juros elevados, incertezas econômicas e o impacto das tarifas comerciais impostas por Estados Unidos (50%) e Venezuela (até 77%), que intensificam o isolamento do Brasil no cenário internacional.
A crise ameaça novos lançamentos imobiliários, empregos no setor e a competitividade das construtoras, enquanto o governo Lula enfrenta pressões internas e externas, incluindo a ameaça de demissões em massa por montadoras caso um pacote pró-China seja implementado.Queda no Financiamento e ImpactosDe acordo com a CBIC, os bancos reduziram o financiamento para construtoras em quase 50% no primeiro semestre de 2025, com projeções indicando que o ano pode fechar com apenas R$ 20 bilhões em crédito para produção, uma retração de 60% em relação aos R$ 50 bilhões de 2024. Essa queda, destacada por Folha de S.Paulo e postagens no X, é atribuída a:
- Juros Altos e Restrições Bancárias: A taxa Selic, mantida em 15%, eleva os custos de empréstimos, enquanto os bancos, temerosos com a desaceleração econômica, adotaram critérios mais rígidos para liberar crédito. O presidente da CBIC, Renato Correia, afirmou que “o acesso ao crédito está praticamente inviável para muitas construtoras”.
- Guerra Comercial e Tarifas: As tarifas de 50% impostas por Donald Trump, justificadas por supostas práticas comerciais desleais e críticas ao “ativismo judicial” do STF, aumentaram os custos de insumos importados, como aço e alumínio, essenciais para a construção. As tarifas venezuelanas de até 77% também afetam exportações regionais, especialmente de Roraima, agravando a crise de confiança.
- Incerteza Econômica: A desvalorização do real, que atingiu R$ 5,50 após o anúncio das tarifas americanas, e a inflação projetada em 5,5% para 2025 pressionam os custos de materiais e mão de obra, desestimulando novos projetos.
A CBIC estima que, se a tendência persistir, 50.000 empregos diretos e 200.000 indiretos podem ser perdidos no setor, que já enfrenta dificuldades com a alta de custos de materiais (30% entre 2020 e 2023) e escassez de mão de obra qualificada. O setor, que representa cerca de 7% do PIB brasileiro, vê ameaça de paralisação em novos lançamentos imobiliários, especialmente no segmento residencial de baixa renda, como o programa Minha Casa, Minha Vida.
Contexto Político e Pressões InternasA crise no financiamento ocorre em meio a tensões políticas intensificadas pelas ações do governo Lula e do STF. A denúncia contra o ministro Alexandre de Moraes na OEA, protocolada em 25 de julho, e a lista de brasileiros sancionados pelo governo Trump, incluindo Moraes, alimentam a narrativa de isolamento do Brasil. A provocação de Celso Amorim, que comparou Trump à União Soviética em entrevista ao Financial Times em 27 de julho, foi criticada por setores empresariais, que temem represálias comerciais adicionais.Paralelamente, montadoras como Volkswagen, Toyota, General Motors e Stellantis alertaram Lula sobre possíveis demissões de 5.000 trabalhadores diretos e 50.000 indiretos caso o governo implemente um pacote de incentivos fiscais para montadoras chinesas, como a BYD.
Esse pacote, que favorece a produção de veículos no sistema SKD (montagem de kits importados), é visto como uma ameaça à indústria automotiva tradicional, que também depende da construção civil para infraestrutura de fábricas e concessionárias. A Anfavea, que representa as montadoras, pressiona por barreiras às importações chinesas, enquanto o governo defende os investimentos da BYD (R$ 5,5 bilhões na Bahia) como parte da estratégia de descarbonização.
Impactos no Setor da Construção Residencial:
O segmento de habitação popular, como o Minha Casa, Minha Vida, é o mais afetado, com construtoras adiando lançamentos devido à falta de crédito. A CBIC relata que 70% dos projetos residenciais de baixa renda estão paralisados ou em ritmo reduzido.
- Não Residencial:
- Projetos de infraestrutura, como rodovias e pontes, que poderiam ser impulsionados por verbas do Novo PAC, enfrentam dificuldades devido à alta de custos e à incerteza sobre financiamentos privados. A construção de galpões e fábricas, essencial para montadoras, também está em risco.
- Empregos:
- A ameaça de demissões no setor automotivo, somada à crise na construção, pode levar a uma perda de até 250.000 empregos em 2025, segundo estimativas da Fier (Federação das Indústrias do Estado de Roraima) e da Anfavea, agravando a crise social.
Resposta do Governo e PerspectivasO governo Lula, por meio do MDIC, liderado por Geraldo Alckmin, anunciou que está negociando com bancos públicos, como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, para liberar linhas de crédito emergenciais para a construção civil.
No entanto, a alta da Selic e as restrições fiscais limitam a eficácia dessas medidas. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu a manutenção de incentivos à BYD, argumentando que os investimentos chineses geram empregos e modernizam a economia, mas prometeu diálogo com a Anfavea para evitar demissões.A CBIC propõe medidas como a redução da Selic, incentivos fiscais para construtoras e a criação de um fundo garantidor para crédito imobiliário.
No entanto, a escalada da guerra comercial, com tarifas americanas e venezuelanas, e a possibilidade de sanções contra autoridades brasileiras, como Moraes, complicam o cenário. O Brasil busca diversificar mercados, fortalecendo laços com os BRICS, mas a dependência de insumos importados e a crise de financiamento limitam as opções.
Conclusão
A queda de 63% no financiamento para a construção civil em 2025 é um golpe duro para o setor, que já enfrenta custos elevados, juros altos e pressões externas. A ameaça de demissões pelas montadoras, caso o pacote pró-China avance, adiciona uma camada de complexidade à crise, com impactos que vão além da construção e afetam a economia como um todo. O governo Lula precisa equilibrar os interesses de investidores estrangeiros, como a China, com a preservação de empregos e a competitividade da indústria nacional, enquanto navega as tensões internacionais com os EUA e a Venezuela. Sem medidas urgentes, o setor da construção civil pode entrar em recessão, comprometendo o crescimento econômico e a geração de empregos.
Fontes:
- Folha de S.Paulo, 28/07/2025
- A Gazeta ES, 22/07/2025
- Poder360, 28/07/2025
- Postagens no X















