General Arruda Nega Proposta de Golpe e Esclarece Papel em Acampamento do 8 de Janeiro, em Meio a Tensões com EUA e Críticas à Tarifa Social

Brasília, 22 de maio de 2025 – O ex-comandante do Exército, general Júlio César de Arruda, afirmou em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira, que não recebeu qualquer proposta de ruptura institucional ou para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2023. A declaração, reportada por veículos como Repórter Diário e CNN Brasil, foi feita em resposta a questionamentos do procurador-geral da República, Paulo Gonet, sobre uma reunião com o general de brigada Mário Fernandes, então número 2 da Secretaria-Geral da Presidência, em 28 de dezembro de 2022. Arruda negou que o encontro tenha tratado de planos golpistas, contradizendo informações de que Fernandes o pressionou para impedir a posse de Lula.

Contexto do Depoimento
Arruda, escolhido por Lula para o comando do Exército pelo critério de antiguidade e descrito como um oficial “equilibrado, discreto e técnico” (Gazeta do Povo), assumiu o cargo interinamente em 30 de dezembro de 2022, mas foi demitido 21 dias depois, em 21 de janeiro de 2023, após a perda de confiança do governo devido à sua suposta inação durante os atos golpistas de 8 de janeiro. No depoimento, ele negou ter barrado a entrada da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) no Quartel-General do Exército, onde manifestantes bolsonaristas estavam acampados. Segundo Arruda, sua intenção era coordenar uma ação conjunta com as forças de segurança, e ele chegou a contatar o interventor federal Ricardo Cappelli para alinhar estratégias.

Questionado pelo ministro Alexandre de Moraes sobre uma suposta frase dita ao então comandante da PMDF, coronel Fábio Augusto Vieira (“Eu tenho um pouquinho mais de homens armados que o senhor, né, coronel?”), Arruda disse não se recordar da fala, atribuindo o episódio a um “clima de tensão” e enfatizando que sua função era “acalmar” a situação. O depoimento de Vieira, no entanto, sugeriu que Arruda tentou impedir a ação da PM, o que alimentou as investigações sobre sua conduta.

Conexão com as Ameaças de Trump
A declaração de Arruda ganha relevância em meio às recentes tensões entre o governo Lula e a administração de Donald Trump. Conforme reportado pelo Metrópoles, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou em 21 de maio que há “grande possibilidade” de sanções contra Moraes, com base na Lei Magnitsky, devido a decisões do ministro em inquéritos sobre desinformação e os atos de 8 de janeiro. Postagens no X também sugerem que o governo Trump estaria mapeando escritórios de advocacia ligados a esposas de ministros do STF, como Viviane Barci de Moraes, como alvos para sanções financeiras, visando pressionar o Judiciário brasileiro. Lula, por sua vez, orientou o Itamaraty a responder com firmeza, considerando as ameaças um ataque à soberania nacional.

O depoimento de Arruda reforça a narrativa do governo brasileiro de que não houve adesão do alto comando do Exército a planos golpistas, o que pode ser usado diplomaticamente para contrapor as acusações americanas. No entanto, a menção a Mário Fernandes, autor do plano “Punhal Verde e Amarelo” que detalhava a execução de Moraes, Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin em dezembro de 2022, mantém o STF no centro das investigações.

Críticas à Tarifa Social e Contexto Político
Paralelamente, o governo Lula enfrenta críticas internas relacionadas à Tarifa Social de Energia Elétrica, programa que subsidia contas de luz para famílias de baixa renda, mas é acusado de sobrecarregar a classe média. Postagens no X e análises de especialistas, como da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), apontam que até 30% das tarifas da classe média são compostas por encargos da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que financia o programa. A percepção de que a Tarifa Social é uma “gambiarra” reflete o descontentamento com políticas redistributivas, especialmente em um momento de tensões diplomáticas e pressão política.

A Transparência Internacional também criticou o STF por sua decisão de 2023, que derrubou o veto do CPC a juízes julgarem casos de clientes de escritórios de parentes, alegando que isso abriu espaço para o “lobby judicial”. A organização destacou que a medida, beneficiando ministros como Moraes, Zanin, Toffoli e Mendes, compromete a imparcialidade do Judiciário e reforça a percepção de conflitos de interesse, o que pode alimentar narrativas de sanções externas, como as propostas por Trump.

Implicações e Falta de Evidências
Embora o depoimento de Arruda negue envolvimento em planos golpistas, as investigações do STF continuam a apurar a conduta de militares e civis ligados aos eventos de 8 de janeiro. A menção a sanções contra escritórios de advocacia ligados a esposas de ministros permanece sem confirmação oficial, com base apenas em postagens no X e reportagens não detalhadas do Metrópoles. A reação do Itamaraty, sob orientação de Lula, busca proteger a soberania brasileira, mas a ausência de pronunciamentos oficiais do governo americano sobre as sanções exige cautela na análise dessas alegações.
Conclusão
O depoimento de Júlio César de Arruda ao STF reforça a posição do governo Lula de que o Exército não aderiu a tentativas de golpe em 2022, mas não elimina as tensões com os EUA, que ameaçam sanções contra Alexandre de Moraes e escritórios ligados a familiares de ministros.
A crítica à Tarifa Social, por sua vez, reflete um descontentamento interno que se soma às pressões externas, enquanto a decisão do STF sobre conflitos de interesse alimenta debates sobre transparência.
Para acompanhar os desdobramentos, consulte fontes confiáveis como o STF (www.stf.jus.br) (www.stf.jus.br), o Itamaraty (www.gov.br/mre) (www.gov.br/mre) e portais como CNN Brasil e Estadão.
Nota: As informações sobre sanções de Trump baseiam-se em postagens no X e reportagens não confirmadas, exigindo validação. O depoimento de Arruda é corroborado por fontes como Repórter Diário e CNN Brasil, mas contradições com outros depoimentos mantêm o caso sob investigação.

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