O governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, informou a aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que as sanções contra autoridades brasileiras, incluindo membros do Supremo Tribunal Federal (STF), devem ser intensificadas a partir da próxima semana, iniciando em 21 de julho. Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo e amplamente repercutidas em postagens na rede social X, o Departamento de Estado americano teria sinalizado que “o Brasil terá uma longa semana”, com medidas que podem incluir o aumento das tarifas comerciais sobre exportações brasileiras de 50% para 100% e possíveis ações coordenadas com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Contexto das SançõesA escalada das tensões diplomáticas entre Brasil e EUA foi intensificada após a revogação dos vistos de entrada de oito ministros do STF — Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Cármen Lúcia, Edson Fachin e Gilmar Mendes —, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, anunciada em 18 de julho. A medida, ordenada pelo secretário de Estado Marco Rubio, foi justificada como uma resposta à suposta “perseguição política” contra Bolsonaro, liderada por Moraes, que impôs restrições severas ao ex-presidente, como uso de tornozeleira eletrônica e recolhimento noturno.
De acordo com a Folha, aliados de Bolsonaro, incluindo seu filho, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), foram informados pelo governo americano sobre a iminência de novas sanções. Entre as medidas cogitadas estão a aplicação de sanções financeiras sob a Lei Magnitsky, que permite ao governo dos EUA impor penalidades a indivíduos acusados de violações de direitos humanos ou corrupção, e a elevação das tarifas comerciais, que poderiam causar impactos significativos na economia brasileira, especialmente em setores como agronegócio e mineração.
Reações e ImplicaçõesEduardo Bolsonaro, que reside nos EUA desde março de 2025 e tem se reunido com autoridades da administração Trump, intensificou sua campanha contra Moraes, acusando-o de liderar uma “caça às bruxas” contra seu pai. Ele celebrou as sanções iniciais e sugeriu que as novas medidas podem “desestabilizar o sistema” judicial brasileiro, conforme postagens no X.
No Brasil, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou as ações americanas como uma tentativa de ingerência na soberania nacional. Lula, que tem reforçado o discurso de que “o Brasil pertence aos brasileiros”, avalia retaliar com restrições a vistos de autoridades dos EUA ou sanções a empresas americanas que operam no Brasil, como big techs. O Itamaraty considera chamar a embaixadora americana, Maria Luiza Viotti, para consultas, enquanto o STF permanece em silêncio oficial.
Cenário Político e EconômicoA ameaça de tarifas de 100% sobre exportações brasileiras, mencionada em postagens no X, representa um risco econômico grave, dado que os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, com um superávit comercial de US$ 7,4 bilhões em 2024. Setores como carne, soja e minério de ferro podem ser duramente afetados, agravando a crise econômica em um momento de baixa aprovação de Lula, que se prepara para as eleições de 2026.
Além disso, a menção à Otan em possíveis ações coordenadas levanta preocupações sobre uma abordagem multilateral contra o Brasil, algo incomum em disputas com países aliados. Especialistas consultados pela Folha sugerem que tais medidas podem ser mais retóricas do que práticas, mas ainda assim sinalizam um endurecimento da postura de Trump, que já demonstrou usar tarifas como ferramenta para pressionar adversários políticos, como no caso das sanções a Venezuela e Síria.
PerspectivasAs novas sanções, se confirmadas, podem aprofundar a maior crise diplomática entre Brasil e EUA em décadas, com impactos no comércio, na política interna e na imagem do Brasil no cenário internacional. O governo Lula enfrenta o dilema de responder à pressão americana sem ceder na defesa da autonomia do Judiciário, enquanto apoiadores de Bolsonaro veem as sanções como uma oportunidade para enfraquecer o STF e mobilizar sua base. A próxima semana será crucial para determinar o rumo dessa crise, com o Brasil no centro de uma disputa que mistura política interna, interesses econômicos e tensões geopolíticas.
Fontes: Folha de S.Paulo, The Washington Post, The New York Times, Reuters, postagens no X
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