Governo Lula Recebeu Suspeitos de Fraudes no INSS 15 Vezes Desde 2023, Revela Levantamento

Brasília, DF – Representantes de organizações investigadas por desvios de R$ 6,3 bilhões em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foram recebidos pelo menos 15 vezes por membros do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desde o início de sua gestão, em janeiro de 2023. Os encontros, registrados entre 2023 e março de 2025, ocorreram nos Ministérios da Previdência Social, do Desenvolvimento Social e na sede do próprio INSS, segundo levantamento do Poder360 baseado em 739 mil registros de agendas oficiais do governo federal.

A revelação, que ganhou destaque após a Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU) na quarta-feira (23), intensifica a crise envolvendo fraudes no INSS e levanta questionamentos sobre a proximidade entre o governo e entidades suspeitas de cobrarem mensalidades indevidas de aposentados e pensionistas. A operação resultou no afastamento de seis servidores, incluindo o presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e na prisão de cinco pessoas, com uma foragida.
Encontros com Entidades Suspeitas
Entre as organizações recebidas, a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) foi a mais frequente, participando de 13 das 15 reuniões mapeadas. Segundo a CGU, a Contag reteve o maior volume de recursos desviados. O Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), que tem como vice-presidente José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão de Lula, também esteve presente em pelo menos uma reunião, em 21 de julho de 2023, com Stefanutto na sede do INSS.

As reuniões abordaram temas como medidas de segurança para descontos associativos e questões relacionadas a benefícios previdenciários e assistenciais, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), gerido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e operacionalizado pelo INSS. A Contag, em nota ao Poder360, afirmou que os encontros trataram de assuntos pertinentes aos segurados rurais e negou irregularidades. O Sindnapi, alvo de busca e apreensão e descredenciado judicialmente, declarou apoiar as investigações e atuar “com autorizações formais”.

Escândalo de R$ 6,3 Bilhões
A Operação Sem Desconto revelou que 11 entidades associativas, entre 2019 e 2024, cobraram mensalidades sem autorização, totalizando R$ 6,3 bilhões. Auditorias da CGU apontaram que 97,6% de 1.273 aposentados e pensionistas entrevistados não autorizaram os descontos, e 70% das 29 entidades analisadas não apresentaram documentação completa ao INSS. O esquema, intensificado a partir de 2019, durante o governo Jair Bolsonaro (PL), atingiu seu auge em 2023 (R$ 1,2 bilhão) e 2024 (R$ 2,8 bilhão), correspondendo a 64% do total no governo Lula.

Seis servidores foram afastados, incluindo Stefanutto, indicado pelo ministro da Previdência, Carlos Lupi (PDT), e outros cinco de alto escalão, como o procurador-geral Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho. A PF cumpriu 211 mandados de busca e apreensão, sequestrou bens avaliados em R$ 1 bilhão – incluindo carros de luxo como Ferraris e Rolls-Royce – e prendeu cinco suspeitos.
Reação do Governo e Oposição
O governo Lula classificou o esquema como uma “herança” de gestões anteriores e destacou a atuação da PF e da CGU, iniciada em 2023, como prova de compromisso com a transparência. O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, chamou a operação de “proteção aos aposentados”. O presidente Lula, informado na manhã de quarta-feira pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e pelo ministro da CGU, Vinicius Carvalho, determinou a exoneração de Stefanutto, assinada pela secretária-executiva da Casa Civil, Miriam Belchior.

A oposição, no entanto, aproveitou o caso para acusar o governo de conivência. Parlamentares como o deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO) e o senador Sergio Moro (União-PR) falaram em “selo de corrupção” e defenderam a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Moro destacou o crescimento das fraudes a partir de 2023 e a presença de Frei Chico no Sindnapi, embora ele não seja investigado. Postagens no X, como as de @Luccas1964 e

@pmanzo70, ecoaram as críticas, associando os encontros a “desgraça e destruição”.
Crise e Medidas
A operação expôs falhas na fiscalização dos Acordos de Cooperação Técnica (ACTs), suspensos após a ação. O INSS orienta aposentados a verificarem extratos no portal Meu INSS e a solicitarem a exclusão de descontos indevidos. A CGU anunciou uma força-tarefa com a Advocacia-Geral da União (AGU) para recuperar os valores, mas não há prazo para restituição.

O caso, o segundo escândalo no INSS no governo Lula – após a “farra das passagens” em 2023 –, aumenta a pressão sobre Lupi, que indicou Stefanutto e seu antecessor, Glauco Wamburg, exonerado por irregularidades. Fontes da PF afirmam que não há elementos ligando Lupi ao esquema, mas Lula estaria contrariado pela demora em conter as fraudes, alertadas desde 2023.
A investigação prossegue com 12 inquéritos abertos, e os suspeitos podem responder por crimes como corrupção, falsificação de documentos, organização criminosa e lavagem de capitais. Enquanto o governo tenta conter a crise, a proximidade com entidades investigadas alimenta debates sobre a governança do INSS e a proteção dos aposentados.

Com informações de Poder360, G1, CNN Brasil, Estadão, Valor Econômico e postagens no X.

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