Governo Trump diz que “haverá resposta” à condenação de Bolsonaro: Tensões bilaterais escalam após decisão do STF

Washington/ Brasília, 15 de setembro de 2025
Em uma escalada de tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, o governo de Donald Trump prometeu uma “resposta” à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF), classificando o processo como uma “caça às bruxas”.
A declaração, feita pelo secretário de Estado Marco Rubio, reacende o atrito bilateral iniciado meses atrás com tarifas comerciais e sanções, e levanta temores de novas medidas econômicas ou políticas contra o Brasil. A decisão do STF, que impôs a Bolsonaro uma pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, foi concluída em 11 de setembro de 2025, e já provoca reações internacionais intensas.
O Contexto da Condenação e a Reação Inicial de TrumpA Primeira Turma do STF formou maioria (4 votos a 1) para condenar Bolsonaro e outros sete réus por crimes como abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa. O julgamento, que investigava os eventos de 8 de janeiro de 2023 e tentativas de subverter o resultado das eleições de 2022, foi relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, alvo recorrente de críticas americanas. Bolsonaro, que nega as acusações e alega perseguição política, ainda pode recorrer, mas a sentença o torna inelegível e o obriga a se apresentar à prisão em até 30 dias, salvo recursos.Donald Trump, que vê em Bolsonaro um aliado ideológico próximo, reagiu imediatamente. Ao deixar a Casa Branca em 11 de setembro, o presidente americano expressou surpresa e insatisfação: “Eu conheço o presidente Bolsonaro… Sempre o considerei muito correto, de fato muito notável… Acho que é uma coisa terrível. Muito terrível. Acho que é muito ruim para o Brasil.”
Trump comparou o caso ao que ele próprio enfrentou após os eventos de 6 de janeiro de 2021 no Capitólio, insinuando uma “perseguição judicial” similar. Em julho de 2025, Trump já havia imposto tarifas de 50% sobre produtos brasileiros exportados aos EUA, justificando-as como retaliação ao que chamou de “tratamento injusto” a Bolsonaro, além de sanções contra Moraes e revogação de vistos para membros do STF.
A Promessa de “Resposta” pelo Secretário Marco RubioA declaração mais explícita veio do secretário de Estado Marco Rubio, em postagem no X (antigo Twitter) no mesmo dia da condenação: “The political persecutions by sanctioned human rights abuser Alexandre de Moraes continue, as he and others on Brazil’s supreme court have unjustly ruled to imprison former President Jair Bolsonaro.
The United States will respond accordingly to this witch hunt.” Traduzindo, Rubio afirmou que os EUA darão “resposta à altura” a essa “caça às bruxas”, referindo-se diretamente a Moraes como “abusador de direitos humanos”.
Essa retórica ecoa críticas anteriores de Trump e de aliados como o subsecretário Darren Beattie, que chamou a decisão de “marco fatídico no complexo de censura e perseguição”.Analistas internacionais apontam que a “resposta” pode incluir ampliação das tarifas comerciais, novas sanções sob a Lei Magnitsky (que pune violações de direitos humanos), ou até restrições a vistos para autoridades brasileiras – medidas já em vigor contra o STF.
O Itamaraty, por sua vez, monitora a situação de perto, especialmente com a Assembleia Geral da ONU se aproximando, onde o presidente Lula planeja discursos sobre soberania. Em artigo publicado no New York Times em 14 de setembro, Lula defendeu o STF como “orgulhoso” e afirmou que o julgamento “não foi uma caça às bruxas”, pedindo diálogo com Trump, mas enfatizando que a soberania brasileira é “inegociável”.Implicações Políticas e EconômicasA condenação de Bolsonaro já fragmenta a direita brasileira, com aliados como Eduardo Bolsonaro (PL) articulando lobby nos EUA para pressionar o governo Trump. No X, postagens recentes destacam a ameaça de Rubio, com contas como

@NewsLiberdade

e

@Metropoles

alertando para uma “resposta nos próximos dias”.

Do lado brasileiro, opositores de Bolsonaro veem na reação americana uma interferência indevida, enquanto bolsonaristas celebram o apoio de Trump como prova de injustiça.Economicamente, as tarifas de julho já impactam exportações brasileiras, como soja e carne, com perdas estimadas em bilhões de dólares. Uma escalada poderia agravar a recessão global, especialmente com as eleições americanas de 2026 no horizonte. Especialistas em relações internacionais, como o professor Vinicios Betiol, notam que Trump pode estar usando o caso para mobilizar sua base, mas arrisca isolar os EUA na América Latina.
O governo Lula, em nota oficial, reiterou que “não se intimidará” e que o Brasil responderá com reciprocidade, possivelmente via OMC ou acordos regionais. Enquanto isso, o mundo observa: a “resposta” de Trump pode redefinir as relações bilaterais, em um ano marcado por polarizações globais.Esta matéria é baseada em fontes oficiais e reportagens recentes. Para mais detalhes, consulte as declarações de Rubio e Trump, além de coberturas jornalísticas especializadas

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