14 de junho de 2025 – A tensão entre Israel e Irã atingiu um novo patamar após uma série de ataques mútuos iniciados na sexta-feira, 13 de junho, com Israel lançando a “Operação Leão Ascendente”, a maior ofensiva militar contra o Irã em sua história.
A operação teve como alvo principal sítios nucleares iranianos, incluindo Natanz, que sofreu danos severos, além de instalações militares e residências de comandantes de alto escalão. Em retaliação, o Irã disparou centenas de mísseis balísticos contra Israel, atingindo cidades como Tel Aviv e Jerusalém, enquanto Israel respondeu com novos bombardeios em Teerã na madrugada de sábado. O conflito, que já deixou dezenas de mortos e centenas de feridos, ameaça envolver potências globais e desestabilizar o Oriente Médio.
Ataques Israelenses e Danos no Irã
Israel realizou ataques aéreos com cerca de 200 caças, visando o coração do programa nuclear iraniano. Segundo o chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, a usina de enriquecimento de urânio em Natanz foi destruída, com relatos de contaminação química e radiológica, embora “controlável”. Fordow, o sítio nuclear mais protegido do Irã, construído dentro de uma montanha, foi alvo de ataques, mas autoridades iranianas afirmaram que não sofreu danos significativos. Isfahan também foi atingido, mas sem impactos graves em suas instalações nucleares.
Além dos alvos nucleares, Israel atacou fábricas de mísseis balísticos e eliminou líderes militares e cientistas nucleares de alto escalão. Entre os mortos estão o comandante da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), Hossein Salami, o general Gholam-Reza Marhabi, considerado o principal oficial de inteligência do Irã, e Mohammad Bagheri, responsável pelo arsenal de mísseis superfície-superfície. A mídia iraniana reportou 78 mortes, incluindo 20 crianças, em um ataque a um complexo residencial em Teerã, e mais de 320 feridos, a maioria civis.
Retaliação Iraniana e Impactos em Israel
Em resposta, o Irã lançou “centenas de mísseis balísticos” contra Israel na noite de sexta-feira, em uma operação ordenada pelo Líder Supremo Ali Khamenei, que prometeu uma resposta “não moderada”. Explosões foram ouvidas em Tel Aviv, Jerusalém e Ramat Gan, com alguns mísseis superando as defesas aéreas israelenses, como o sistema Iron Dome. Pelo menos três pessoas morreram e 41 ficaram feridas em Israel, a maioria com ferimentos leves causados por estilhaços ou detritos de interceptações. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu lamentou as mortes e alertou que o ataque ao Irã era “apenas o começo”.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que o Irã “cruzou linhas vermelhas” ao atacar centros populacionais e prometeu que Teerã “pagará um preço muito alto”. Israel retomou ataques em Teerã na madrugada de sábado, com relatos de explosões próximas ao aeroporto da capital iraniana, que abriga uma base da força aérea.
Contexto e Escalada
O conflito direto entre Israel e Irã é uma escalada sem precedentes, após anos de confrontos indiretos por meio de proxies como Hamas, Hezbollah e Houthis, parte do chamado “Eixo da Resistência” apoiado pelo Irã. A guerra em Gaza, iniciada em 2023 com o ataque do Hamas, e os conflitos com o Hezbollah no Líbano em 2024 enfraqueceram os aliados regionais do Irã, limitando suas opções de retaliação. Israel aproveitou essa janela para atacar diretamente o Irã, com o objetivo de retardar seu programa nuclear, que considera uma ameaça existencial.
Autoridades iranianas admitiram que subestimaram a possibilidade de um ataque antes de uma nova rodada de negociações nucleares com os Estados Unidos, mediadas pelo presidente Donald Trump. Trump, que inicialmente defendeu a diplomacia, afirmou à Reuters que sabia dos planos israelenses e expressou apoio à ofensiva, embora tenha negado envolvimento militar direto dos EUA. O Irã acusou os EUA de cumplicidade, com seu embaixador na ONU, Amir Saeid Iravani, afirmando que Washington “compartilha responsabilidade” pelas consequências.
Riscos Regionais e Globais
O conflito elevou os temores de uma guerra regional. O Irã ameaçou atacar bases militares de aliados de Israel, como Reino Unido, EUA e França, caso ajudem a interceptar seus mísseis. A possibilidade de o Irã fechar o Estreito de Ormuz, por onde passa grande parte do petróleo do Golfo, fez os preços do petróleo subirem mais de 10% na sexta-feira. Estados árabes do Golfo, como a Arábia Saudita, pediram calma para evitar interrupções no fornecimento de energia.
Analistas alertam que o Irã pode abandonar o Tratado de Não Proliferação Nuclear, desencadeando uma corrida armamentista na região. Há também o risco de envolvimento direto dos EUA, especialmente se cidadãos americanos forem atingidos ou se o Irã atacar interesses dos EUA no Golfo. Trump, que prometeu evitar “guerras intermináveis” no Oriente Médio, enfrenta pressão de aliados republicanos, como o senador Lindsey Graham, que defendem uma ação mais dura contra o Irã.
Reações Internacionais
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ONU: Rafael Grossi, da AIEA, pediu que instalações nucleares sejam preservadas e que todas as partes mostrem contenção.
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Rússia: Condenou os ataques israelenses como “não provocados” e uma violação da Carta da ONU, acusando Israel de sabotar esforços diplomáticos.
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Papa Leão XIV: Apelou por responsabilidade de ambos os lados para evitar uma escalada maior.
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Índia: O ministro das Relações Exteriores, S. Jaishankar, conversou com seus homólogos iraniano e israelense, buscando reduzir as tensões.
Perspectvas e Desafios
Israel acredita que enfraqueceu significativamente a capacidade nuclear e militar do Irã, mas o custo humano e a instabilidade regional são preocupantes. No Irã, protestos contra os ataques israelenses misturam-se a vozes que veem na crise uma oportunidade para contestar o governo repressivo. Netanyahu, acusado por críticos de usar conflitos para manter sua coalizão política, enfrenta pressão interna e externa para evitar uma guerra total.
O futuro do conflito depende da intensidade da retaliação iraniana e da capacidade dos EUA e outras potências de conterem a escalada. Enquanto isso, o Oriente Médio permanece à beira de um conflito mais amplo, com consequências imprevisíveis para a economia global e a segurança internacional.
Nota: As informações são baseadas em relatórios até 14 de junho de 2025. Para atualizações, consulte fontes confiáveis como Reuters, The New York Times ou Al Jazeera
Grok/X















