Importadores americanos estão cancelando pedido de produtos brasileiros

Sim, há evidências de que importadores americanos estão cancelando pedidos de produtos brasileiros, conforme reportado em julho de 2025, devido às tarifas de 50% anunciadas por Donald Trump sobre importações do Brasil, que entram em vigor em 1º de agosto de 2025. O impacto imediato foi sentido em setores como o de pescados, café, mel e suco de laranja, com relatos específicos de cancelamentos e apreensão entre exportadores brasileiros.Detalhes dos Cancelamentos

  • Setor de Pescados: A Associação Brasileira da Indústria de Pescados (Abipesca) informou que, um dia após o anúncio das tarifas em 9 de julho de 2025, importadores americanos suspenderam remessas, resultando em 58 contêineres com cerca de mil toneladas de peixes parados em portos brasileiros. Os EUA são o destino de 70% das exportações brasileiras de pescado, e o transporte, que leva até 25 dias, gerou incertezas sobre preços e negociações.
  • Café: O Brasil abastece 20-30% do mercado americano de café (8,1 milhões de sacas anuais). As tarifas de 50% podem elevar o preço do café brasileiro, levando importadores a suspender pedidos enquanto avaliam alternativas, como o café vietnamita, que tem acordo de isenção com os EUA.
  • Suco de Laranja: Mais da metade do suco de laranja consumido nos EUA vem do Brasil. A tarifa pode encarecer o produto, e importadores já sinalizam possíveis cancelamentos, preocupados com o repasse de custos aos consumidores.
  • Mel: Posts no X indicam que, após os frutos do mar, importadores americanos começaram a cancelar pedidos de mel brasileiro, refletindo a cautela diante das novas tarifas.
  • Aço e Outros Setores: O setor do aço, já taxado em 50% desde junho de 2025, enfrenta dificuldades adicionais, com importadores hesitando em novos pedidos devido ao risco de acumulação de tarifas (potencialmente 100% se as novas taxas se somarem às existentes).

Contexto das tarifas e ImpactosAs tarifas de 50% foram justificadas por Trump com alegações de práticas comerciais desleais e questões políticas, como o julgamento de Jair Bolsonaro, embora dados mostrem que os EUA têm superávit comercial com o Brasil (US$ 1 bilhão em 2024). O Brasil exportou US$ 40,4 bilhões para os EUA em 2024 (12% do total exportado), com destaque para petróleo (14%), aço (8,8%), aeronaves (6,7%) e café (4,7%). A ameaça de tarifas ainda mais altas, como as de 500% propostas pelo senador Lindsey Graham contra países que compram combustíveis russos, aumenta a incerteza, já que o Brasil é o segundo maior importador de diesel russo (US$ 5,4 bilhões em 2024).

Os cancelamentos refletem a cautela dos importadores americanos, que temem custos elevados e perda de competitividade. O transporte marítimo, que pode levar semanas, também leva importadores a suspenderem pedidos até que as regras tarifárias sejam esclarecidas. No Brasil, setores exportadores temem perdas significativas, enquanto o governo Lula sinaliza retaliação com tarifas recíprocas, o que pode escalar para uma guerra comercial.

Relação com Juros no Governo LulaA média elevada da Selic nos governos Lula (18,7% em 2003-2006, 11,1-11,8% em 2007-2010 e 12,25-12,5% em 2023-atual) não está diretamente ligada aos cancelamentos, mas as tarifas podem amplificar pressões inflacionárias. A redução das exportações brasileiras aos EUA e o aumento de custos de importação (especialmente se houver desvalorização do real) podem elevar preços domésticos, forçando o Banco Central a manter ou aumentar a Selic para conter a inflação, projetada em 4,9% no atual mandato.

Contexto da Reexportação de Produtos ChinesesAs acusações de que o Brasil serve de base para reexportação de produtos chineses, como aço, também influenciam a relação comercial. A suspeita de transshipment (redirecionamento de produtos chineses via Brasil para evitar tarifas americanas de até 145%) levou a investigações sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. Embora o Brasil negue a prática e adote medidas antidumping contra a China, a percepção de deslealdade comercial pode estar contribuindo para a decisão de impor tarifas e para a cautela dos importadores americanos, que temem sanções adicionais.

ConclusãoImportadores americanos estão cancelando pedidos de produtos brasileiros, especialmente pescados, café, mel e suco de laranja, devido às tarifas de 50% anunciadas por Trump, com vigência a partir de 1º de agosto de 2025. Setores como aço e aviação (Embraer) também enfrentam riscos de adiamentos ou cancelamentos. A combinação de tarifas elevadas, acusações de reexportação de produtos chineses e incertezas sobre tarifas futuras (como as de 500%) cria um ambiente de nervosismo no mercado. O governo brasileiro busca diálogo, mas a ameaça de retaliação pode agravar o cenário. Para mais detalhes, consulte fontes como Folha de S.Paulo, G1 e CNN Brasil.

 

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