Índia Ataca Paquistão: Tensão Escala Após Suposto Ataque com Mísseis

Nova Delhi/Islamabad, 6 de maio de 2025 – A tensão entre Índia e Paquistão, duas potências nucleares do sul da Ásia, atingiu um novo pico após relatos de que a Índia teria realizado ataques com mísseis em três locais no território paquistanês, conforme indicado por um post no X atribuído a um porta-voz militar do Paquistão.
A ação seria uma resposta ao ataque terrorista em Pahalgam, na Caxemira administrada pela Índia, em 22 de abril, que matou 26 civis, em sua maioria turistas hindus. A Índia acusa o Paquistão de apoiar grupos militantes responsáveis pelo massacre, enquanto Islamabad nega qualquer envolvimento e classifica as alegações como “infundadas e politicamente motivadas”.
Contexto do Conflito
O ataque em Pahalgam, descrito como o mais mortal contra civis na Caxemira em quase duas décadas, desencadeou uma série de medidas retaliatórias por parte da Índia. Após o incidente, Nova Delhi fechou a passagem de fronteira de Wagah, suspendeu o Tratado das Águas do Indo (um acordo de compartilhamento de rios de 1960), expulsou diplomatas paquistaneses e ordenou que cidadãos do Paquistão deixassem o país.
O Paquistão respondeu com ações semelhantes, incluindo o fechamento de seu espaço aéreo para aeronaves indianas, a suspensão do Acordo de Shimla de 1972 (que promove a resolução pacífica de disputas) e a proibição de comércio bilateral.

A Índia atribuiu o ataque de Pahalgam ao grupo militante The Resistance Front, supostamente ligado ao Lashkar-e-Taiba, que Nova Delhi alega ser apoiado pelo Paquistão. Dois dos três suspeitos identificados pela polícia indiana seriam cidadãos paquistaneses. Islamabad, por sua vez, negou envolvimento, pediu uma investigação neutra e chegou a sugerir que o ataque poderia ser uma “operação de falsa bandeira” orquestrada pela própria Índia.

O Suposto Ataque
De acordo com um post no X, o Paquistão afirmou que a Índia realizou ataques com mísseis em três locais em seu território, embora detalhes como alvos, danos ou baixas não tenham sido confirmados por fontes oficiais de ambos os lados. A informação, que carece de verificação independente, intensificou os temores de uma escalada militar. O Paquistão já havia alertado, por meio de seu ministro da Defesa, Khawaja Muhammad Asif, que uma incursão militar indiana era “iminente”, com base em “inteligência confiável”. Asif afirmou que o Paquistão responderia de forma “decisiva” a qualquer agressão, mas destacou que armas nucleares só seriam usadas em caso de “ameaça direta à existência” do país.

Nos últimos dias, ambos os países intensificaram suas posturas militares. A Índia anunciou exercícios aéreos de grande escala a partir de 7 de maio, envolvendo caças Rafale, Mirage 2000 e Sukhoi-30, perto da fronteira com o Paquistão. O Paquistão, por sua vez, realizou testes de mísseis balísticos Fatah e Abdali, com alcance de 120 km e 450 km, respectivamente, em uma demonstração de força. Trocas de tirosmarried, pequenos disparos de armas leves também foram registrados ao longo da Linha de Controle (LoC), a fronteira de fato entre os territórios administrados por cada país.

Reações e Riscos de Escalada
A comunidade internacional está em alerta máximo. Os Estados Unidos, por meio do secretário de Estado Marco Rubio, pediu moderação a ambos os lados e cooperação do Paquistão na investigação do ataque de Pahalgam. A ONU alertou para as “consequências catastróficas” de um conflito entre as duas nações armadas nuclearmente. A Rússia, que mantém laços estratégicos com a Índia e boas relações com o Paquistão, ofereceu mediação, enquanto o Irã também se colocou à disposição para facilitar o diálogo.

No Paquistão, mais de mil escolas religiosas na Caxemira administrada pelo país foram fechadas por dez dias, e bunkers estão sendo preparados para um possível conflito. Na Índia, o Ministério do Interior ordenou exercícios de segurança em vários estados, incluindo simulações de ataques aéreos e evacuações, enquanto a opinião pública, inflamada por canais de notícias de direita, clama por retaliação militar.

Histórico de Conflitos
Índia e Paquistão, que se tornaram potências nucleares em 1998, já travaram quatro guerras desde a partição de 1947, três delas por causa da Caxemira, uma região disputada que ambos reivindicam na íntegra. Incidentes anteriores, como os ataques de Mumbai em 2008, Uri em 2016 e Pulwama em 2019, levaram a respostas militares indianas, incluindo “ataques cirúrgicos” em 2016 e bombardeios aéreos em Balakot em 2019, que resultaram em um confronto aéreo com o Paquistão. Esses episódios mostram a fragilidade do equilíbrio entre escalada e contenção, com o risco de um erro de cálculo levar a consequências devastadoras.

Impactos e Perspectivas
O atual impasse ameaça não apenas a estabilidade regional, mas também a economia de ambos os países. A agência Moody’s alertou que a escalada pode prejudicar a recuperação econômica do Paquistão, que depende de um recente pacote de resgate do FMI. Na Índia, companhias aéreas como Air India e IndiGo enfrentam custos maiores devido ao rerroteamento de voos, já que ambos os países fecharam seus espaços aéreos um ao outro.

Analistas, como Michael Kugelman, apontam que a brutalidade do ataque de Pahalgam, com vítimas civis alvejadas por sua religião, criou uma pressão doméstica enorme para uma resposta indiana. No entanto, a falta de evidências públicas concretas sobre o envolvimento do Paquistão e a possibilidade de ações encobertas, como assassinatos seletivos, podem ser estratégias para evitar uma guerra aberta. Ainda assim, a suspensão de acordos bilaterais importantes, como o Tratado das Águas do Indo e o Acordo de Shimla, reduz o espaço diplomático para negociações.

Enquanto o mundo observa com apreensão, a situação permanece volátil. A ausência de canais de comunicação abertos, conforme relatado pelo ministro da Informação do Paquistão, Attaullah Tarar, e a retórica beligerante de líderes como o primeiro-ministro indiano Narendra Modi, que prometeu punir os responsáveis “até os confins da Terra”, aumentam o risco de um conflito que poderia ter consequências globais.

Com informações de BBC, Reuters, Al Jazeera, The New York Times, The Guardian, Times of India e posts no X.

Mostrar mais artigos relacionados
Mostrar mais em Mundo
.