Indústria da construção civil brasileira registrou o pior agosto em nove anos, conforme a Sondagem da CNI

De acordo com a pesquisa divulgada nesta terça-feira (23 de setembro de 2025) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o setor enfrentou uma retração significativa no mês passado. O índice de evolução do nível de atividade caiu 3,5 pontos em relação a julho, chegando a 46 pontos – o valor mais baixo para um agosto desde 2016. Isso indica um cenário de contração, já que índices abaixo de 50 pontos sinalizam retração na atividade.Principais indicadores de agosto de 2025:Aqui vai um resumo dos dados mais relevantes, baseados na pesquisa que consultou 298 empresas (pequenas, médias e grandes) entre 1º e 10 de setembro:
Indicador
Valor em agosto 2025
Variação em relação a julho
Observação
Nível de atividade
46 pontos
-3,5 pontos
Pior agosto desde 2016 (9 anos).
Número de empregados
46,3 pontos
-3,8 pontos
Queda expressiva; menor para o mês em 7 anos.
Utilização da Capacidade Operacional (UCO)
66%
-2 pontos percentuais
Menor nível para agosto em 3 anos.

 

Esses números refletem um setor pressionado, com redução na produção, demissões e ociosidade em alta.Expectativas para os próximos meses (setembro):As perspectivas dos empresários também azedaram, com todos os índices de expectativa abaixo ou próximos da linha de 50 pontos (estabilidade). Há uma visão de estagnação ou leve retração:

  • Novos empreendimentos e serviços: 49,2 pontos (-0,9 ponto).
  • Número de empregados: 50,2 pontos (-0,6 ponto) – expectativa de estabilidade.
  • Nível de atividade: 50,7 pontos (-0,7 ponto).
  • Compras de matérias-primas: 49,4 pontos (-0,4 ponto).

 

Por outro lado, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) da Construção subiu ligeiramente 1,2 ponto para 47 pontos em setembro, sugerindo uma falta de confiança menos intensa que no mês anterior, mas ainda negativa.Causas apontadas pela CNI:O gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, atribui o desempenho ruim principalmente à elevação da taxa de juros (Selic em alta), que encarece o crédito para investimentos e reduz o ritmo da demanda por imóveis e obras. Isso afeta tanto construtoras quanto compradores, criando um ciclo de retração.

Outros fatores incluem custos elevados e um ambiente econômico mais adverso desde o início de 2025.Esse resultado se alinha a um quadro mais amplo de desaceleração industrial no Brasil, com impactos potenciais no PIB e no emprego (o setor emprega cerca de 2,5 milhões de pessoas diretamente). A CNI recomenda medidas como redução de juros e estímulos fiscais para reverter o quadro.
Grok/X

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