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A investigação da Polícia Federal (PF), conforme noticiado pela Band em 29 de maio de 2025, revelou um esquema batizado de “Mensalão do INSS”, no qual 15 parlamentares, incluindo deputados e senadores de partidos da base governista e da oposição, como o PDT, recebiam propinas mensais de até R$ 50 mil de associações envolvidas em fraudes contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Detalhes do Esquema
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Modus Operandi: As associações, utilizando acordos de cooperação técnica (ACTs) com o INSS, realizavam descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas, sem autorização, movimentando cerca de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. Esses descontos, muitas vezes de R$ 70 por mês, eram justificados com assinaturas falsificadas ou cadastros fraudulentos.
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Envolvimento Político: Segundo fontes da investigação, os parlamentares facilitavam o acesso dessas entidades a informações sigilosas do INSS e à cúpula do órgão, garantindo a continuidade do esquema. A PF acredita que os pagamentos eram feitos para assegurar influência política e apoio na manutenção das fraudes.
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Figuras-Chave: O lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, é apontado como figura central, movimentando R$ 53,5 milhões, dos quais R$ 48,1 milhões vieram diretamente de associações e R$ 5,4 milhões de empresas intermediárias. Ele repassava valores a servidores do INSS, como o ex-procurador Virgílio Oliveira Filho, que recebeu R$ 12 milhões, e André Fidelis, ex-diretor, com R$ 5,2 milhões via empresas de seu filho.
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Entidades Envolvidas: Entre as 29 associações investigadas, destacam-se a Conafer, AAPB, Aapen, e Ambec, muitas operando como fachadas, sem estrutura para prestar serviços prometidos, como assistência jurídica ou descontos em saúde. Algumas, como a Aapen, faturaram R$ 81,9 milhões desde 2019, com indícios de lavagem de dinheiro via funerárias e empresas de fachada.
Repercussões e Medidas
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Investigações em Andamento: A Operação Sem Desconto, deflagrada em 23 de abril de 2025, cumpriu 211 mandados de busca e apreensão e seis prisões temporárias em 13 estados e no DF. A PF apreendeu carros de luxo, joias, obras de arte e mais de R$ 1,7 milhão em dinheiro vivo.
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Ações do INSS: O governo suspendeu todos os descontos associativos e iniciou a devolução de R$ 292 milhões a partir de maio de 2025. Aposentados podem verificar descontos no aplicativo Meu INSS ou pela central 135, com opção de bloqueio de mensalidades.
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Impacto Político: A investigação gerou a demissão do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e do ministro da Previdência, Carlos Lupi, que foi alertado sobre as fraudes em 2023, mas demorou a agir. A oposição pressiona por uma CPI, enquanto o governo promete ressarcir as vítimas, com 190 mil pedidos de revisão registrados em 2024.
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Nomes dos Parlamentares: Até o momento, os nomes dos 15 parlamentares não foram divulgados oficialmente, mas fontes indicam que membros de associações prometem revelá-los em depoimentos à PF, o que pode intensificar o escândalo.
Contexto Político e Social
O esquema, que atingiu 9,4 milhões de beneficiários, especialmente idosos e aposentados rurais (67% das vítimas), expõe vulnerabilidades sistêmicas no INSS, como a falta de rigor na verificação de autorizações e falhas na biometria do sistema Gov.br. A CGU constatou que 97% de 1.300 beneficiários entrevistados não autorizaram os descontos. A presença de José Ferreira da Silva (Frei Chico), irmão do presidente Lula, como vice-presidente do Sindnapi, alimentou críticas da oposição, embora a entidade negue irregularidades.
A investigação continua, com 12 inquéritos abertos e a possibilidade de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) em 2025. A PF segue analisando transações financeiras para identificar mais envolvidos, enquanto o governo busca mitigar o desgaste político e garantir a devolução dos valores aos aposentados lesados
GROK/X















