Marcello Casal jr/Agência Brasil
O Investimento Direto no País (IDP) no Brasil atingiu o menor patamar em quatro anos, somando US$ 27,3 bilhões de janeiro a abril de 2025, segundo dados do Banco Central do Brasil. Isso representa uma queda de 4,3% em relação ao mesmo período de 2024, quando o montante foi de US$ 28,5 bilhões.
Contexto e Dados
O IDP engloba recursos estrangeiros destinados a negócios, abertura de filiais, expansão de empresas e obras de infraestrutura, sendo um indicador crucial da confiança de investidores internacionais na economia brasileira. Apesar de o Brasil ter se destacado como um dos principais destinos de investimento direto estrangeiro (IDE) no passado, ocupando a quinta posição global em 2023 com US$ 65,9 bilhões em ingressos, o desempenho recente indica um recuo.
A redução em 2025 é atribuída a fatores como incertezas econômicas globais, volatilidade do real, aumento de juros em economias desenvolvidas e desafios internos, incluindo a complexidade regulatória e o “custo Brasil” (altos custos operacionais devido a impostos, burocracia e infraestrutura deficiente). O Banco Central apontou que, embora setores como energia, tecnologia e óleo e gás tenham atraído investimentos em 2022, a retomada de projetos adiados pela pandemia perdeu fôlego, impactando os números atuais.
Comparação com Anos Anteriores
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2021: O Brasil atraiu US$ 50 bilhões, um aumento de 78% em relação a 2020, mas ainda abaixo dos US$ 65,4 bilhões de 2019 (pré-pandemia).
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2022: O fluxo de IDE alcançou US$ 86 bilhões, o maior em anos, impulsionado por crescimento de 97% em relação a 2021, com destaque para serviços, energia renovável e manufatura.
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2023: O IDE caiu para US$ 65,9 bilhões, refletindo uma desaceleração econômica global e local, com crescimento do PIB de apenas 2,9%.
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2024: Dados preliminares indicam continuidade na queda, com os US$ 27,3 bilhões de 2025 (janeiro-abril) sendo os menores desde 2021.
Fatores Internos e Externos
A queda no IDP reflete desafios estruturais no Brasil, como:
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Burocracia e tributação: O sistema tributário brasileiro é considerado um dos menos amigáveis para negócios, com altas taxas e complexidade que desencorajam investidores.
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Flutuações cambiais: A volatilidade do real frente ao dólar eleva o risco para retornos de investimentos.
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Incertezas políticas: Apesar da estabilidade relativa, mudanças regulatórias e incertezas políticas sob o governo Lula, como a aprovação de reformas fiscais e tributárias, geram cautela entre investidores.
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Concorrência global: Economias desenvolvidas, com juros mais altos, têm atraído capitais que poderiam ser direcionados a mercados emergentes como o Brasil.
Por outro lado, o Brasil mantém atrativos, como sua vasta população (213 milhões), abundância de recursos naturais e liderança em setores como agronegócio e energia renovável. A nova política industrial de Lula, lançada em 2024, foca em cadeias agroindustriais, saúde, digitalização e transição energética, mas os resultados ainda são incipientes.
Setores e Perspectivas
Os setores que mais recebem IDE incluem serviços financeiros (19,2% do estoque total de IDE), comércio (8,1%), extração de petróleo e gás (7,4%) e utilities (5,6%). A Europa, especialmente Países Baixos, Luxemburgo e Espanha, detém 61,5% do estoque de IDE, seguida pela América do Norte (23,3%), com os EUA respondendo por 84,6% desse montante.
Apesar da queda, iniciativas como o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com R$ 1,7 trilhão previstos até 2026, e o Plano Nacional de Fertilizantes, para reduzir a dependência de importações, buscam atrair investimentos. Além disso, a aprovação da reforma tributária em 2023 e a adoção de normas de preços de transferência alinhadas à OCDE podem reduzir disputas fiscais e atrair mais capital estrangeiro no longo prazo.
Reação nas Redes
Postagens recentes no X refletem preocupação com a queda do IDP. Usuários como
@JHdaFonseca
criticaram medidas como o aumento do IOF, sugerindo que podem agravar a situação. Já
@InvestidoresO
destacou o volume de US$ 27,3 bilhões, reforçando a importância do IDE para a economia.
Conclusão
A redução do investimento direto no Brasil para o menor nível em quatro anos sinaliza desafios para a retomada econômica. Embora o país mantenha atrativos, como seu mercado consumidor e recursos naturais, obstáculos como burocracia, instabilidade cambial e incertezas políticas exigem reformas estruturais para restaurar a confiança dos investidores. O governo Lula enfrenta o desafio de implementar políticas que equilibrem incentivos fiscais, estabilidade econômica e redução do “custo Brasil” para reverter essa tendência e atrair mais capital estrangeiro nos próximos anos.
GROK/X















